Tarifa de ônibus volta a ser cobrada em São Caetano do Sul (SP). Previsão é a partir de 15 de julho de 2026 com o fim da Tarifa Zero para não moradores
Publicado em: 17 de junho de 2026
Valor será de R$ 5. Câmara aprovou projeto de Tite. Prefeitura não suportou bancar gratuidade para todos nos transportes
ADAMO BAZANI
A prefeitura de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, prevê a partir de 15 de julho de 2026, depois de 32 meses em vigor, acabar com o “Tarifa Zero” para todos os passageiros nos ônibus municipais.
A gratuidade será apenas para moradores cadastrados por meio de bilhetagem eletrônica. Os demais usuários passam a pagar R$ 5 pela tarifa.
Nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei do prefeito Tite Campanella, restringindo o benefício, até então irrestrito.
Foram 17 votos favoráveis e apenas um voto contra, da vereadora Bruna Biondi (PSOL).
Vai ser mantida a gratuidade municipal para pessoas com idades entre 60 anos e 65 anos. De 65 anos para cima, a gratuidade é garantida por lei federal e não pode ser revogada por estados e municípios.
Estudantes, pessoas em condições de vulnerabilidade social e servidores públicos municipais continuam também sem pagar ônibus, segundo o projeto.
A prefeitura argumenta que o tarifa zero, criado em 2023, ampliou os custos para os cofres públicos e degradou o sistema de transportes com uma explosão de demanda sem as condições de bancar o aumento necessário de frota e mão de obra para atender a este crescimento.
De acordo com a gestão Tite, antes do tarifa zero universal, a média de passageiros era de 514 mil por mês e, agora, está em torno de 1,74 milhão.
Ainda de acordo com a estimativa da administração municipal, a economia aos cofres públicos com o fim do tarifa zero total, seria de R$ 14,7 milhões por ano.
Ao todo, de acordo com o executivo municipal, atualmente, o programa Tarifa Zero custa aproximadamente R$ 2,9 milhões por mês aos cofres públicos de São Caetano do Sul, totalizando cerca de R$ 35 milhões por ano. Esse montante representa cerca de 1,44% do orçamento anual previsto pelo município.
Entretanto, há estimativas de chegar entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões se mantidas as projeções de aumento de demanda e necessidade de ampliar a frota.
Atualmente, os usuários entram no ônibus e passam pela catraca, mesmo sem a cobrança para ninguém. Isso serve para registrar e demanda e remunerar a Vipe (Viação Padre Eustáquio), empresa da cidade, pelo serviço.
A prefeitura ainda sustenta que os alegados ganhos na redução do trânsito, poluição e estímulo ao comércio local foram “ínfimos” perto da elevação de custeio e que muitas pessoas que não são da cidade usam o sistema municipal como “ponte” para escapar dos preços maiores dos ônibus intermunicipais e trens, continuando depois viagem nos ônibus da capital paulista, que faz limite com São Caetano do Sul.
FÓRMULA:
Enquanto São Caetano do Sul retrocede no Tarifa Zero Universal alegando falta de recursos e infraestrutura, o debate de uma tarifa zero nacional ganha força, mas ainda com muitas incertezas.
A dúvida é como bancar sem degradar os serviços.
O Diário do Transporte mostrou que as empresas de ônibus, reunidas na NTU, associação nacional do setor, têm uma fórmula.
De acordo com o diretor-presidente da NTU, Francisco Christovam, em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, a proposta de financiamentos já cobriria 85% dos custos, sobrando 15% para as prefeituras que teriam fôlego para subsidiar este residual.
De acordo com a proposta da NTU, chamada Programa Transportes para Todos, com a modernização e reformulação do sistema de vale-transporte pago pelo trabalhador, inclusive com a eliminação da contrapartida de 6%, em torno de 50% dos custos das tarifas e transportes já seriam cobertos. Outros 20% teriam a cobertura de dinheiro público federal, mas não distribuído aleatoriamente.
Seria vinculado a verba do Bolsa Família e a gratuidade seria destinada apenas aos beneficiários do programa, ou seja, em tese, para as pessoas que mais necessitam de transportes públicos, porque têm uma renda menor. São pessoas que, às vezes, podem até ter veículos próprios, mas que a renda familiar, proporcionalmente, é mais comprometida nos deslocamentos.
Outros 15%, aproximadamente, seriam cobertos pelas gratuidades com fins específicos, só que bancadas pelas pastas correspondentes aos passageiros que são beneficiários.
Veja a matéria completa em:
E O TEXTO EM
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Nada funciona de graça, e dinheiro não brota do chão!
A Prefeitura de São Caetano percebeu isso, e teve a honestidade de admitir publicamente a realidade física e matemática dessa questão.
Que tal episódio sirva de parâmetro a outras Prefeituras que estejam considerando embarcar nesse teatro populista e caro.
Quanto às frentes defensoras da tarifa-zero universal, não dá mesmo pra se esperar delas qualquer ponderação e bom senso a respeito. Já que a tentação dos holofotes e de projeções políticas falam muito mais alto, e são os verdadeiros norteadores dos seus discursos.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra… O projeto de tarifa zero a cada dois domingos, em Campinas, no começo dos anos 1990, repetiu-se por 36 vezes, até o fim da administração Jacó Bittar. E deu muito certo, sob vários aspectos econômicos e sociais.
E vamos comparar maçãs com laranjas… um projeto de gratuidade quinzenal, sendo aos domingos, com outro vigente em todos os dias. Já que é para falar de tarifa zero, deveria ter mencionado o município de São Paulo, onde, sob a gestão de Ricardo Nunes, há gratuidade nos ônibus em todos os domingos…
Sei que tudo tem um custo, porém, a gratuidade deveria continuar e, inclusive, ser expandida em SP e outros municípios, os governos gastam tanto dinheiro com regalias à políticos, verbas de gabinetes e tantos outros custos. Estes valores poderiam ser revertidos em prol dos serviços públicos como transporte, saúde, segurança.
Tá certo tem que paga mesmo a passagem
Está gratuidade na cidade de São Caetano quando foi emplatada foi só para eleger o candidato do prefeito
Segregação, elitismo e xenofobia pura e simplesmente. Quem conhece a cidade e o ABC sabe disso. O que incomoda parte dos moradores e da administração é a população mais pobre de SCS (que sim, existe, embora a falsa propaganda feita sobre a cidade diga o oposto) estar circulando por toda a cidade e também os moradores das outras cidades vizinhas mais humildes. A maior parte da população de SCS já não paga tarifa, pois é composta por idosos e estudantes. A desculpa do aumento de gastos não cola, até porque isso foi estudado antes, incluído nos estudos e aprovado dela câmara.
Medida puramente populista pela pressão que parte da cidade que se acha superior e que moram em alguma espécie de primeiro mundo.