Eletromobilidade

Eletrificação da frota de veículos no Brasil necessita de regras de igualdade com chineses, defendem executivos de montadoras em evento da Anfavea

No caso dos pesados, eletromobilidade foi indicada para o cenário urbano, mas para rodoviários e cargas, biocombustíveis parecem ser mais factíveis

ADAMO BAZANI

Executivos de montadoras instaladas no Brasil defenderam nesta terça-feira, 09 de junho de 2026, que o País crie mecanismos para que as indústrias chinesas comercializem seus ônibus, caminhões e carros, principalmente os modelos elétricos, em condições semelhantes às vividas pelas já instaladas no território nacional.

A defesa foi feita durante o Anfavea Visions, evento da associação das fabricantes, que ocorre até esta quarta-feira (10) na capital paulista.

Somente com o “equilíbrio” do jogo é que a eletrificação da frota poderá trazer benefícios plenos do ponto de vista econômico para o Brasil.

A alegação é de que as marcas chinesas contam com grandes incentivos, não apenas tributários e econômicos, mas de legislação e em desenvolvimento e pesquisas por parte do governo da China, que fazem com que os modelos importados se tornem mais atrativos. Isso se aplicaria também não somente a carros, caminhões e ônibus trazidos de fora “inteiros”, como também aos que são montados em plantas nacionais, mas com grande parte dos componentes feita na China.

Um dos palestrantes, o presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, destacou que a falta de segurança jurídica para investir no Brasil é um ponto pouco observado como um dos fatores de perda de competividade.

A advogada especializada em risco empresarial Liana Variani, concorda e disse que o arcabouço legal brasileiro, da maneira como é aplicada, pode encarecer custos de produção e mão de obra sem trazer os benefícios necessários para quem trabalha e para quem investe.

“Toda análise de risco jurídico é cada vez mais necessária para qualquer empreendimento. Muito por causa da forma como a legislação é aplicada, muito mais que a legislação em si. Por exemplo, não somente a carga tributária é alta, como é muito complexa a legislação nessa área. As empresas se dão mal mesmo fazendo o correto. A trabalhista então é outro exemplo. Da forma como tem se observado, ao mesmo tempo em que o trabalhador não é totalmente protegido, quem investe, gera emprego e ajuda no desenvolvimento parece ser mais penalizado que incentivado” – disse Liana Variani ao Diário do Transporte.

Os executivos defenderam que nos ambientes urbanos, em especial para veículos pesados, a eletromobilidade tem se mostrado um caminho correto, apesar de as limitações de infraestrutura ainda serem grandes e a necessidade de os avanços serem mais “pé no chão” e gradativos.

Ônibus elétricos em sistemas de corredores ou linhas de alta demanda têm se mostrado eficazes, de acordo com Cortes.

Mas, segundo o executivo, que foi apoiado por colegas, linhas de longa distância, como ônibus rodoviários, e transportes de cargas, teriam mais lógica, neste momento, se contassem com investimentos e estímulos voltados a fontes de energia sustentáveis e que garantem maior autonomia e facilidade de abastecimento, como os biocombustíves.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading