História

HISTÓRIA: Caio Aritana foi resposta à necessidade de compatibilizar qualificação dos ônibus com redução de custos para a conta fechar

Subsídios, receitas extratarifárias, marco legal, serviços alternativos como ônibus seletivos, a inclusão do fretamento nos planos de mobilidade urbana, tarifa zero com financiamento como se fosse o SUS. – O que isso tem a ver com a história de um modelo de ônibus?

ADAMO BAZANI

Um dia, a este repórter, Adamo Bazani, um empresário de ônibus tradicional do ABC Paulista, disse uma frase que reflete muito bem um aspecto a da realidade dos transportes brasileiros:

“Transporte não é ciência exata, mas é necessário fazer muita conta e ter tudo calculado na ponta do lápis”

Atualmente, são muitas as discussões sobre como qualificar os transportes, para deixar os meios de deslocamento coletivos mais atrativos, já que os transportes individuais ganham cada vez mais espaço, ainda mais com aplicativos de carros e de motos de passageiros, e ao mesmo tempo fazer a conta fechar.

Subsídios, receitas extratarifárias, marco legal, serviços alternativos como ônibus seletivos, a inclusão do fretamento nos planos de mobilidade urbana, tarifa zero com financiamento como se fosse o SUS. – O que isso tem a ver com a história de um modelo de ônibus?

Muito, porque mostra que estas discussões são bem mais antigas e só ganharam mais volume agora, em especial depois das manifestações sobre a catraca livre de 2013 e após a crise generalizada, que não poupou a mobilidade, ocasionada pela pandemia de covid-19.

Um exemplo é a história de um modelo de ônibus que foi muito usado em “linhas seletivas” regulares de transporte urbano e metropolitano, em linhas rodoviárias curtas e fretamento, em especial o contínuo: O Aritana, que foi produzido entre 1982 e 1987/88 (período aproximado) pela fabricante de carrocerias Caio, de São Paulo.

As empresas de transportes precisavam oferecer serviços diferenciados, mas que ao mesmo tempo, permitissem que a conta fechasse.

Produzir ônibus com maior conforto, mas simples e de custos condizentes com a realidade, era um dos desafios da indústria de veículos. (E ainda é)

O Artiana veio para tentar trazer esta resposta.

Também foi uma aposta da própria Caio para vencer a crise que era sentida desde o final dos anos 1970.

O modelo foi o primeiro “genuinamente rodoviário” produzido na recém-inaugurada (na época) planta da Caio, em Botucatu, no interior de São Paulo.

Longe de ser um dos grandes sucessos da história da Caio e da indústria nacional de ônibus, o Aritana contribuiu para a consolidação de um segmento que até hoje é de grande relevância para o setor: veículos de padrão rodoviário desenvolvidos para chassis com motores dianteiros.

Foram diversos chassis que receberam carrocerias Aritana, com os Mercedes-Benz OFs e LPOs,a exemplo do 1113 e 1313, e os Scania, em especial, os B111.

Muito embora, também havia versões do modelo para motores traseiros.

O Aritana teve diversas configurações, desde as mais simples até modelos de maior categoria.

As linhas eram retas e sóbrias e tudo foi feito para ser prático, inclusive na manutenção e para os trabalhos de reparos na funilaria após eventuais batidas.

Simplicidade, entretanto, não é pretexto para não se preocupar com design.

É outra “lição” que o Caio Aritana deixou.

Apesar das linhas retas e acabamentos simples, o intuito foi passar um desenho harmonioso e que remetesse a modernidade, um apelo muito forte da indústria automotiva dos anos 1980.

Assim, as quedas e ângulos da carroceria mostravam fluidez.

Não é à toa que na imagem de catálogo oficial da Caio, o modelo foi retratado com uma pintura e numa versão que remetia a ideia de um modelo “futurista”, para os padrões da época.

O design do Caio Aritana teve inspirações nos modelos anteriores e bem-sucedidos como o Caio Gabriela e Caio Itaipu. Uma tradição na encarroçadora: lançar modelos, mas sem perder o “DNA” da marca, sua identidade visual.

É raro encontrar hoje em dia um Aritana em boas condições e preservado.

O Aritana passou, mas os desafios, em proporções diferentes, parece ser ainda os mesmos.

Veja algumas imagens de diferentes regiões, empresas e aplicações do Aritana

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Por falar nos antigos rodoviários da Caio, sugiro também uma matéria sobre o Caio Corcovado que a extinta Única operou na linha Rio-SP no final dos anos 70, juntamente com o Gaivota e como provável sucessor dele.

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