Audiência discutiu qualidade do serviço e apresentou dados que apontam 197 veículos acima da idade contratual, além de 15 interditados e 13 articulados com mais de 10 anos de uso
YURI SENA
Uma audiência pública realizada nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, debateu a situação do transporte coletivo de Campo Grande e a possibilidade de intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do sistema na capital sul-mato-grossense.
O encontro ocorreu por determinação judicial e foi conduzido pela comissão criada pela Prefeitura de Campo Grande após a paralisação do transporte coletivo registrada em dezembro de 2025. A iniciativa integra o processo de análise do contrato de concessão e busca reunir informações técnicas e manifestações da população sobre a qualidade do serviço prestado.
O Diário do Transporte já vinha acompanhando a situação da frota do transporte coletivo de Campo Grande. Um levantamento da prefeitura, datado de 26 de abril de 2026, apontava a circulação de veículos acima da idade limite prevista em contrato, incluindo 12 ônibus fabricados em 2010 ainda em operação.
Relembre:
Durante a audiência, representantes da prefeitura apresentaram dados sobre a situação da frota. Segundo a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), 197 ônibus circulam acima da idade máxima prevista em contrato. Além disso, 15 veículos estão fora de operação por interdição e 13 ônibus articulados também ultrapassaram o limite de 10 anos de uso, totalizando 225 veículos em situação irregular ou com restrições operacionais.
A audiência foi proposta pela Procuradoria-Geral do Município (PGM). De acordo com a procuradora-geral e coordenadora da comissão responsável pela análise do contrato, Cecília Rizkallah, a reunião teve como objetivo coletar contribuições da sociedade e consolidar informações para a elaboração do relatório técnico sobre a concessão.
O documento final deverá ser entregue à prefeita de Campo Grande na próxima semana. A partir da análise do relatório, a administração municipal decidirá sobre a adoção de medidas em relação ao contrato do transporte coletivo, incluindo a possibilidade de intervenção na operação do sistema.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte
