Fim da Escala 6 x 1 não vai diretamente a Plenário, diz Alcolumbre. Proposta que cria jornadas flexíveis ganha articulação e regras para cada setor serão debatidas
Publicado em: 2 de junho de 2026
De acordo com presidente da casa, no Senado, texto vai ter mudanças. Aprovação pode ficar para depois das eleições
ADAMO BAZANI
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que termina com a escala de trabalho 6 x 1 e ainda reduz a carga de 44 horas para 40 horas semanais não vai ser votada diretamente pelo plenário do Senado e o texto deve passar por modificações.
A informação é do próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segundo a agência de notícias oficial da casa.
“Essa proposta vai ter que tramitar nas comissões (…) Eu espero muito que, nesse debate, nós possamos, à altura do Senado Federal, da Casa da Federação, promover um aperfeiçoamento nesse texto. (…) Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma, sem açodamento, sem pressa” — disse Davi ao responder a um questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).
Na Câmara, o fim da escala 6 x 1 foi votado e aprovado em 27 de maio de 2026.
Entre as mudanças esperadas no Senado estão regimes diferenciados entre setores que alegam já falta de mão-de-obra e dificuldades na execução das atividades para se adequarem à proposta por terem atendimento ininterrupto.
É o caso, por exemplo, dos segmentos de transportes de cargas e passageiros.
De acordo ainda com Alcolumbre, a tramitação da PEC será discutida em reunião na próxima semana com os líderes partidários e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA).
Alcolumbre também destacou que o Senado precisa ouvir todos os setores envolvidos para analisar a proposta com profundidade.
“Eu quero que a gente fique com a maturidade institucional, com o dever cívico, com a nossa consciência, e que cada um tenha o discernimento da importância da votação dessa matéria. Não pode uma rede social, um ou outro ator cobrar do Senado que a matéria chegue de manhã e que a gente vote de tarde” – disse
PROPOSTA DE FLEXIBILIZAÇÃO:
Enquanto isso, uma outra PEC, proposta que cria jornadas flexíveis, ganha articulação e adesão de mais senadores.
Como mostrou o Diário do Transporte, menos de 24 horas depois da aprovação na Câmara, foi protocolada no Senado uma outra PEC, do Senador Rogério Marinho, que em vez de prever o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada semanal, cria flexibilizações e o regime de horas trabalhadas.
Ou seja, as empresas só vão pagar as horas efetivamente trabalhadas pelos funcionários.
Relembre:
PÓS-ELEIÇÕES:
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre vai definir com o colégio de líderes de partidos como será a tramitação. Se paralelamente ou de forma “apensada” ao projeto aprovado um dia anterior na Câmara.
Se for paralelo, vai ter uma tramitação mais lenta, necessitando ser aprovada pelos senadores e seguir à Câmara. Se como “apenso”, deve gerar emendas à PEC aprovada na quarta-feira, voltando o texto aos deputados.
Nos dois cenários, aumenta o risco de o fim da jornada 6 x 1 só ser definido depois das eleições.
Diferentemente do ritmo mais acelerado da Câmara, no Senado, Alcolumbre disse que a PEC não terá nenhum tratamento diferenciado e que vai ser seguido o ritmo habitual de qualquer tramitação.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

