Afastamentos de motoristas de ônibus e caminhoneiros: saiba as principais causas e como evitar
Publicado em: 31 de maio de 2026
De acordo com especialista em risco empresarial, Liana Variani, maior parte dos casos poderia não ocorrer com ações simples e um melhor entendimento entre empresas e trabalhadores
ADAMO BAZANI
Instagram da especialista: https://www.instagram.com/varianimarins/
A maior parte dos afastamentos do trabalho de motoristas de ônibus e de caminhoneiros poderia ser evitada com ações relativamente simples, melhor entendimento entre empresas e trabalhadores e uma análise sobre a realidade operacional, laboral, de frota e das condições externas das linhas.
Quem explica ao Diário do Transporte é a advogada especializada em risco empresarial, Liana Variani.
“Há casos em que as externalidades, como a realidade de vida pessoal e até mesmo violência urbana e trânsito agravam a situação. O direito é claro entre diferenciar doenças ocupacionais dos problemas gerados por outros fatores. Mas o ser humano é um só. Muitas vezes, não dá para desassociar na realidade” – disse Liana Variani, que dá um exemplo.
Lideram a lista de afastamentos:
– doenças de ordem psicológicas e questões relacionadas à saúde mental;
– problemas de saúde relacionados a ergonomia no trabalho, problemas posturais (ósseos, de articulação e musculares) e LERs (Lesões por Esforços Repetitivos) e,
– problemas cardiovasculares e metabólicos.
“O trabalhador está com problema familiar, passando um estresse danado, perde as condições mesmo que momentaneamente de dirigir, logo, mesmo sendo uma questão pessoal, ele acaba se afastando do trabalho. Afinal, para ele, para as outras vidas e para a própria empresa, é um risco ele estar conduzindo dezenas de vidas ou de toneladas de carga sem estar bem para isso” – diz
Segundo a advogada, a empresa não pode ser responsabilizada por um problema que não tem relação com o trabalho, mas muitas vezes, é difícil até mesmo provar a origem e o agravante.
“Juridicamente, as empresas não podem ser responsabilizadas por problemas externos ao trabalho. Mas a questão, na prática, é muito mais complexa. Como provar qual a causa? E a alegação de que o problema não tem causa no trabalho, mas foi agravado por ele? – questiona
SAÚDE MENTAL E QUESTÕES PSICOLÓGICAS:
De acordo com a advogada, um dos principais motivos de afastamentos de motoristas estão questões relacionadas às condições psicológicas.
Como mostrou o Diário do Transporte, no último dia 26 de maio de 2026, entrou em vigor a nova versão da NR-1, do Ministério do Trabalho, norma regulamentadora sobre gerenciamento de riscos ocupacionais, que passa a incluir a necessidade de as empresas identificarem, analisarem e adotarem medidas para evitar os chamados riscos psicossociais.
As empresas, inclusive podem ser multadas em R$ 100 mil por trabalhador em caso de descumprimento
Relembre:
Neste rol de problemas estão: transtornos de adaptação e ansiedade causados pela pressão constante por horários e metas; síndrome de Burnout e estresse grave gerados por fatores como trânsito caótico e o medo de assaltos ou violência urbana; episódios depressivos agravados pelo isolamento da rotina e longas jornadas, dependência química ou alcoolismo decorrentes do esgotamento profissional.
ERGONOMIA, LER E PROBLEMAS ÓSSEOS, DE ARTICULAÇÃO E MUSCULARES:
Outras causas consideradas entre as que figuram como maiores motivos de afastamentos de motoristas de ônibus e caminhoneiros, além de questões psicológicas, estão problemas de saúde relacionados a ergonomia no trabalho, problemas posturais (ósseos, de articulação e musculares) e LERs (Lesões por Esforços Repetitivos).
Joelhos, ombros, punhos, coluna e pescoço são as principais partes do corpo afetadas.
“Muitas vezes, o motorista fica horas sentado e não aproveita as horas de intervalo para se alongar, se esticar um pouco. O primeiro passo para uma empresa é a orientação. Reunir grupos de profissionais para conversar com especialistas, fisioterapeutas, médicos ocupacionais não é gasto, é investimento” – disse Liana Variani.
A empresa NEXT Mobilidade, de São Bernardo do Campo (SP), possui em uma de suas garagens, onde ficam alocados os trólebus do Corredor ABD, academia e clínica de fisioterapia, com equipamentos e a presença constante de profissional de saúde.
A fisioterapeuta Rebeca Dantas de Agustine, que atua na clínica dentro da garagem, relatou que ao longo dos anos do departamento na empresa registrou não apenas melhoria nas condições de trabalho e na redução do índice de afastamento, mas na satisfação dos trabalhadores.
“É a sensação de acolhimento, de gratidão, de ver que não é apenas um número no RH, mas que é valorizado, que sabe que sim, é uma estratégia de negócio da empresa, mas que nem por isso deixa de ser uma humanização na relação” – disse.
Liana Variani explica que outro fator importante é sempre verificar as condições de frota e, sempre que possível, fazer os ajustes sugeridos pelas equipes de segurança do trabalho, da manutenção, de riscos jurídicos e, claro, dos próprios motoristas.
“Muitas vezes, o viário não ajuda nada, gerando trepidações, solavancos e tudo que interfere no conforto. Identificar estes fatores e, mesmo sendo causa externa, minimizar, ajuda a evitar problemas para os trabalhadores e empresas” – acrescenta.
PROBLEMAS CARDIOVASCULARES E METABÓLICOS:
Pressão alta, diabete, colesterol, obesidade são problemas também recorrentes na realidade dos motoristas de ônibus e caminhões.
Além do próprio estresse da profissão, a falta de atividade física, alto índice de consumo de álcool, fumo e até entorpecentes ampliam a gravidade desta situação.
Mesmo, muitas vezes as causas sendo externas ao trabalho, as empresas podem ajudar a si mesmas e aos trabalhadores com a identificação prematura dos riscos e ações de prevenção, que vão desde orientações em palestras nas garagens até acompanhamentos específicos para profissionais.
“A atividade física não faz bem somente para o corpo, mas para a mente e alma. Têm dado resultados interessantes os investimentos de empresas em ações como promoção de gincanas de caminhadas, passeios e cárdios leves. Esportes só devem ser promovidos, preferencialmente, depois de uma avaliação médica do funcionário de forma individual. Não adianta dar uma bola e promover um campeonato de futebol. Se o motorista já estiver doente, e não tem sintoma, num esporte mais exigente pode se lesionar ou mesmo ter um problema cardíaco no meio do jogo” – sinaliza.
BATE-PAPO COM O GESTOR:
Para Liana Variani, o bom relacionamento entre empresas e trabalhadores é fundamental para o bem de todos.
Equipes de advogados de gestão de risco, profissionais de segurança do trabalho e de diversas aéreas de saúde devem ser presença constante nas garagens, mas, nada disso anula a necessidade de uma boa conversa entre gestores e colaboradores.
“Bate-Papo com o Gestor é uma dica ótima. Sem pressão, sem clima de cobrança de ambas as partes. Os encontros podem ser feitos até mesmo em condições mais suaves, mais informais, como encontros, celebrações, confraterizações, entre outros” – disse Liana Varani.
RESUMO:
Transtornos Mentais e Comportamentais
Os problemas psicológicos superaram historicamente as queixas físicas no setor de transportes. Os principais diagnósticos médicos associados são:
- Transtornos de adaptação e ansiedade: Causados pela pressão constante por horários e metas.
- Síndrome de Burnout e estresse grave: Gerados pelo trânsito caótico e o medo de assaltos ou violência urbana.
- Episódios depressivos: Agravados pelo isolamento da rotina e longas jornadas.
- Abuso de substâncias: Casos de dependência química ou alcoolismo decorrentes do esgotamento profissional.
Doenças Osteomusculares e Ergonômicas
O desgaste físico direto da função compromete o sistema motor dos trabalhadores:
- Transtornos dos discos intervertebrais: Hérnias de disco induzidas pela vibração constante do veículo.
- Lombalgia crônica: Dores intensas na região lombar por permanecer sentado por muitas horas.
- LER/DORT: Lesões por esforço repetitivo nos braços e pernas ao acionar comandos e pedais.
Problemas Cardiovasculares e Metabólicos
A rotina operacional prejudica os hábitos biológicos básicos:
- Hipertensão arterial: Estimulada pelo estresse diário das vias urbanas.
- Obesidade e diabetes: Consequências do sedentarismo prolongado e da dificuldade de manter uma alimentação saudável nos terminais.
Os contatos do escritório de Liana Variani são:
E-mail: contato@varianimarins.com.br
Telefone/Whatsapp: (54) 9 9658-5476
Instagram: https://www.instagram.com/varianimarins/
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Além de toda a carga e o stress da profissão, longas jornadas muito além das atuais 44 horas semanais (e sem receber-$ devidamente pelas horas à mais trabalhadas).
Enquanto isso os patrões fominhas fazendo lobby contra o fim da jornada 6×1 (que eles próprios já desrespeitam há tempos).
Daqui a pouco eles vão querer também reverter a Lei Áurea.