SPAL e empresas de Cuiabá tratam climatização como investimento para manter ônibus em operação no calor extremo
Publicado em: 25 de maio de 2026
Grupo que reúne Integração Transporte, União Transporte e Consórcio Metropolitano centraliza manutenção no Coxipó e aposta em eletroventiladores originais para reduzir paradas, evitar omissões de viagens e ampliar conforto dos passageiros
ALEXANDRE PELEGI
Em uma cidade conhecida nacionalmente pelo calor, o ar-condicionado deixou de ser item de conforto para se tornar condição operacional. Em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, no Mato Grosso, onde os ônibus circulam em temperaturas elevadas e com alta cobrança dos usuários e dos órgãos fiscalizadores, manter a climatização em pleno funcionamento é parte essencial da prestação do serviço.
É nesse contexto que a SPAL, fabricante italiana de eletroventiladores, vem ampliando sua atuação junto ao grupo formado por Integração Transporte, União Transporte e Consórcio Metropolitano, que opera serviços urbanos, metropolitanos, rurais e rodoviários em Mato Grosso. A empresa realizou treinamento técnico em 17 de abril de 2026, com participação de profissionais da região, para tratar de qualidade, aplicação, manutenção preventiva e performance dos eletroventiladores usados nos sistemas de ar-condicionado dos ônibus.
A SPAL é reconhecida mundialmente pela fabricação de eletroventiladores para diferentes aplicações veiculares e industriais. A empresa mantém sua produção concentrada na Itália, em Modena, no chamado Vale dos Motores, e atua no Brasil com suporte técnico, pós-venda e relacionamento com frotistas. A lógica defendida pela marca é que o produto original não deve ser analisado apenas pelo preço inicial, mas pelo valor que entrega ao longo do tempo: durabilidade, confiabilidade, menor necessidade de substituição e redução de paradas.
Para Gilmar Rodrigues Ribeiro, gerente de suprimentos do grupo de Cuiabá, essa conta é decisiva. “O ar-condicionado hoje é um componente que determina a operação do veículo, assim como o motor do carro. Se o ar-condicionado para numa situação como Cuiabá e sua temperatura, não há possibilidade de operação”, afirma.
O grupo opera na capital mato-grossense e em municípios próximos. A Integração Transporte e a União Transporte concentram a maior parte das operações urbanas. A CMT, sigla do Consórcio Metropolitano, atua também no transporte intermunicipal entre Cuiabá e Santo Antônio de Leverger, além de linhas rodoviárias dentro de Mato Grosso, em raio aproximado de até 300 quilômetros.
A manutenção das três empresas é centralizada na garagem da Integração Transporte, na região do Coxipó, em Cuiabá. “O que serve para uma, serve para outra. A mesma expertise de manutenção, de cultura, foi centralizada. As outras garagens seguem como pontos de apoio para abastecimento e pequenos reparos, mas os principais serviços preventivos e corretivos são feitos no Coxipó”, explica Gilmar.
Segundo ele, a climatização é obrigatória e os veículos já não oferecem a alternativa de ventilação natural como antes. “As janelas são blindadas, não têm mais janelas de correr. Então não tem como não ter climatização. Ela é indispensável e insubstituível.”
A pressão operacional também vem da fiscalização. No transporte urbano, a Semob acompanha os veículos em tempo real por GPS e pode autuar omissões de viagem sem justificativa. No transporte metropolitano e rodoviário, a fiscalização é feita pela AGER. “Qualquer tipo de possibilidade de omissão de viagem, a gente acaba tendo que suprir o mais rápido possível. Veículo parado, para nós, é prejuízo enorme”, diz Gilmar.
Foi essa realidade que levou o grupo a abandonar soluções de menor durabilidade, como motores recondicionados e produtos de baixa performance. “Na reparação, você tem um menor custo em um primeiro momento. Mas, para quem é frotista, com quase 300 veículos, no final das contas você percebe que é preferível fazer um investimento maior no começo para que o custo seja reduzido lá na frente.”
Marcelo, representante da SPAL no relacionamento com a empresa, explica que a fabricante trabalha no Brasil com três famílias de eletroventiladores. A linha C foi desenvolvida como opção de custo-benefício para competir com produtos importados de menor preço. A LL, Long Life, ocupa posição intermediária. Já a VLL, Very Long Life, é a linha de maior durabilidade, usada como equipamento original em sistemas de ar-condicionado de fabricantes como Spheros e Arco.
“O VLL é o top de linha. Tem valor agregado maior e entrega maior durabilidade. Mas a linha de entrada da SPAL também vem despertando muito interesse porque entrega dois anos de durabilidade e alta performance, tanto no evaporador quanto no condensador”, afirma Marcelo.
Gilmar confirma que a decisão de compra passou a ser vista como investimento. “Qualquer reparação que minimize a minha parada ociosa sempre é investimento. Não tem nada mais caro do que veículo parado. Tudo aquilo que mantém o carro ativo é o melhor investimento possível.”
Para o passageiro, o eletroventilador é uma peça invisível, mas essencial. Ele não aparece como o ar-condicionado, mas ajuda a garantir que o ar frio seja distribuído de forma eficiente e com menor ruído. “Não adianta nada o compressor gelar, a correia estar funcionando, se não chegar ventilação ao passageiro. A função principal é ventilar e entregar maior conforto sonoro”, resume Gilmar.
Marcelo reforça que o equipamento faz diferença principalmente no urbano, onde as portas abrem e fecham a todo momento. “É importante ter um eletroventilador que entregue mesmo. Quando a porta fecha, ele já supre com alta ventilação, especialmente numa região muito quente.”
Na avaliação de Gilmar, o impacto da climatização é ainda mais perceptível no transporte urbano. “No urbano você tem paradas maiores, portas abrindo a todo tempo e quantidade de passageiros maior. A percepção da qualidade do produto é muito mais explorada. No rodoviário, o ambiente é mais controlado, com menos aberturas de porta.”
O treinamento realizado pela SPAL teve como objetivo orientar aplicadores e equipes de manutenção sobre uso correto, prevenção e durabilidade. “É uma forma de conscientização. A SPAL traz dicas para o aplicador fazer manutenção preventiva e aumentar a vida útil do equipamento”, diz Marcelo.
Para o grupo de Cuiabá, a lógica é direta: em uma das capitais mais quentes do país, climatização eficiente não é acessório. É parte do serviço contratado, da imagem da empresa e da confiabilidade da operação.
“Precisamos fornecer algo de qualidade. Não é facultativo para nós. A qualidade desse equipamento passa por uma necessidade prioritária”, conclui Gilmar.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

