Informe publicitário

Maio Amarelo 2026 começa sob alerta: alta projetada de mortes expõe fragilidade estrutural da segurança viária

O Maio Amarelo de 2026 começa com projeção de alta nos acidentes. Entender por
que exige olhar além dos cartazes — e dentro da operação.

O Brasil registrou 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais em 2025, com 6.044 mortes e 83.483 feridos, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. Os números caíram em relação ao ano anterior. O Maio Amarelo de 2025 foi recebido com cautela, como sinal de que as políticas de prevenção podiam funcionar.

Maio de 2026 começa diferente. Mantido o ritmo observado nos dois primeiros meses do
ano, as mortes nas rodovias federais podem encerrar 2026 com alta de 13,13% em relação a 2025, segundo projeção do SOS Estradas. O alerta ganha ainda mais peso quando observado ao lado das infrações: em 2025, mesmo com queda nos sinistros, mortes e feridos, o número de autuações cresceu 7,79%. A redução, portanto, não parece indicar, sozinha, uma mudança estrutural de comportamento, mas a força de ações específicas de prevenção, fiscalização e controle.

A mais relevante delas foi a Operação Descanso Legal. Nas duas primeiras etapas,
realizadas em janeiro e fevereiro de 2025, a PRF fiscalizou mais de 25 mil veículos de carga e aplicou mais de 6.500 autuações por descumprimento do tempo de descanso. O resultado não ficou apenas no discurso: a operação levou a jornada do motorista para o centro da fiscalização e mostrou, na prática, que o descanso também é uma variável de segurança viária. Em 2026, até o início do Maio Amarelo, essa agenda não teve a mesma visibilidade pública de uma operação nacional nos moldes divulgados no ano anterior. O alerta, portanto, já estava posto antes mesmo do Maio Amarelo começar.

Ao observar os sinistros com vítimas fatais envolvendo veículos pesados no transporte rodoviário, um padrão se repete com frequência incômoda: o motorista profissional dirigindo além do limite seguro. Não por descuido isolado, mas por uma combinação de pressão operacional, jornada mal controlada e ausência de monitoramento efetivo do comportamento ao volante.

Um levantamento do próprio SOS Estradas mostra que, em sinistros envolvendo caminhões e automóveis, a fatalidade recai predominantemente sobre os ocupantes dos veículos menores. Pela massa e pelo porte, veículos pesados impõem consequências desproporcionais quando o risco se concretiza. Entre os 363 acidentes envolvendo caminhão e automóvel analisados, essa diferença ficou evidente: foram 17 mortes nos
caminhões e 605 nos automóveis. O dado desloca a discussão do campo individual para o campo operacional. Controlar a conduta do motorista profissional não é apenas proteger a frota — é reduzir um risco que se espalha por toda a rodovia.

Esse risco também revela um custo que a sinistralidade muitas vezes esconde. Empresas de transporte tendem a medir o problema pelo dano imediato: reparo do veículo, afastamento do motorista e acionamento do seguro.

No Brasil, o Ipea estima que os acidentes de trânsito gerem custos superiores a R$ 50 bilhões por ano. Para uma empresa de transporte, esse impacto se desdobra em passivos trabalhistas, processos judiciais, seguro, interrupção de operação e pressão sobre indicadores de governança. Uma frota com histórico de acidentes recorrentes não representa apenas um risco operacional — representa um sinal de gestão.

O que está menos discutido é que boa parte desse custo é previsível. Não no sentido de inevitável, mas no sentido oposto: é possível antecipá-lo, porque ele nasce de padrões de comportamento que se repetem antes de virarem acidente. O motorista que dirige com fadiga não muda de perfil de um dia para o outro. A jornada que está no limite hoje estava no limite na semana passada. O sinal estava lá — faltou quem o lesse.

O Maio Amarelo é um movimento legítimo e necessário. Conscientização tem valor, especialmente em um setor onde o risco costuma ser naturalizado pela rotina. Mas uma campanha só consegue colocar o tema em pauta. A gestão precisa mantê-lo visível quando a campanha termina.

No transporte rodoviário, o risco raramente nasce de um único evento. Ele se forma na repetição: jornada estendida, excesso de velocidade, sonolência identificada por videotelemetria, tempo de direção ultrapassando o limiar seguro e comportamento de condução fora do padrão. É por isso que o dado importa: não como relatório posterior ao acidente, mas como leitura contínua do que ainda pode ser corrigido. Consolidados em uma visão de operação, esses sinais revelam padrões — e padrões podem ser corrigidos antes de virarem custo, risco ou notícia.

É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser uma camada de apoio à operação e passa a ser parte da estrutura de gestão de segurança. Não porque elimina o erro humano, mas porque torna o erro visível antes que ele se torne irreversível.

Diante disso, o que o setor ainda precisa fazer não cabe apenas no calendário do Maio Amarelo. Campanhas educam, regulação orienta e fiscalização coíbe, mas a segurança só se sustenta quando vira gestão estruturada — com dados, monitoramento e decisão. Quando a fiscalização perde visibilidade, o risco não freia junto: ele apenas volta para dentro da operação e passa a depender do que cada empresa decide monitorar, corrigir e sustentar como prática.

Para empresas que operam transporte de passageiros, essa decisão tem peso duplo: a falha do motorista não é apenas um risco de acidente externo, mas um risco operacional que envolve diretamente a vida de quem confiou o deslocamento à empresa. A operação não existe sem o motorista, e o passageiro não existe sem segurança. Monitorar o motorista de forma contínua — jornada, comportamento ao volante, perfil de condução, eventos em rota — não é garantia de que acidentes não acontecem. É garantia de que a empresa fez o que estava ao seu alcance para evitá-los. E, no plano regulatório e reputacional, essa diferença já começa a importar.

Para a Tryvia, que acompanha a operação de transporte rodoviário de dentro — com telemetria, videotelemetria, gestão de motoristas e monitoramento em tempo real —, o Maio Amarelo é o momento em que o setor fala sobre o que a tecnologia deveria entregar todos os meses. Segurança operacional não nasce de compromisso declarado. Nasce de gestão estruturada sobre dados reais, tomados no momento certo.

Assine

Assine para receber as notícias do Diário do Transporte direto em seu e-mail.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Informe Publicitário
Comentários

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo