ZURB: Goiânia só começou a melhorar o transporte após aliança entre poder público e operadores e engenharia financeira

De acordo com o subsecretário de Políticas para Cidades e Transporte, Miguel Ângelo Pricinote, contratos que venceriam em 2028 foram prorrogados até 2048; Marco Legal pode ampliar segurança jurídica

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

O poder de fiscalização e regulação do setor público não significa necessariamente confronto com os operadores do transporte coletivo ou disputas entre as partes.

Segundo o subsecretário de Políticas para Cidades e Transporte do Estado de Goiás, Miguel Ângelo Pricinote, foi somente após um alinhamento institucional e jurídico entre governos e empresas que a Região Metropolitana de Goiânia (GO) começou a registrar avanços no sistema de transporte coletivo.

A declaração foi dada durante palestra realizada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, no ZURB – Seminário de Mobilidade Urbana, promovido pelo Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus de Recife (PE) e região metropolitana. O Diário do Transporte acompanha o evento no local.

De acordo com Pricinote, os contratos de concessão venceriam em 2028, mas foram prorrogados até 2048 dentro da previsão legal de renovação antecipada vinculada à realização de investimentos.

Segundo o subsecretário, em apenas um ano foram aplicados cerca de R$ 2 bilhões na revitalização dos corredores de BRT da região metropolitana.

Ele afirmou ainda que, além do alinhamento entre operadores e poder concedente, é necessária integração entre diferentes esferas do poder público, como estados e municípios.

Para isso, segundo Pricinote, foram adotados alguns pilares:

  • Governança interfederativa: os entes federativos precisam compartilhar responsabilidades, ganhos e concessões, com alinhamento entre estados e municípios e também entre as próprias cidades da região metropolitana.
  • Tríplice aliança: integração entre governo estadual, prefeituras e operadores de transporte, com participação dos concessionários também na gestão da infraestrutura.
  • Materialização: desenvolvimento de mecanismos para viabilizar, na prática, a adoção de tecnologias menos poluentes, como ônibus elétricos e movidos a biometano, que possuem custos mais elevados.
  • Engenharia financeira: implementação de soluções compatíveis com a capacidade financeira do sistema, incluindo bilhetagem integrada e tarifa única entre os municípios atendidos.

Além das obras de infraestrutura, a região também passa por renovação da frota, com a incorporação de 501 ônibus elétricos e movidos a biometano.

A proposta inicial previa a aquisição de 150 ônibus elétricos, mas limitações na infraestrutura da rede de distribuição de energia reduziram o número para 65 veículos.

O Diário do Transporte esteve na região durante as entregas desses ônibus.

Atualmente, a tarifa paga pelo passageiro é de R$ 4,30, enquanto o custo total por usuário chega a R$ 12,05, considerando os investimentos realizados no sistema. A diferença é subsidiada pelo poder público.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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