ZURB: Motos já respondem por 77% das ocorrências de trânsito na Grande Recife e mototáxis agravam a situação
Publicado em: 20 de maio de 2026
Dado foi apresentado pelo diretor do SAMU da região que classifica as motos como as “monopolizadoras” do trauma e as mototáxis como “aceleradoras”
ADAMO BAZANI
Um dia depois de o presidente Luís Inácio Lula da Silva ter afrouxado as regras para os mototaxistas e motofretistas tirando uma série de exigências como a idade mínima de 21 anos, cursos obrigatórios e dois anos de CNH categoria A, um dado revelado pelo SAMU da Grande Recife se torna mais alarmante: 77% das ocorrências com vítimas no trânsito da região envolvem motos.
O dado foi apresentado nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, pelo diretor do SAMU na Região Metropolitana de Recife, Leonardo Gomes, no evento Zurb, Seminário de Mobilidade Urbana.
De acordo com Gomes, o advento das mototáxis tem piorado a situação.
A flexibilização das regras, deixando em tese condutores menos qualificados e menos preparados, será literalmente fatal, segundo Gomes.
O diretor do SAMU, que é médico que atua na área de traumatologia e urologia, disse que há grandes diferenças dos perfis de acidentes envolvendo as motofretes (de entregas de encomendas) e as mototáxis.
No caso das mototáxis, há alguns pontos importantes:
– Nos acidentes, o número de vítimas dobra em quase todos os casos: o condutor e o passageiro
– Pessoas com menos habilidades estão conduzindo as motos
– Os passageiros, em grande parte dos casos, não possuem habilidades e familiaridades com motos, tornando as ocorrências mais graves
– Os impactos econômicos acabam sendo maiores porque afetam mais pessoas na cadeia produtiva da economia. Além de o condutor ficar longe do trabalho, o passageiro, que atua em outro ramo, também vai ficar.
– Com o aumento do número de vítimas também aumentam os custos com saúde pública e não somente o custo financeiro em si, mas o de ocupação física mesmo das unidades hospitalares.
“Antes em cada acidente com moto, tínhamos de soltar uma ambulância. Hoje, com as mototáxis, são ao menos duas para a mesma ocorrência. Para o condutor, para o passageiro, isso se não tiver terceiros envolvidos e vitimados” – exemplificou.
Segundo Gomes, já houve casos que entre 26 ambulâncias liberadas em uma hora, 22 eram para ocorrências com motos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


