Trem Intercidades São Paulo–Sorocaba é retirado de pauta pelo PPI-SP para análise mais detalhada da modelagem
Publicado em: 13 de maio de 2026
Projeto do TIC Eixo Oeste prevê ligação regional entre a capital paulista e cidades do vetor oeste, utilizando modelo de diálogo competitivo; governo classificou proposta como “matéria inovadora”
ALEXANDRE PELEGI
O Governo do Estado de São Paulo retirou de pauta a deliberação sobre a modelagem final do projeto da PPP do Trem Intercidades Eixo Oeste durante a 21ª Reunião Ordinária do Programa de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP), realizada em 5 de maio de 2026, no Palácio dos Bandeirantes.
A decisão consta da ata da 57ª Reunião Conjunta Ordinária do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (CDPED) e do Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas (CGPPP), publicada nesta terça-feira, 13 de maio de 2026, no Diário Oficial do Estado.
Segundo o documento, o colegiado deliberou pela “retirada de pauta do presente assunto, com sua reinclusão na pauta da próxima reunião, considerando tratar-se de matéria inovadora que demanda análise mais detalhada”.
O tema era o segundo item da pauta e tratava da “Modelagem Final: Diálogo Competitivo – Trem Intercidades Eixo Oeste”. A apresentação foi conduzida por Augusto Almudin, diretor de Assuntos Corporativos da Companhia Paulista de Parcerias.
O Trem Intercidades Eixo Oeste é um dos projetos ferroviários mais ambiciosos em estudo pelo governo paulista e tem como objetivo estruturar uma ligação regional de média velocidade entre São Paulo e Sorocaba, passando por cidades estratégicas da Região Metropolitana e do eixo oeste paulista.
Entre os municípios associados ao projeto estão São Paulo, Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi, São Roque e Sorocaba. A proposta busca atender uma região marcada por forte crescimento populacional, elevado fluxo pendular diário e saturação dos sistemas rodoviários, especialmente da Castello Branco e da Raposo Tavares.
O modelo escolhido pelo Estado é o do diálogo competitivo, instrumento previsto na nova Lei de Licitações e considerado inovador no setor público brasileiro. Na prática, o governo abre uma fase estruturada de conversas técnicas com grupos privados para amadurecer soluções antes da definição final do edital e do contrato.
A opção por esse mecanismo evidencia a complexidade do projeto. O TIC Oeste envolve desafios relacionados à convivência entre serviços metropolitanos e regionais, compartilhamento de infraestrutura ferroviária, necessidade de investimentos em via permanente, sistemas de sinalização, material rodante e integração tarifária e operacional.
Além da questão técnica, o projeto também possui forte peso político e estratégico. O governo paulista vem tratando os trens intercidades como uma vitrine de modernização da mobilidade regional, seguindo a mesma lógica já aplicada ao TIC Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas.
A retirada de pauta indica que o Estado ainda pretende aprofundar análises jurídicas, econômico-financeiras e operacionais antes de consolidar a modelagem definitiva da parceria.
Embora o governo não tenha divulgado novos prazos na ata, a expectativa do mercado é de que a proposta volte à pauta nas próximas reuniões do PPI-SP, após ajustes considerados necessários pelos conselheiros.
Além do TIC Oeste, o colegiado também aprovou a qualificação de parceria para implantação de infraestrutura de supercomputação de alto desempenho no Estado de São Paulo, bem como estudos para projetos de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas em municípios da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).
Outro tema deliberado foi a qualificação de estudos para eventual relicitação da concessão dos Parques Estaduais Cantareira e Alberto Löfgren, sem prejuízo de análises para possível repactuação contratual.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


