Curitiba (PR) registra explosão de furtos de materiais em estações-tubo e prejuízo chega a R$ 938 mil

Crescimento das depredações em terminais e equipamentos do transporte coletivo leva prefeitura a ampliar fiscalização e patrulhamento

ARTHUR FERRARI

A Prefeitura de Curitiba (PR) anunciou o reforço das ações de combate ao vandalismo e aos furtos em estações-tubo e terminais de ônibus da capital paranaense. A medida envolve aumento do patrulhamento da Guarda Municipal, fiscalização de pontos de reciclagem e uma campanha digital de conscientização sobre os impactos causados ao transporte coletivo.

De acordo com levantamento da Urbs, foram registradas 1.174 ocorrências de vandalismo e furtos entre janeiro e abril deste ano. O número já supera os 1.154 casos contabilizados durante todo o ano passado. Os prejuízos acumulados no primeiro quadrimestre chegaram a R$ 938 mil, valor relacionado a gastos com manutenção, substituição e reparos nos equipamentos afetados.

Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, os danos provocam impactos diretos no sistema e nos custos do transporte coletivo.

“Quem paga essa conta é a população, já que o vandalismo compromete a qualidade do transporte coletivo e impacta também nos custos. E o dinheiro gasto para consertar os estragos poderia ser direcionado para outras benfeitorias para os próprios curitibanos”, disse Ogeny.

As estações-tubo concentram grande parte das ocorrências. Nos quatro primeiros meses do ano foram registrados 565 casos de furtos e depredações nesses equipamentos, acima das 532 ocorrências registradas durante todo o ano anterior. O prejuízo neste segmento chegou a R$ 660 mil.

Os principais alvos das ações criminosas são cabos, fios, vidros, coberturas e catracas. Conforme a Urbs, algumas estruturas chegaram a ser vandalizadas mais de uma vez em menos de duas semanas.

“A média passou de 1,46 furto por dia no ano passado para 4,75 furtos por dia em 2026”, afirmou Rodrigo Baryczka de Mello.

A estação-tubo Teatro Paiol lidera o ranking de ocorrências, com 34 registros no período. Também aparecem entre os locais mais atingidos as estações Ferrovila, Maria Aguiar Teixeira, Jardim Botânico, Marumby, TRE e Vila Fanny.

Nos terminais de ônibus, a alta também foi registrada. Entre janeiro e abril ocorreram 639 casos de vandalismo, contra 622 em todo o ano passado. Os terminais Pinheirinho, Cabral e Santa Cândida concentram o maior número de registros.

Segundo Paulo Henrique Martins Lacerda, os furtos de cabos comprometem serviços essenciais das estações.

“O furto de fiação e cabos de uma estação-tubo, por exemplo, interrompe a iluminação, o funcionamento de portas de embarque e desembarque e do elevador de acessibilidade”, explicou Paulo Henrique Martins Lacerda.

“Quando isso acontece, a equipe de manutenção trabalha rapidamente para retomar o pleno funcionamento, para que a população seja o menos impactada possível. Mas, muitas vezes, o que é consertado em um dia é vandalizado e furtado novamente logo depois”, completou.

A prefeitura informou que a Guarda Municipal irá ampliar o patrulhamento por meio da Patrulha do Transporte. Paralelamente, a Ação Integrada Cabo Seguro intensificará a fiscalização em ferros-velhos e pontos de reciclagem para combater furto e receptação de cabos metálicos.

Criada em janeiro deste ano, a operação já realizou sete fases de ações integradas. Segundo o município, 27 pessoas foram detidas por crimes como furto de energia, receptação e tráfico de drogas. Também houve fiscalização de 55 pontos de reciclagem, emissão de notificações administrativas e sete interdições realizadas pela Secretaria de Urbanismo.

Enquanto os índices cresceram em estações e terminais, os casos de vandalismo dentro dos ônibus apresentaram queda. Foram 79 registros entre janeiro e abril, contra 92 ocorrências no mesmo período do ano passado, redução de 14%.

De acordo com Maison Mazetto, a redução é atribuída ao trabalho da Patrulha do Transporte Coletivo e ao monitoramento da Muralha Digital.

Todos os ônibus do sistema contam com botão de emergência acionado pelos motoristas em situações de vandalismo. O dispositivo envia alerta ao Centro de Controle Operacional, que comunica a Guarda Municipal.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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