ENTREVISTA: Carro elétrico não é sustentabilidade, diz professor doutor da USP
Publicado em: 12 de maio de 2026
Para Paulo Saldiva, carro elétrico é o cigarro eletrônico da indústria automotiva
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
Carro elétrico está longe de ser sinônimo de sustentabilidade.
Para o professor-doutor da USP (Universidade de São Paulo), especializado em doenças pulmonares, o problema nas cidades é a falta de mobilidade urbana e a exposição das pessoas por tempo prolongado ao meio ambiente poluído.
Apesar de reduzir as emissões locais, o carro elétrico não reduz o maior problema que está por trás da poluição: os congestionamentos.
Segundo Saldiva, o carro elétrico pode ser comparado ao cigarro eletrônico da indústria automotiva
“Por causa dos congestionamentos, cada pessoa na cidade é exposta a uma poluição equivalente a fumar um cigarro a cada hora e meia. Onde está a sustentabilidade em usar dois mil quilos de lata para transportar 70 kg de pessoa? Hoje a grande parte dos carros leva uma pessoa só, sendo elétrico ou não. E o processo produtivo desses carros? E o descarte? ” – questiona Saldiva.
Para o professor, a situação se agrava quando a geração de energia é suja.
“Não é um carro a eletricidade, é um carro a carvão, a diesel, a lenha…Tem de ver a origem desta energia” – prosseguiu.
Para Saldiva, um dos pilares para reduzir a poluição é investimento na eficiência do transporte coletivo.
“A eletricidade só é eletromobilidade quando os deslocamentos são coletivos. Corredores de ônibus elétricos de alta capacidade e metrô são investimentos no meio ambiente. Transporte individual nunca será” – explicou.
Segundo Saldiva o problema não é a emissão isolada, mas a concentração.
“É o mesmo conceito da bebida: uma vodka tem mais álcool que uma cerveja. Mas dez latinhas de cerveja embriagam mais”
Paulo Saldiva participou nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, no evento de 18 anos do Programa Corredor Verde, que desde 2008 foi responsável pelo plantio de 13 mil árvores em 90 km (ida e volta) do Corredor Metropolitano ABD, que liga parte do ABC Paulista a capital.
O objetivo não é só paisagístico e sim sequestrar gás carbônico e liberar oxigênio ao ambiente.
O corredor é operado por trólebus, ônibus elétricos a bateria e a diesel
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



O custo energético para mover uma roda pneumática sobre piso carroçavel (asfalto, concreto ou terra) é muito maior que o gasto energético para o mesmo peso em uma roda metálica sobre trilho metálico.
Puramente física.
É justamente por isso que mesmo elétrico, um veículo rodoviário, é muito mais ineficiente que um veículo ferroviário.
Razão também pela qual um BUD, VLE, ou o raio do nome que inventarem é muito mais ineficiente energeticamente do que um VLT convencional.
As duas grandes interrogações que seguem pairando sobre a tecnologia movida à baterias recarregáveis são:
– O quão poluente e tóxico, são o processos de fabricação das baterias e o seu posterior descarte ao fim da vida útil???
– Em caso de tal tecnologia se massificar e tornar-se o padrão dominante, haveria eletricidade limpa pra atender a essa nova e gigantesca demanda adicional???
São questões ainda em aberto, e as principais razões pela quais eu não sou um entusiasta dessa alternativa.
O descarte é 95% para reaproveitar, você está desatualizado com a informação.
Que seja.
Mas já se está planejando e implantando a devida estrutura e a logística pra tal reaproveitamento??? E que seja capaz de acompanhar a escala de mercado dessas baterias???
Se a proposta é a sustentabilidade, esse detalhe não pode ser deixado pra se pensar depois.
Para reciclar a bateria é 95% à 98%.
Falou em energia diesel carvão. Deve está falando só da cidade dele.
E energia do sol e a água?
Ah para, vocês são pagos para falar mentiras.
Chega de manipulação e obrigar a gente pagar petróleo que é mais poluído do planeta, além de vocês importar em apenas ganhar dinheiro.
Paulo Saldiva é um médico e pesquisador muito sério dos efeitos nocivos que o uso de combustíveis fósseis causa sobre a humanidade. Como ele não é do setor de transporte urbano (e, sim, da Medicina da USP), ele comete apenas um erro em sua fala atual: não se trata, principalmente, de prover maior MOBILIDADE aos cidadãos urbanos. é preciso prover maior ACESSIBILIDADE AO TERRITÓRIO das cidades. Isto que dizer que não se trata mais de aumentar os movimentos e, sim, de facilitar ao máximo os acessos às escolas, aos empregos, aos postos de saúde, ao comércio, ao lazer e à recreação da população. Isso faz uma grande diferença. Abçs.
Assino embaixo do seu comentário, GB. 👏👏👏👏👏👏👏👏
A matriz energética brasileira é composta quase integralmente (cerca de 85%) por fontes renováveis (basicamente hidrelétricas, usinas eólicas e painéis solares fotovoltaicos)… esse papo de “queimar carvão ou diesel ou para alimentar carros elétricos” só vale nos EUA e na Europa… lá isso realmente é um problema… o Brasil é o país mais privilegiado por fontes renováveis para geração de energia no mundo.
Ficou idoso e com problemas com números. De fato ficar tempo no trânsito com ar poluído é ruim. só esqueceu que grande parte da poluição do ar vem de veículos movido a combustão. Sim, o melhor seria ter mais transporte público elétrico por meio de trilhos. Mas isso não significa que carros elétricos são iguais ou piores que veículos a combustão. Pelo contrário.
Assino embaixo do seu comentário, Paul 👏👏👏👍
O Dr. Paulo Saldiva pode ser muito bom e respeitado na área da saúde, mas deveria se informar melhor e ler mais, antes de fazer comentários altamente incorretos sobre mobilidade elétrica… buscar a utopia de um transporte coletivo de qualidade para todos eu até concordo… mas dizer que “trocar veículos a combustão por veículos elétricos não adianta nada”… uma pessoa que fala isso, aqui no Brasil (onde cerca de 85% da nossa matriz energética é baseada em fontes renováveis), ou está trabalhando pro lobby do petróleo ou está muito mal informada sobre este assunto…
Excelente texto
Os engarrafamentos e a perda de tempo principalmente para os trabalhadores e muito mais importante que essa história de 6×1 que deveria ser discutida pelos patrões e empregados
Não por disputa eleitoral
Parabéns. Nada como conhecimento técnico profissional e acadêmico de pesquisa. Muito bom.
Modismo irracional, nos temos a solução, que se chama etanol, sem falar em outras pesquisas que são muito mais saudáveis , mas não são aprovadas devido a máfia que conduz o mundo porque não gera bilionários e assim vamos vivendo com este eufemismo que vão salvar o planeta desde que 70% da população morra para eles poderem rodar com suas belas máquinas elétricas e tem louco que ainda acredita, não temos um planejamento adequado de como descartamos, os dejectos, não tem uma operação confiável.
O carro elétrico tem um sistema de tração MUITO mais simples e barato (inclusive na manutenção) do que qualquer veículo a combustão… concordo que o etanol é um combustível importante, mas basicamente para o período de TRANSIÇÃO em direção à mobilidade elétrica plena.
Lembrando que o etanol pode ser muito útil nos veículos de passeio, mas ainda está longe de ser o principal combustível em veículos pesados (equipados com motores a diesel)… e sem falar que motores a combustão precisam de MUITO mais lubrificantes para funcionar do que um motor elétrico… resumindo: mobilidade elétrica é o futuro cada vez mais presente 👍
Concordo plenamente com o professor da USP. Os governos deveriam focar em melhorar o transporte público, diminuir custos e valores das passagens. Quanto a carros elétricos, isso é modismo passageiro inventado por lobbys poderosos. Mas vai passar. Híbridos sim, vieram pra ficar.
Discordo frontalmente do dito pelo professor. Imagina, então os tais engarrafamento com veículos só a combustão,, quanto cigarros eletrônico uma pessoa estaria fumando. É claro.que um transporte coletivo de boa qualidade é um solução sempre boa. É óbvio ululante. Os maiores poludiees são os transportes de carga, os automóveis e depois o transporte coletivo. Sei que é uma grande falácia pois não existe energia puramente limpa. Veja o percurso tecnológico para set obter as matérias primas paea um veículo elétrico! Assim também se dá com referência a geração solar ou qualquer fonte de geração de energia renovável. Mais no balanço energético é o mais amigável com o.meio ambiente. Professor e engenheiro.
Prezado Hilton, assino embaixo do seu comentário 👏👏👏👍👍
Permita-me uma observação que fiz ao excelente Professor Saldiva: o veículo que mais polui é a moto. O grau de contaminação de uma moto é 40 vezes maior que o de um ônibus, se considerado por passageiro transportado. Abçs.
Pois é, Laurindo.
E sem contar o alto risco de acidentes e de fatalidades no trânsito que envolve as motos.
Pra piorar o governador Tarcisio está incentivando tresloucadamente a aquisição de motos, através de generosos incentivos fiscais.
Se fosse apenas pra quem usa a moto como meio de trabalho, seria justo.
Mas não, é liberou-geral…típica “gentileza” eleitoreira.
Boa noite aos entusiastas! Lendo atentamente vejo que essa discussão precisa tem ênfase no conforto que um cidadão deveria ter para ter acesso a serviços básicos e francamente aqui há muito o que melhorar!
Considero lastimável ter que me espremer em um ônibus com desconhecidos, aproveitadores, pessoas com mau cheiro,etc !
Os meios pessoais de transportes vem pelo desejo de não ter que compartilhar transporte, de não ter que esperar tanto e assim creio que se e tem um”SE”gigantesco o transporte público fosse capaz de suprir essas necessidades, muitos não iriam querer gastar com tantos carros que tavam o trânsito! Motos são perigosas, bicicletas são lentas e o mundo ainda não confia em novidades!
Leo Santos, concordo com boa parte do seu comentário, que é muito válido e bastante oportuno, neste assunto. 👏👏👍👍
Muito boa a discussão! Quando me refiro a ACESSIBILIDADE, esclareço que não estou só me referindo às dificuldades impostas pela lotação, pelas escadas, pelos corredores estritos. Refiro-me TAMBÉM à dificuldade de acesso a empregos, a saúde básica, a educação.
Acho que o professor não levou em conta um detalhe mais do que relevante: se todo mundo andasse de carro elétrico, mesmo que o trânsito continuasse uma porcaria, as pessoas NÃO ficariam expostas a um ambiente tão poluído. Afinal, a maior parte da poluição urbana vem da queima de combustíveis fósseis nos automóveis. Como não levar em conta esse “pequeno detalhe”? Obviamente que, no processo de produção (e descarte), os carros elétricos também geram poluição. Porém, geram muito pouco durante sua vida útil. Claro que a melhor solução é o transporte coletivo (que, diga-se de passagem, também deve ser elétrico). No Brasil, a maior parte da produção de energia elétrica é não poluente (ou pouco poluente). Em suma: o professor da USP pisou na bola!
Não é um carro a eletricidade, é um carro a carvão, a diesel, a lenha…Tem de ver a origem desta energia” – prosseguiu.
Por favor leiam novamente eté entenderem, progredimos tanto em tecnologia e continuamos na idade da pedra em entendimento entre nós…
Jose.
Outra coisa é que aqui no Brasil a eletricidade seja essencialmente de matriz limpa!
E é mesmo!
Mas além de atender a atual demanda e o seu crescimento natural, será que esta matriz limpa suportaria o eventual acréscimo de uma frota futura de 80 ou 100 milhões de veículos movidos a baterias recarregáveis???
Lembremos ainda que os veiculos a bateria que rodam no Brasil (mesmo usando a eletricidade limpa daqui) são desenvolvidos em países aonde a eletricidade é maijoritariamente vinda do carvão e óleo.
E tanto a tecnologia quanto o futuro destes veículos dependem do que seja decidido nesses países, e dos interesses que os movam.
Ou seja, estes carros são vendidos no mundo todo, mas só no Brasil é que existe (ainda) eletricidade limpa disponível pra eles.
Então a conta fecha aqui (ainda), mas não fecha no restante do mundo.
E nesse sentido o questionamento do Dr Saldiva faz todo o sentido. Ele não se equivocou!
Concordo totalmente, Santiago! Embora o Saldiva não seja transporteiro e cometa seus (pequenos) deslizes, ele merece crédito e apoio. Lembro-me de que, depois de assistir a 4 palestras dele sobre a contaminação ambiental de São Paulo, fiz-lhe observações críticas por estar se resumindo a criticar a excessiva fumaça gerada pelos ônibus que circulavam defronte à sua faculdade. Lembrei-o de que estava esquecendo das motos, dos caminhões e dos automóveis. E que isso era prejudicial ao transporte público coletivo feito pelos busões. Ele tinha razão ao exigir motores mais limpos no transporte coletivo, mas era inoportuno ao combater um importante meio de circulação urbana (provedor de acessibilidade e não só de mobilidade!).
Não concordo em nada com ele, instalei energia solar, uso carro elétrico e não pretendo voltar a parar em posto de combustível fóssil nunca mais na minha vida e todos que conheço que compraram carro elétrico também não pensam nunca mais em comprar carro a combustão, o governo tem que deixar de roubar, desculpe, explorar o povo só pensando em arrecadação com impostos altamente absurdos e incentivar a energia limpa tornando a um preço acessível a maior parte da população sistemas de placas solares e os carros elétricos e antes que alguém fale das baterias elas podem e devem ser recicladas e sobre a durabilidade das baterias pesquise antes de falar pois se eu for falar sobre isso vou me estender mais ainda e entrar em outro assunto.
Carro elétrico é o futuro, o planeta que vamos deixar para os nossos netos agradece.
Falar de carro elétrico em um país que 80% não tem acesso, que piada kk.
O professor tem que entender que o carro elétrico sozinho, não vai diminuir o problema da poluição, ele tem que aprender que, a soma de várias ações é que pode ajudar.
Quanto mais a energia é transformada, mais perda é originada.Queimar combustível fossilpara gerar eletricidade para o carro elétrico é inventar mais uma transformação da energia gerando mais perdas.
Eu ouço falar que o transporte público tem que melhorar desde que me entendo por gente. Estou com 57 anos. Minha filha mais nova entrou na PUC-RJ e me perguntou quando a estação Gávea do metrô vai ficar pronta. Respondi: quando você estiver quase terminando a faculdade. Em tempo, essa estação era para já estar pronta há dez anos.
Cadê as ciclovias? Distâncias de até 30 KM são fáceis de fazer e até mais rápidas que transporte público em horário de pico, fora os ganhos em saúde, mas querer que o cidadão dívida a via com carros e caminhões é o real problema.
Fácil pedalar distâncias diárias de até 30 km, nesta gigantesca cidade assentada encima de morros???
Pra quem, e pra quantos???
Concordo que ciclovias (bem feitas) são uma boa opção entre bairros próximos, ou da residência até a estação de trem/metrô ou terminal de ônibus.
Porém como modal de transporte pra longas distâncias urbanas, só pra quem tem preparo físico, muita disposição, além de horários e estruturas flexíveis em seus compromissos.
Só enrolou, como se respirar ar mais puro já não fosse um grande alivio…parece até que é patrocinado pela Petrobrás