OECI, concessionária do Rodoanel Norte, reverte prejuízo bilionário e fecha 2025 com lucro de R$ 217 milhões após saída da recuperação judicial

Resultado é impactado por reestruturação societária, ajuste financeiro e aumento de capital; receita cresce 71% no ano

ALEXANDRE PELEGI

Ligada historicamente ao grupo Odebrecht Engenharia e Construção — hoje sob a marca Novonor — e com atuação em projetos como o Rodoanel Norte, a OECI S.A. encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 217,3 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 3,88 bilhões registrado em 2024. O desempenho ocorre no contexto da reestruturação do grupo e da conclusão do processo de recuperação judicial, oficialmente encerrado em março de 2026.

Os dados constam das demonstrações financeiras publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026.

 

*Receita cresce, mas operação ainda é pressionada*

 

A companhia registrou receita líquida de R$ 1,45 bilhão em 2025, alta de 71% em relação aos R$ 847 milhões do ano anterior. Apesar disso, o resultado operacional ainda foi negativo:

 

* Prejuízo operacional: R$ 58,1 milhões

* Lucro bruto: R$ 54,2 milhões (reversão ante prejuízo em 2024)

 

O resultado final positivo veio, principalmente, do desempenho financeiro:

 

* Resultado financeiro: +R$ 268 milhões (contra -R$ 3,97 bilhões em 2024)

 

Esse efeito está diretamente ligado à reestruturação das dívidas no âmbito do plano de recuperação judicial (PRJ), incluindo ajustes a valor justo e reversões contábeis relevantes.

 

*Obras e presença internacional*

 

A OECI mantém atuação em grandes projetos de infraestrutura no Brasil e no exterior. Entre as principais obras citadas:

 

* Rodoanel Norte (SP)

* BR-386 (RS)

* Ponte de Guaratuba (PR)

* Canal do Sertão (AL)

* Emissário submarino de Praia Grande (SP)

 

No exterior, destaque para projetos em Angola, como refinarias, ferrovia e aeroporto de Cabinda.

 

*Recuperação judicial e reestruturação*

 

O grupo entrou em recuperação judicial em junho de 2024, com homologação do plano em março de 2025. O processo foi encerrado em março de 2026, após cumprimento das condições estabelecidas.

 

Entre os principais efeitos:

 

* Transferência das dívidas reestruturadas para outras empresas do grupo

* Redução relevante do passivo financeiro

* Reorganização societária com a OECPAR como holding

 

A companhia destaca que não figura diretamente como devedora das obrigações reestruturadas no plano.

 

O patrimônio líquido saltou de R$ 863 milhões para R$ 2,41 bilhões em 2025, impulsionado por aportes dos acionistas.

 

O capital social chegou a R$ 9 bilhões, após sucessivos aumentos ao longo do ano — incluindo aportes em dinheiro, ativos e participações societárias.

 

*Passivos e riscos ainda relevantes*

 

Apesar da melhora, a empresa ainda carrega desafios importantes:

 

* Prejuízos acumulados: R$ 5,7 bilhões

* Contingências possíveis: R$ 264 milhões

* Dívidas tributárias renegociadas: cerca de R$ 49,5 milhões (após acordo com desconto de 65%)

 

Há ainda exposição a riscos típicos do setor:

 

* Variação cambial (operações internacionais)

* Contratos a preço fixo

* Dependência de grandes projetos

 

O caixa da companhia fechou 2025 em R$ 184,2 milhões, crescimento frente a R$ 124,3 milhões em 2024.

 

Por outro lado:

 

* Fluxo operacional: negativo em R$ 290 milhões

* Investimentos: consumo de R$ 738 milhões

* Financiamentos: entrada líquida de R$ 1,08 bilhão (principalmente capitalização)

 

O balanço mostra uma empresa em transição:

 

* Melhora contábil relevante, puxada por reestruturação

* Operação ainda pressionada, com margens apertadas

* Dependência de capitalização e ajustes financeiros

 

Em termos práticos, a OECI sai do ciclo mais agudo da crise, mas ainda busca consolidar uma recuperação sustentável no campo operacional.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. A informação está completamente errada. A OECI não é a concessionária do Rodoanel Norte. É uma mera contratada da concessionária, que pertence ao grupo Via Appia. O que está acontecendo, Diário do Transporte? É a segunda reportagem de vocês com informações erradas que leio hoje!

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