SPTrans suspende licitação de estudos para novos atracadouros nas represas Billings e Guarapiranga


Projeto previa base técnica para expansão do transporte hidroviário e integração ao sistema de ônibus com Bilhete Único

ALEXANDRE PELEGI

A SPTrans suspendeu, por tempo indeterminado (sine die), a Licitação nº 006/2026, que previa a contratação de estudos técnicos para implantação de quatro novos atracadouros nas represas da capital paulista. O aviso foi publicado no Diário Oficial da Cidade nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026.

O certame tinha como objeto a elaboração de estudos de viabilidade para estruturas hidroviárias nos reservatórios Billings e Guarapiranga, considerados estratégicos para ampliar o uso do transporte por barcos em São Paulo.

A licitação suspensa representava um avanço na proposta de diversificar a matriz de transporte coletivo na capital, incorporando as chamadas “avenidas de água” ao sistema público.

O plano previa quatro novos atracadouros:

– Na Represa Billings: ponto no Apurá
– Na Represa Guarapiranga: Guaraci, Santa Paula e Clube Náutico

A iniciativa tinha como foco atender regiões periféricas da zona sul, como Grajaú, Pedreira, Jardim Ângela e Cidade Dutra, oferecendo alternativa ao transporte terrestre congestionado.

Os serviços previstos na licitação incluíam a elaboração de EVTEA (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), etapa essencial antes de qualquer implantação física.

Durante cerca de 10 meses, seriam realizados levantamentos batimétricos (profundidade das represas), análises ambientais e avaliações de demanda e viabilidade econômica.

Esses estudos definiriam se os terminais são seguros, sustentáveis e operacionais.

*Integração com ônibus e trilhos*

Um dos principais diferenciais do projeto é a integração ao sistema existente, com uso do Bilhete Único. A ideia é que o transporte hidroviário funcione como complemento às redes de ônibus, metrô e trens, reduzindo o tempo de deslocamento.

Na prática, o modelo busca permitir que o passageiro utilize embarcações para encurtar trajetos hoje feitos por vias saturadas, especialmente em áreas próximas às represas.

No comunicado oficial, a SPTrans não detalha os motivos da suspensão nem estabelece novo cronograma para retomada do processo licitatório.

A decisão interrompe, ao menos temporariamente, um dos projetos mais emblemáticos de diversificação modal do transporte coletivo paulistano, que vinha sendo acompanhado como alternativa de médio prazo para ampliar a capacidade e eficiência do sistema.

_*Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes*_

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Pelo jeito nada mais será feito, e o que já existe (e precisava ser aprimorado) está com o seu futuro incerto.
    Mais uma bandeira da atual gestão municipal, que entra em estado de dormência e indefinição
    Mais um entre tantos outros adiamentos e indefinições, nesta cidade cada vez mais visivelmente abandonada.
    E pensar que temos ainda dois anos e meio até a próxima eleição… Nesse ritmo das coisas, é preocupante imaginar a situação em que São Paulo se encontrará lá no final de 2028.

  2. marcelo disse:

    Um passo para tras essa suspensão que nos leva a pensar no monopolismo do transporte uma pena num país que só política trava tudo….

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