Eletromobilidade

Marcas chinesas de veículos elétricos devem desaparecer por situação que caminha para o “insustentável”, diz presidente da BYD

De acordo Wang Chuanfu, momento é de “fase de eliminação”. Empresa deve demitir mais de 100 mil pessoas em todo o mundo, mas não por “encolhimento”, mas para se reestruturar

ADAMO BAZANI

Excesso de marcas de carros, ônibus e caminhões; reação de fabricantes europeias e norte-americanas e marcas sul-americanas em expansão na mobilidade menos dependente de derivados de petróleo. A tão potente indústria chinesa de veículos elétricos entra em um momento crítico e inicia uma “fase de eliminação”. Diversas fabricantes chinesas vão desaparecer e, com elas, centenas de milhares de empregos. E isso não será nos próximos anos ou décadas. É questão de meses.

A constatação poderia ser suspeita e até soar como uma anti-propaganda chinesa se viesse de uma Mercedes-Benz, Eletra, Volkswagen, General Motors, Ford, Toyota, Volvo ou Tesla.

Veio justamente do presidente e CEO de uma das maiores marcas chinesas de veículos elétricos do mundo: Wang Chuanfu, fundador da gigante BYD.

De acordo com agências internacionais, o presidente da BYD disse que a concorrência entre as próprias marcas chinesas e o crescimento da indústria automotiva em outros continentes na eletromobilidade são fatores que já têm reduzido drasticamente a lucratividade das fabricantes da China.

O executivo disse que para muitas destas marcas chinesas, a situação caminha para o “insustentável” e que a fase agora é de “eliminação”.

De acordo com as agências, como a Xataka, um dos maiores portais de tecnologia e gadgets do mundo, Terra, “Automotive News China” e MotorPassion, a BYD é um exemplo claro de que somente as grandes devem sobreviver, mas precisam se reestruturar.

A gigante chinesa teve em 2025, uma explosão de vendas, um recorde, com 4,6 milhões de veículos comercializados em todo o mundo e passou a Tesla.

Porém, mesmo com isso, o lucro líquido da empresa caiu 19% no ano de 2025 em comparação com 2024.

Ou seja, a indústria chinesa de carros, caminhões e ônibus elétricos está vendendo muito, mas barato.

Estes possíveis fechamentos de marcas chinesas levantam dois alertas no mundo: a queda do nível de salários na indústria da eletromobilidade e o risco de não haver assistência técnica suficiente no pós-venda destes veículos, tanto de uso comercial, como caminhões e ônibus, como o transporte individual, no caso dos carros.

Ainda de acordo com o CEO, segundo a reprodução destas agências internacionais, a BYD deve cortar nos próximos meses 100 mil postos de trabalho em todo o Planeta.

Não significa que a empresa vai retroceder, mas mudar de estratégia e focar mais em aumento de produtividade, rentabilidade e em tecnologias mais novas para as linhas de montagem. Tanto é que deve manter os mais de 120 mil postos de engenheiros.

Baterias menores e com maior autonomia, como as do tipo “Blade”, que passam a ser aplicadas inclusive nos ônibus elétricos montados no Brasil, está entre as apostas da BYD. Condução autônoma também é outra meta da BYD para o mundo, além da indústria metroferroviária. O Brasil, com a linha 17-Ouro de monotrilho, da zona Sul da cidade de São Paulo, foi a estreia fora da China da BYD no mundo das ferrovias.

Alerta semelhante já foi dado em 2025, no Salão de Munique, pela vice-presidente executiva da BYD, Stella Li.

 “O mercado vai ter de eliminar muitos (fabricantes). Mesmo 20 produtores de automóveis já é demais”, disse, ainda segundo a imprensa internacional.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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