Reajuste oficializado por decreto entra em vigor em 1º de maio; cidade do Centro-Oeste mineiro enfrenta impasse entre prefeitura, empresas e trabalhadores
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de Divinópolis (MG) oficializou o reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano por meio do Decreto nº 17.325/2026, publicado nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026. Os novos valores passam a vigorar a partir de 1º de maio, em meio a um cenário de paralisação do sistema e ruptura nas negociações entre o poder público, o Consórcio Transoeste e os trabalhadores.
Pelo decreto, a tarifa será de R$ 5,50 para pagamento via cartão Divpass e de R$ 6,00 para pagamento em dinheiro. A diferenciação busca estimular o uso do meio eletrônico, já adotado pela maior parte dos passageiros do sistema.
O reajuste ocorre em um momento de forte tensão no transporte coletivo da cidade. Motoristas e demais profissionais entraram em greve após impasses relacionados ao pagamento de benefícios e condições de trabalho. Ao mesmo tempo, a prefeitura anunciou o fim do subsídio ao sistema a partir de maio de 2026, alterando significativamente o modelo de financiamento da operação.
A administração municipal argumenta que a medida é necessária para garantir a continuidade do serviço diante das limitações orçamentárias. Como alternativa ao subsídio direto, foi sinalizada a criação de um auxílio mensal de R$ 500 mil para custear parte do combustível das operações, proposta que não foi aceita pelo consórcio operador.
O impacto tarifário é expressivo. Considerando o valor anterior, a passagem paga em dinheiro teve aumento próximo de 44%, evidenciando o desequilíbrio econômico-financeiro do sistema e a dificuldade de sustentação sem aporte público.
Divinópolis é um dos principais centros urbanos do Centro-Oeste de Minas Gerais, com mais de 240 mil habitantes e forte papel regional em comércio, serviços e indústria. O transporte coletivo urbano desempenha função essencial na mobilidade cotidiana, especialmente para trabalhadores e estudantes, em uma cidade com expansão territorial e dependência crescente de deslocamentos motorizados.
A crise atual expõe um desafio recorrente em cidades médias brasileiras: a dificuldade de equilibrar tarifa, qualidade do serviço e financiamento público. Com o fim do subsídio e a pressão por recomposição de custos, o sistema tende a enfrentar queda de demanda, aumento da informalidade e maior competição com modos individuais.
O desfecho das negociações entre prefeitura, empresas e trabalhadores será determinante para a estabilidade do sistema nas próximas semanas.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes