World Public Transport Day reforça papel da bilhetagem como “motor silencioso” da mobilidade urbana, diz Cassiano Rusycki
Publicado em: 17 de abril de 2026
Para CEO da Mais Mobi, sistemas digitais deixaram de ser apenas pagamento e passaram a estruturar planejamento, governança e financiamento do transporte público
ALEXANDRE PELEGI
No dia 17 de abril, o mundo celebra pela primeira vez o World Public Transport Day, iniciativa global liderada pela UITP (União Internacional de Transporte Público) para destacar o papel essencial do transporte coletivo na economia, na inclusão social e na sustentabilidade das cidades. A data surge com um objetivo claro: reforçar que mobilidade urbana deve ser tratada como infraestrutura estratégica para o desenvolvimento — e não apenas como deslocamento.
Nesse contexto, um elemento muitas vezes invisível ganha protagonismo: a bilhetagem eletrônica. Para Cassiano Rusycki, CEO da Mais Mobi, esse sistema se consolidou como o verdadeiro “motor silencioso” da mobilidade urbana contemporânea.
“Por trás de cada embarque em ônibus, trem ou metrô, existe a bilhetagem eletrônica. Ela é um elemento muitas vezes invisível, mas absolutamente decisivo para o funcionamento do sistema como um todo”, afirma.
Segundo ele, a mobilidade urbana passou por uma transformação estrutural nos últimos anos. “A digitalização da bilhetagem deixou de ser apenas uma evolução operacional. Hoje, ela é a base estratégica para o desenvolvimento de cidades inteligentes.”
Os números no Brasil mostram a dimensão dessa mudança. “Já temos sistemas de bilhetagem digital presentes em mais de mil cidades brasileiras, atendendo dezenas de milhões de passageiros diariamente, com uma base instalada enorme de validadores. Isso mostra que a tecnologia já é parte estrutural do transporte público”, explica.
Dados como base da mobilidade
Rusycki destaca que o principal impacto dessa transformação está na geração e uso de dados.
“Hoje, decisões sobre planejamento de frota, frequência de linhas, integração modal e até subsídios são baseadas em dados gerados pela bilhetagem eletrônica. Sem dados, não há mobilidade eficiente.”
Ele reforça que esse movimento também é reconhecido internacionalmente. “A própria UITP aponta que a bilhetagem evoluiu muito além do pagamento. Ela se tornou uma chave digital para integração entre modais, planejamento de demanda e gestão em tempo real.”
*Tarifa zero e o desafio da governança*
Ao abordar o avanço de políticas públicas como tarifa zero e subsídios, o executivo destaca que o papel da tecnologia se torna ainda mais crítico.
“A tarifa zero já é realidade em centenas de cidades brasileiras, e muitos municípios adotam subsídios para sustentar a operação. Isso amplia o acesso, o que é extremamente positivo, mas também aumenta a necessidade de controle e transparência.”
Para ele, a sustentabilidade desses modelos depende diretamente da qualidade dos dados.
“É nesse contexto que a bilhetagem eletrônica se mostra essencial. Ela permite monitorar gratuidades, acompanhar a demanda em tempo real, evitar fraudes e avaliar o impacto das políticas públicas com precisão.”
E faz um alerta claro: “Sem dados auditáveis, iniciativas como tarifa zero e subsídios correm o risco de perder sustentabilidade financeira e operacional.”
Mais do que pagamento: uma ferramenta de Estado
Rusycki enfatiza que a bilhetagem deixou de ser um sistema transacional para se tornar uma ferramenta de governança pública.
“Hoje, estamos falando de uma ferramenta que apoia o poder público na tomada de decisão, melhora o planejamento da oferta e garante transparência no uso dos recursos.”
Ele lembra que, enquanto o debate público costuma focar na infraestrutura física, há uma transformação silenciosa em curso.
“Quando pensamos em mobilidade urbana, imaginamos corredores de ônibus, expansão de trilhos, novas estações. Tudo isso é fundamental. Mas, nos bastidores, existe uma transformação ainda mais profunda acontecendo.”
E conclui: “Para que toda essa engrenagem funcione — envolvendo passageiros, operadores e poder público —, com dados, planejamento e eficiência, a bilhetagem eletrônica atua todos os dias de forma silenciosa, conduzindo a mobilidade urbana.”
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


