Empresas de transporte coletivo no Brasil precisam se atentar em como atrair os mais jovens e entenderem o que querem de fato, mostra pesquisa internacional
Publicado em: 16 de abril de 2026
Respostas neste sentido foram acima da média mundial. Pessoas mais jovens desejam mais o transporte coletivo e se preocupam com qualidade e estética dos ônibus e trens
ADAMO BAZANI
O sonho do carro próprio já não é mais tão forte entre as novas gerações, mas ainda o brasileiro, em geral, se sente mais seguro, livre e independente tendo seu veículo próprio, seja carro ou moto.
Este é um dos pontos revelados, ou confirmados, por uma pesquisa internacional, realizada em 31 países, que entrevistou um total de 23.722 pessoas, divulgada pela empresa de sondagem de mercado independente, Ipsos, nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. No Brasil, foram aproximadamente mil pessoas entrevistadas.
Segundo os dados, no Brasil, 33% dos entrevistados dizem ser impossível viver sem um carro. Globalmente, em média 43% dos motoristas dizem o mesmo.
Porém, a situação se inverte quando a relação é ter um carro porque precisa ou ter um carro porque quer : 49% dos entrevistados brasileiros dizem que poderiam viver sem o seu veículo, mas preferem tê-lo, enquanto que a média global destas respostas é menor: de 43%.
Os dados mostram que as novas gerações se importam mais em deslocar que possuir um carro. O transporte coletivo, para os mais novos, tem praticamente o mesmo peso nos desejos de deslocamento do que o carro próprio.
Segundo a pesquisa, na chamada Geração Z, nascida aproximadamente entre 1997 e 2012, no Brasil, a diferença da preferência pelo carro é a menor em relação a preferência pelo transporte público: 26% contra 22%
Apenas 14% dos “Baby Boomers”, classe que compreende os nascidos entre aproximadamente 1946 e 1964, preferem o transporte público.
Já na Geração X, dos nascidos entre 1965 e 1981,16% preferem o transporte coletivo.
Entre os Millennials, ou Geração Y, que são os nascidos aproximadamente entre 1981 e 1996, 15% mostram preferência pelos ônibus, trens e metrôs.
Numa interpretação mais ampla dos dados, é possível ter a seguinte leitura: As empresas de transporte coletivo no Brasil precisam se atentar em como atrair os mais jovens, mantê-los e entenderem o que querem de fato, mostrou a pesquisa internacional.
Os motivos para isso são vários. Além de serem uma demanda que, devido a familiaridade com as redes sociais, têm mais “poder de influência e comunicação”, os mais jovens, naturalmente, são os usuários que mais têm mais anos à frente para se deslocar na vida. Também estão entre os que ainda estão em formação de opinião, com culturas, hábitos e costumes ainda se desenvolvendo.
Assim, a oportunidade para o setor de transporte coletivo de fazer parte desta cultura é grande.
O primeiro passo é entender o que estes jovens querem. Entre os caminhos estão: experiência, além do serviço em si; praticidade; agilidade; conectividade, bem estar e estética.
Assim, o trem, o ônibus e o metrô devem ser acessados facilmente e isso vai além do acesso físico, mas comprar e pagar a passagem, se informar sobre as linhas, horários, tempo de espera e conexões. Nisso, a tecnologia é essencial, mas não a única ferramenta.
O bom atendimento por parte de agentes de estação, motoristas, cobradores, ferroviários, é importante para todos os públicos, mas para os mais jovens, parece ter um peso diferenciado.
A estética e a sensação dentro das composições metroferroviárias e dos ônibus também são fatores importantes.
Algo que o Diário do Transporte tem alertado com base em outras pesquisas sobre comportamento: as gerações de pessoas mais jovens, justamente as que mais preferem o transporte coletivo, levam em conta muito a estética, a aparência e a forma.
Assim, depreende-se que os ônibus e trens devem ser bonitos e modernos esteticamente.
Isso vai desde os designs das carrocerias, bancos, ambiente interno e até pinturas.
A pesquisa da Ipsos, denominada Mobility Report 2026, mostra ainda que as pessoas que moram nas cidades mais urbanizadas se sentem mais seguras em dispensar o carro de suas vidas que nos municípios de região metropolitana ou do interior.
“O local onde as pessoas vivem desempenha um papel importante em suas escolhas: seis em cada dez (60%) habitantes da área rural dizem que viver sem carro é impossível, enquanto 46% dos suburbanos e 37% dos da área urbana dizem o mesmo” – segundo nota da Ipsos à imprensa.
Metodologia
A pesquisa foi realizada pela lpsos em 31 países, por meio de sua plataforma online Global Advisor e, na Índia, em sua plataforma IndiaBus, entre sexta-feira, 21 de novembro e sexta-feira, 5 de dezembro de 2025.
A lpsos entrevistou um total de 23.722 adultos com 18 anos ou mais na Índia, de 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, de 20 a 74 anos na Tailândia, de 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura, e de 16 a 74 anos em todos os outros países.
No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.
A precisão das pesquisas on-line da Ipsos é calculada usando um intervalo de credibilidade, sendo que uma pesquisa com N=1.000 tem uma margem de erro de +/- 3,5 pontos percentuais e uma pesquisa com N=500 tem uma margem de erro de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela Ipsos, visite o site da Ipsos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Entendero que nao querem:
Onibus sem bancos (onibus da decada de 90, 40 assentos, 2026, 23)
Passagens caras
Excesso de baldeações
Linhas que atendem onde precisam sem pegar 3 onibus
Intervalos altos
São isso que afastam os passageiros
Exato!
E independente de se o passageiro é jovem, ou da meia idade, ou 60+…
Os mais jovens querem fugir de CLT e pegar transporte público cheio perdendo 3 horas ou mais diárias, eu que não sou jovem fujo disso e só uso o transporte público evitando trajetos longos de ônibus e somente metrô, mas apenas para necessidade porque trabalho de home office.