CPTM mantém dependência de aportes do Estado e registra prejuízo de R$ 588,6 milhões em 2025

Receita tarifária representa pouco mais da metade do total, enquanto investimentos e operação seguem sustentados por recursos públicos

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) encerrou o exercício de 2025 com prejuízo de R$ 588,6 milhões, mantendo o padrão estrutural de dependência de aportes do Governo do Estado de São Paulo para sustentar sua operação e investimentos. Os dados constam das demonstrações contábeis publicadas no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira, 15 de abril de 2026.

A receita líquida da companhia somou R$ 2,65 bilhões, com crescimento em relação a 2024 (R$ 2,57 bilhões). Ainda assim, o resultado operacional permaneceu negativo, pressionado por custos elevados e despesas administrativas relevantes.

Tarifa cobre apenas parte da operação

A estrutura financeira da CPTM reforça um ponto já conhecido no setor: a tarifa não sustenta o sistema.

Em 2025, a receita tarifária representou 51% do total arrecadado — exatamente o mesmo percentual do ano anterior. O restante depende de receitas acessórias e, principalmente, de aportes públicos.

No período, a companhia recebeu R$ 2,19 bilhões da Fazenda do Estado, distribuídos em três frentes:

  • R$ 699,4 milhões para investimentos
  • R$ 605,6 milhões para gratuidades e recomposição tarifária
  • R$ 886,2 milhões como subvenção econômica

Esse volume praticamente espelha o de 2024, evidenciando estabilidade — mas também permanência — da dependência financeira.

Modelo dependente é estrutural, não conjuntural

A própria CPTM reconhece, nas notas explicativas, sua condição de “companhia dependente”, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na prática, isso significa que a continuidade operacional está diretamente vinculada ao fluxo de recursos do Tesouro estadual. Para 2026, inclusive, já há previsão de novos aportes na Lei Orçamentária Anual (LOA), reforçando esse caráter estrutural.

Mais do que um desequilíbrio pontual, trata-se de um modelo típico de sistemas ferroviários urbanos, onde o financiamento público é parte integrante da equação.

O ativo total da CPTM cresceu de R$ 12,5 bilhões em 2024 para R$ 14,7 bilhões em 2025.

O principal destaque foi o aumento do imobilizado, que saltou para R$ 13,87 bilhões, refletindo:

  • A incorporação de R$ 2,19 bilhões em bens aportados pelo Estado
  • Expansão e modernização da infraestrutura ferroviária

Esses investimentos reforçam o papel do Estado como financiador direto da expansão e manutenção do sistema.

Concessão da Linha 7 marca mudança estrutural

Outro ponto relevante de 2025 foi a concessão da Linha 7–Rubi (Barra Funda–Jundiaí) à iniciativa privada por 30 anos.

Com isso, a CPTM passou a operar quatro linhas então:

  • Linha 10–Turquesa
  • Linha 11–Coral
  • Linha 12–Safira
  • Linha 13–Jade

No entanto, ainda em 2025, as Linhas 11–Coral, 12–Safira e 13–Jade foram leiloadas em 28 de março de 2025. O vencedor foi o Grupo Comporte.
As linhas foram leiloadas em conjunto como o “Lote Alto Tietê”. O contrato prevê a modernização das estações e a operação do Expresso Aeroporto.

Caixa cresce, mas não altera o quadro estrutural

O caixa da CPTM aumentou de R$ 135,2 milhões para R$ 297,1 milhões ao final de 2025.

Esse crescimento, no entanto, está diretamente associado aos fluxos de financiamento (R$ 2,7 bilhões), que compensaram:

  • Fluxo negativo operacional (-R$ 53,6 milhões)
  • Forte volume de investimentos (-R$ 2,48 bilhões)

Ou seja, o reforço de caixa não decorre da operação, mas do financiamento público.

Prejuízo recorrente e lógica de serviço público

Mesmo com crescimento de receita e aumento de investimentos, a CPTM manteve resultado negativo, repetindo o padrão histórico de sistemas de transporte público sobre trilhos.

O dado central não é o prejuízo em si, mas sua natureza:

  • O sistema não é estruturado para gerar lucro
  • O equilíbrio depende de subsídios explícitos
  • O Estado atua como garantidor da operação

Entre operação pública e reconfiguração do sistema

Os números de 2025 revelam uma CPTM em transição:

De um lado, mantém o papel clássico de operadora pública dependente de subsídios. De outro, começa a dividir espaço com concessões..

 

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Não adianta a tendência é diminuírem os passageiros, já que os mais novos fogem de trabalhos longe e que use transporte público de longa distância.

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