Consulta pública do estudo ambiental da Avenida Celso Garcia é aberta com projeto de requalificação de 8,8 km e foco em corredor de ônibus

Foto: Reprodução/Google maps

Submissão do EVA pela SPTrans permite participação popular por 45 dias; proposta prioriza transporte coletivo sem desapropriações

ALEXANDRE PELEGI

A requalificação da Avenida Celso Garcia, um dos principais eixos de ligação entre o centro e a zona leste de São Paulo, avançou mais uma etapa com a disponibilização do Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) para consulta pública. O projeto, sob responsabilidade da SPTrans, prevê intervenções ao longo de 8,8 quilômetros, entre o Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva.

O EVA, que embasa o processo de licenciamento ambiental, confirma o direcionamento estratégico da intervenção: reorganizar o espaço viário com prioridade ao transporte coletivo, sem ampliação da capacidade para veículos individuais e sem necessidade de desapropriações ou supressão de vegetação.

A requalificação da Celso Garcia não está apenas no campo dos estudos. A SPTrans já estruturou os contratos necessários para tirar o projeto do papel.

Em fevereiro de 2024, a empresa contratou o Consórcio CSI Supervisor, formado por empresas como Concremat, Setec Hidrobrasileira e Intertechne, por cerca de R$ 3,3 milhões para realizar a supervisão das obras no primeiro trecho do corredor. O contrato foi assinado em janeiro de 2024, com prazo de 21 meses, e abrange o trecho entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a região da Rua Bresser.

Já a execução das obras desse mesmo lote foi contratada por aproximadamente R$ 72,9 milhões, indicando que o projeto já avançou para a fase operacional, ainda que dependa do licenciamento ambiental para sua implementação completa.

Corredor estruturante com foco no ônibus

O projeto tem como eixo central a implantação de faixa exclusiva para ônibus à direita da via, em pavimento rígido, acompanhada da requalificação completa da infraestrutura existente. A proposta busca melhorar a fluidez do transporte público em um dos corredores mais carregados da cidade.

Hoje, o eixo Celso Garcia concentra cerca de 366 mil passageiros por dia útil e atende 57 linhas de ônibus, com aproximadamente 95 mil usuários diretos e mais de 140 mil beneficiários diários

A intervenção também prevê integração com outros modais, como metrô, CPTM e ciclovias, reforçando o papel do corredor como estrutura de mobilidade metropolitana.

Intervenções urbanas e acessibilidade

Além da faixa exclusiva, o projeto inclui um pacote amplo de melhorias urbanas:

  • reconstrução integral das calçadas com acessibilidade universal e rota tátil;
  • reforma e elevação das paradas de ônibus;
  • restauração do pavimento nas faixas centrais;
  • complementação da rede de drenagem, com objetivo de reduzir alagamentos;
  • aterramento da rede aérea ao longo do corredor.

As intervenções ocorrem ao longo de um eixo consolidado, com forte presença de comércio e serviços, e mantêm a geometria atual da via, o que reduz impactos estruturais e sociais.

Sem ampliação viária: foco é eficiência

Um dos pontos mais relevantes do EVA  é a definição clara de que o projeto não tem como objetivo ampliar a capacidade viária.

Segundo o Estudo de Viabilidade Ambiental, não há previsão de criação de novas pistas ou grandes intervenções estruturais. A proposta está centrada em melhorar o desempenho do sistema existente, aumentando a eficiência operacional do transporte coletivo e organizando o fluxo já consolidado.

O estudo identifica impactos típicos de obras urbanas, considerados de baixa a média magnitude e, em sua maioria, temporários.

Entre os principais efeitos negativos apontados estão:

  • aumento de ruído, poeira e vibração durante as obras;
  • interferências no tráfego e nos itinerários de ônibus;
  • incômodos à população local durante a execução.

No meio físico, podem ocorrer alterações pontuais na qualidade do ar, no solo e nas águas subterrâneas, além de mudanças nos níveis de permeabilidade urbana. Já no meio biótico, os impactos são limitados, com possibilidade de afugentamento de fauna urbana, sem previsão de supressão vegetal relevante.

Programas ambientais e mitigação

Para lidar com esses impactos, o EVA propõe um conjunto estruturado de programas ambientais, incluindo:

  • gestão e supervisão ambiental das obras;
  • monitoramento de ruído e vibração;
  • gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes;
  • programas de paisagismo e arborização;
  • comunicação social com a população afetada;
  • educação ambiental e treinamento das equipes;
  • plano de gerenciamento de riscos e emergências.

Também estão previstas ações específicas para controle de fauna sinantrópica, monitoramento ambiental contínuo e proteção do patrimônio cultural eventualmente identificado no trajeto.

Consulta pública e próximos passos

O estudo ficará disponível para consulta pública por 45 dias, período em que cidadãos, entidades e interessados poderão apresentar contribuições ou solicitar a realização de audiência pública.

Essa etapa é fundamental para a obtenção do licenciamento ambiental e antecede a execução das obras, que deverão ocorrer em três lotes ao longo do corredor.

Mais do que uma obra viária convencional, a requalificação da Avenida Celso Garcia se insere em uma lógica de reorganização do espaço urbano, priorizando o transporte coletivo em um eixo historicamente sobrecarregado.

O próprio estudo ambiental reforça essa diretriz: não se trata de expandir a via, mas de torná-la mais eficiente, acessível e integrada — um movimento alinhado às políticas de mobilidade sustentável e ao redesenho do papel do ônibus na cidade.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Essa via sempre foi complicada para ter corredor, devido ao número alto de desapropriações.

  2. MANUSERGIO SOUZA LIMA disse:

    A Celso Garcia tinha um grande comércio, conseguiram destruir esse comércio quando implantaram o corredor exclusivo de ônibus sentido centro, agora querem acabar com o resto

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