Comissão da Câmara aprova PL (Projeto de Lei) que proíbe Buser pelo modelo “colaborativo” e outros aplicativos de fretados de fazer linhas regulares e vender passagens individuais

Regras impõem que contratação de ônibus seja por pagamento em grupo, que apps sigam regras de agências de turismo caso não sejam os donos da frota e que estes coletivos não transportem encomendas

ADAMO BAZANI

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3692/21, que que proíbe Buser e outros aplicativos de fretados de fazer linhas comuns e vender passagens individuais.

A informação foi divulgada pela Câmara nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026.

O projeto segue para análise da “Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania”. Por tramitar em caráter conclusivo, se for aprovado por mais esta comissão e não receber nenhuma alteração de texto, seguirá para o Senado, sem a necessidade de ser votado pelo Plenário da Câmara.

As regras propostas impõem que contratação de ônibus seja por pagamento em grupo; que os apps sigam regras de agências de turismo caso não sejam os donos da frota e que estes ônibus não transportem encomendas. Obrigatoriamente, o regime será por “circuito fechado”, ou seja, não o mesmo grupo de passageiros na ida deve ser o da volta. – MAIS ABAIXO A EXPLICAÇÃO COMPLETA

A obrigatoriedade já é prevista em resoluções de agências estaduais de transportes e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que cuida dos ônibus interestaduais e internacionais, mas ainda não há lei específica sobre o tema.

Segundo a Agência Câmara, para evitar que o fretamento funcione como um ônibus de linha clandestino, o projeto determina as seguintes medidas:

  • pagamento em grupo: o serviço deve ser contratado pelo grupo ou entidade, sendo proibida a cobrança de passagem individual por pessoa;
  • viagem sem paradas: o ônibus não pode fazer paradas durante o trajeto para embarcar ou desembarcar novos passageiros (proibição de seccionamento);
  • uso de aplicativos: empresas podem usar a internet para vender os serviços, mas devem seguir as regras de agências de turismo caso não sejam as donas da frota;
  • proibição de cargas: fica vedado o transporte de mercadorias nesses veículos.

A proposta permite que esse serviço seja contratado por meio de aplicativos e plataformas digitais, mas estabelece limites para que não seja confundido com o transporte público comum.

A intenção é garantir que o fretamento sirva apenas a grupos fechados de passageiros, proibindo a venda de poltronas individuais para o público em geral.

Ainda de acordo com nota da Câmara,  medida altera a Lei de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12) para atualizar o conceito de transporte privado e incluir o uso de tecnologia na comercialização das viagens.

Segurança jurídica
Segundo ainda a Câmara, o colegiado aprovou o relatório do deputado Diego Andrade (PSD-MG), favorável ao texto de autoria do deputado Hugo Leal (PSD-RJ). O relator afirmou que a mudança é necessária para organizar o setor diante do crescimento das ferramentas digitais. Segundo Andrade, o texto deixa claro que o fretamento é um serviço restrito e não uma alternativa informal ao transporte público.

“A proposição contribui para reduzir ambiguidades regulatórias e reforçar a natureza privada desse tipo de transporte, deixando claro que se trata de serviço restrito a grupo determinado”, destacou o parlamentar, na nota.

Como mostrou em primeira-mão o editor e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, a Buser está expandindo a atuação e não se limitando ao que chama de “fretamento colaborativo”. Há alguns anos já vende passagens de empresas regulares e, agora, sem deixar o “app de rateio” parte também para linhas fixas de circuito aberto ao adquirir as operações como das empresas Expresso JK e Santa Maria

Relembre:

Holding da Buser adquire CNPJ da Transportes Santa Maria, do ABC Paulista, para operações rodoviárias interestaduais regulares. JK já havia sido adquirida

– CIRCUITO ABERTO X CIRCUITO FECHADO:

(Por Adamo Bazani)

Circuito aberto é a operação hoje atribuída a empresas de linhas regulares, que saem de terminais oficiais, têm horários de partidas e rotas fixas independentemente se os ônibus saem muitos ou poucos passageiros e concede as gratuidades por lei, como para idosos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência. As passagens podem ser compradas por pessoas individualmente. Exemplo: um ônibus que sai da rodoviária do Tietê, em São Paulo, faz paradas em terminais no meio do caminho, e finaliza a viagem na rodoviária do Rio de Janeiro.

Circuito fechado é a operação por fretamento: o grupo de passageiros da ida é o grupo de passageiros da volta, não pode haver venda individual de passagens, nem embarques e desembarques no meio do caminho. Não concede gratuidades de, no caso dos aplicativos, se não tiver uma ocupação mínima (em torno de 40%, cancelam a viagem). Exemplo: um grupo de uma paróquia católica que aluga um ônibus para a Basílica de Nossa Senhora de Aparecida ou um grupo evangélico que quer conhecer o Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo.

– A queixa das regulares: A queixa dos operadores de transportes regulares é que os aplicativos de ônibus e empresas de fretamento querem vender passagens e fazer as linhas, mas sem obedecer às regras: como cumprir viagens com ônibus quase vazios; seguir horários fixos, pagar taxas de rodoviárias, conceder gratuidades e “degustar o filé” das linhas, mas sem “roer o osso” das linhas menos rentáveis, o que causaria um desequilíbrio que prejudicaria os menos favorecidos e as linhas de maior apelo social. Por exemplo: um São Paulo x Rio de Janeiro, todo mundo quer fazer, inclusive os aplicativos. Mas sobra para o regular operar, por exemplo, de Rodelas, Cairu e Coronel João Sá, no sertão da Bahia, com mais de 90% da população vivendo em situação de pobreza e extrema pobreza, de acordo com dados de 2022 do Cadastro Único, para cidades também com altas carências de Sergipe como Tomar do Geru, Brejo Grande, Capela, Poço Redondo e Siriri. O “lucro de uma Rio de Janeiro x São Paulo da vida” bancaria uma operação de caráter social entre estes extremos, por exemplo. Se cai a demanda na linha lucrativa, logo, a mais carente é a que sente. Além disso, se da um problema com bagagem ou acidente na viagem, a empresa regular é responsabilizada, mas se isso acontece com o aplicativo, fica aquele empurra-empurra: quem vai “segurar o B.O.” e se responsabilizar: o app ou a empresa de fretamento? Embora que decisões judiciais sobre o tema entendem que haja uma responsabilidade solidária, ou seja, ambas (mas isso só depois de muita luta na Justiça).

Em nota, a Buser reforça o ter da reportagem do Diário do Transporte ao afirmar, como diz o texto, que o PL ainda terá uma tramitação.

NOTA DA BUSER
A Buser acompanha a tramitação do PL 3692/21 com atenção e respeito ao processo democrático. O projeto ainda percorrerá etapas importantes no Congresso Nacional antes de qualquer conclusão, e a empresa confia que o debate legislativo contemplará o interesse de todos os envolvidos — em especial os milhões de passageiros que usam e aprovam as plataformas tecnológicas para viajar com mais opções e preços acessíveis.
Em quase 9 anos de operação, a Buser construiu um modelo reconhecido pela Justiça Federal em todo o Brasil, que conecta mais de 14 milhões de brasileiros a destinos antes inacessíveis ou economicamente inviáveis pelo transporte convencional. Esse histórico não é resultado de uma brecha regulatória — é o resultado de tecnologia aplicada ao interesse do passageiro. Assim como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal reconheceram a legalidade da operação da Uber, a Buser acredita que seu modelo de negócios terá o mesmo reconhecimento, uma vez que enormes são os benefícios de sua plataforma para os cidadãos.
A Buser acredita que regulação bem feita protege o usuário, estimula a concorrência e garante a qualidade dos serviços. É com esse espírito que a empresa participará de todas as instâncias do processo legislativo em curso.
Assessoria de imprensa da Buser

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Hugo disse:

    De autoria do mesmo deputado que quis dar 4 bilhões pras empresas de ônibus na pandemia. Adivinhem quem deve financiá-lo….

  2. WAGNER REGO disse:

    Um desserviço ao usuário do transporte rodoviário, as empresas oficiais não possuem estrutura necessária pra suprir a demanda atual de um trecho entre SP X RIB.PRETO por exemplo, terão que investir em mais veículos (o que não irão fazer) mas existe um MONOPÓLIO grande no transporte rodoviário, e quem vai pagar por isso é o USUARIO, pagando preços absurdos pela passagem, lamentável.

  3. EDILAMAR MARY Siqueira disse:

    Realmente um deserviço à população e descaradamente mostrando a quem serve os deputados desse país: aos grandes empresário. Em Bh as passagens, para qualquer lugar são caríssimas e os ônibus pessimos.
    Viajo, para o ES quatro vezes ao ano, no mínimo. Nunca tive problemas. Sem acidentes, motoristas responsáveis e viagens confortáveis.
    Os motivos colocados nessa reportagem são meramente favoráveis às empresas de transporte e não aos usuários.

  4. Deputados não têm o que fazer, só se mexem para prejudicar o trabalhador.

  5. junior disse:

    mais emperrado? impossível…

  6. 360 disse:

    Parabéns cambada de vagabundos! 👏👏👏
    Mais um desserviço a população, bolso cheio e pizza 🍕
    A solução para o Brasil é o aeroporto.

  7. Nelson Lima disse:

    Boa tarde, as qualidades de transporte das empresas regulamentado e péssimo, só seu de uma coisa, ninguém pode tirar meu direito de ir e vim, fora privatização

  8. Gleiciano Da Silva Brum disse:

    Pura mentira o negócio que tem família de deputado ex políticos que são donos de empresa de transporte de ônibus e estão querendo impedir que esses aplicativos abocanhe esse mercado que com a ajuda desses políticos parasitas querem continuar tendo a reserva de mercado para jogar o preço das passagens de ônibus nas alturas de Porto velho a Manaus na última vez que fiz uma cotação está chegando na casas dos 800 reais e nem tem ônibus direto em uma empresa tradicional protegida por esses políticos ordinários.

  9. Marli De Fátima Dutra disse:

    Boa tarde, usei várias vezes e sempre fiquei muito satisfeita. Óbvio que isso incomoda os que roem o osso ( como foi falado na reportagem)

  10. Wendy disse:

    Mais uma vez, desserviço dos políticos!
    E podemos fazer o que como cidadão? nada!
    Pois os mesmos que dão canetada, aprovam.

  11. Suelen disse:

    Falta do que fazer,coloca-se deputados para servir a empresários e não a população. Preços absurdos de viagem em rodoviária. A buser cumpre mais do que os que estão em rodoviárias. Isso e empresas enchendo o bolso do deputado.

  12. JR Acabamentos disse:

    Quanto será que e o caixinha de cada um que votou ? Nesse país nada e sério tudo e feito por debaixo dos panos para beneficiar empresas e monopólios . Nenhuma credibilidade no que for aprovado.

  13. Samu disse:

    A inveja!!!! So pq é bonito e confortável

  14. forrestautomacao disse:

    Uma falta de caráter esses deputados que nem de perto andam de ônibus fretado, os tradicionais cobram um abuso no valor da passagem, se eles querem o filé que abram um app e usufruam do mesma da buser. buser estamos com você.

  15. RUBENS disse:

    Isso é um ano eleitoral e ainda faz uma coisa dessa, os chamados pequenos que fazem as viagens com custo menor que as grandes empresas e com qualidade no serviço, tanto é que a Águia Branca teve que colocar veículos e horários diferentes saindo fora da rodoviária para competir com os pequenos pq o valor da passagem era quase 50% mais barato que praticado pela águia branca, aí agora estão uma PL em pleno ano eleitoral, isso é Brasil e o pior que tem gente que vota nesses caras que nunca estão do lado da população e sim de empresários, é só verificar o autor da lei e quem votou a favor e na eleição é simplesmente não votar neles apenas isso pq o voto é facultativo e não se deve vender seu voto.

  16. PEDRO LUIZ CAMOLEZ disse:

    Acho que esses parlamentares deveriam ser investigados TB, tá claro que há um forte lob das regulares nesse projeto de lei.Se o app consegue cobrar menos da metade do preço,pq as regulares não?

  17. Marcos De lima disse:

    E sobre a bla bla car ninguém fala sobre carona compartilha com veículos que nem passam perto da ANTT

  18. MARCOS T VICENTE disse:

    Já perguntaram prós usuários da buzer a opinião deles?

  19. Marcelo Pereira disse:

    Vai prejudicar muita gente que via neste modelo uma forma mais barata de viajar. Com certeza esta lei tem dedo de grandes empresários, pois sabemos que nossos vereadores, deputados e senadores representam secretamente o grande capital.

  20. RENATO ALEXANDRE TORRES disse:

    eu joelma venho fazer meu comentário sobre a câmara do deputados fazem isso pq esses corruptos não tem proprina pq estes ônibus e uma boa ajuda pra muita gente como eu preciso estar em São Paulo 3 vezes por semana por conta de saúde aí fica estes políticos em vez de procurar arrumar saúde,educação,segurança, etc.

  21. Guilherme Souza disse:

    Esses deputados são o câncer da nação, deveria era fechar essa porcaria de congresso nacional, só serve para criar leis para ferrar como povão e ajudar empresários.

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