Prefeitura de São Paulo atualiza contratos com empresas de ônibus permitindo modelos mais velhos com medo de sistema entrar em colapso por falta de veículos

Medida ocorre porque eletrificação não avança como esperado e ônibus a diesel são proibidos. “Redução de frota a ponto de comprometer a execução dos serviços de transportes coletivos” – é o que diz a documentação oficial

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

A prefeitura de São Paulo publicou nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, atualizações nos contratos (aditivos contratuais) com as empresas de ônibus da cidade.

Os modelos mais velhos, com até 11 anos – acima dos sete anos de idade permitidos nos contratos originais para os miniônibus, e com até 13 anos – acima dos dez anos para os demais modelos, mesmo com as recentes entregas de coletivos elétricos, seguem mantidos.

Assim, os minis de ano-modelo 2015/2016/2017/2018 e os demais ano-modelo 2013/2014/2015 que deveriam sair do sistema, vão poder ficar até o fim deste ano.

No caso dos micrões (mídis), configuração com menos opções de elétricos e são muito usados nos bairros pelas ex-cooperativas, como já havia mostrado o Diário do Transporte em janeiro de 2026, segundo SPTrans (São Paulo Transporte), que deveriam ser baixados entre o fim de 2025 e início de 2026 receberam ainda mais um ano de autorização, sendo admitidos veículos fabricados em 2011 desde que ano-modelo 2012.

O Diário do Transporte flagrou um destes coletivos rodando na zona Leste: sem ar-condicionado, mais barulhento, mais poluente e “mais duro”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/01/27/exclusivo-micrao-midi-ganha-mais-um-ano-de-tolerancia-com-2214-onibus-acima-de-11-anos-sistema-sptrans-da-capital-paulista-tem-164-de-toda-a-frota-envelhecida/

“Redução de frota a ponto de comprometer a execução dos serviços de transportes coletivos” – é o que diz a documentação oficial que consta na publicação desta sexta-feira, 10 de abril de 2026.

A medida ocorre porque eletrificação não avança como esperado e ônibus a diesel são proibidos.

Não bastassem poluir mais, ônibus destas idades na cidade de São Paulo, entre 11 e 13 anos (ou mais), não possuem itens de conforto como ar-condicionado e tomadas do tipo USB, para recarga de celulares. Estes itens são obrigatórios para os ônibus que entraram no sistema a partir de 2015.

Idade de ônibus não pode ser justificativa para quebras, mas devido ao uso intenso diário e às condições viárias, é natural que os coletivos mais antigos tendem a apresentar mais defeitos, parar, interromper viagens e acarretar em mais espera nos pontos, maior lotação e atrasos.

A cidade hoje possui em operação, cerca de 1,3 mil coletivos movidos a eletricidade, entre 189 trólebus e a, maioria, a bateria que precisam de recarga. Apesar de ser a maior frota deste tipo de coletivo no Brasil, o número de cerca de 1,3 mil em abril de 2026 está abaixo da meta que era de 2,6 mil até dezembro de 2026 e representa uma pequena parte da frota de cerca de 13 mil coletivos das empresas que prestam serviços no sistema municipal gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte).

Ocorre que, como desde 17 de outubro de 2022, por determinação da gestão municipal, as viações não podem mais comprar ônibus movidos a óleo diesel e a infraestrutura não avançou, a frota está ficando envelhecida. Por causa disso, em 2023, a SPTrans autorizou que, mediante a mais revisões, a idade máxima de cada ônibus subisse de 10 anos para 13 anos. Em 2026, excepcionalmente para os mídis (micrões), que contam com menos opções no mercado de elétricos, foram autorizados veículos com 14 anos de ano/modelo, chegando a 15 de fabricação.

Para dar conta do carregamento de 50 ônibus elétricos comuns ou 30 articulados, é necessário elevar a potência da rede de distribuição de baixa para média ou alta tensão, caso contrário pode “cair a energia” de bairros inteiros atendidos pelas atuais redes de baixa tensão, faltando fornecimento nas casas, estabelecimentos comerciais, hospitais e escolas. Além disso, as garagens e os bairros das garagens precisam ter subestações de energia como as que existem no metrô e trens.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, atribuiu o atraso na eletrificação ao fato de a Enel não fazer esta adequação na potência das redes e não realizar as ligações para as garagens, muito embora, apesar de especialistas concordarem com esta posição, indicam outros pontos, como a disponibilidade limitada de alguns modelos, como os próprios micrões muito usados nos bairros onde operam as empresas que surgiram de cooperativas de transportes, e até mesmo precipitação por parte de Nunes ao proibir ônibus a diesel, sem ter certeza da infraestrutura.

O Diário do Transporte esteve em diferentes garagens e, principalmente entre 2024 e 2025, constatou dezenas de ônibus elétricos parados, 0 km, sem poder funcionar porque não conseguiam carregar as baterias.

O atraso na eletrificação abriu margem para o debate de outras alternativas ao diesel, como os ônibus movidos a biometano (combustível obtido com a decomposição de resíduos). Tanto é que a meta para 2028 foi mudada. O número de coletivos foi alterado para 2,2 mil e o termo não poluentes (referindo-se aos elétricos) foi trocado para mais sustentáveis ou menos poluentes que o diesel.

A empresa concessionária de transportes, Sambaíba, que opera na zona Norte, iniciou em 2024, inclusive, um projeto com a fabricante MWM de conversão de ônibus 0 km a diesel em modelos a biometano.

Exemplos dos aditivos contratuais

Observação: São com todas as empresas

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Arthur Ferrari

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Comentários

Comentários

  1. J. Alberto disse:

    Como se não bastasse todo o transtorno que a Enel gerou ultimamente, agora a cidade de São Paulo entra numa situação ainda mais difícil por causa dessa concessionária de energia, já que a parca eletrificação das garagens está obrigando as empresas de ônibus a dependerem mais do que deveriam do diesel que aumentou muito de preço.

    Parabéns Enel por conseguir prejudicar ainda mais a cidade!

    Mais dinheiro do cidadão indo pro ralo pra pagar diesel caro!

    Frota mais velha ainda e custando ainda mais caro para ser reabastecida!

    Mais tempo ainda para que a eletrificação seja concluída. Mais frota sucateada por um tempo.

    1. William Santos disse:

      Claro! A culpa é só da Enel! Não é do incompetente do prefeito tambem, ne?

      Igual os oninus GNV, a culpa não é do prefeito, é só da ComGas

      1. J. Alberto disse:

        Entendi seu ponto. Também acho que o prefeito fez uma besteira muito grande proibindo novos ônibus a diesel. Mas a proibição de compra de ônibus a diesel já vai fazer 5 anos em breve. 5 anos não serão suficientes pra eletrificar tudo? Precisaremos de mais 5 anos? Então sim, a Enel merece sim muita culpa por não conseguir entregar uma estrutura adequada em CINCO ANOS

  2. GERSON CARVALHO disse:

    Bom dia a todos!

    Esta Lei, proibindo ônibus a diesel, foi muito prejudicial, pois os novos chassis Euro 6 são bem menos poluentes que os Euro 5 e poderiam ser uma solução para melhoria do sistema, como já acontece nas empresas onde são permitidas estas aquisições.

    E, falando sobre o avanço da idade de circulação dos ônibus, não podemos esquecer que o mesmo ocorre com a Next Mobilidade: Frota de 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, rodando de maneira precária: Sujos, mal conservados, sempre com avarias.

    Até mesmo os modelos de 2017, 2018 (primeiro lote do RJ que chegou, com ar-condicionado), estão pedindo aposentadoria.

    Se nem os carros de 2011 ela pensa em baixar, quem dirá os menos antigos…

    Abraços,

    GERSON CARVALHO

  3. Santiago disse:

    A Enel é uma fornecedora com a sua cota de responsabilidade, porém não é a culpada.
    Cabe à gestão municipal conhecer a realidade estrutural da cidade que administra, e ir implementando as mudanças progressivamente e conforme a situação do momento o vá permitindo.
    Deveriamos ter uma frota plenamente atualizada, combinado ônibus elétricos, hibridos, GNV e Euro-6. Tudo feito gradativamente com seriedade e inteligência.
    Porém seriedade e inteligência é o que mais falta na atual gestão, e o próximo(a) prefeito(a) que se prepare para a zorra e a m… toda que vai herdar.

  4. Emerson Barbosa disse:

    Boa tarde caro Amigo Bazani,poderia fazer uma matéria sobre o reflexo que esses carros vem causando na saúde física e mental de nós profissionais da categoria,hj me encontro com crise de ansiedade que desencadeou para fibromialgia crônica,Hérnias de disco e fora diabetes,os empresários estão apenas focados em computar as partidas e colocam os carros com manutenção zero de qualidade e nós motoristas na linha de fogo por que se vc computar as partida no pico e entre pico,se o veículo vier a quebrar o subsídio vem do mesmo jeito, veículos totalmente sem condições de trabalho porém não podemos deixar de pegar o veículo pois sofremos fortes represálias por parte de outros profissionais da categoria como Coordenador e plantonistas de frota,a categoria está escassa devido a muitas coisas erradas que ocorrem no sistema,vale apena uma matéria investigativa sobre o assunto.
    Abço meu Amigo

  5. rs6511900 disse:

    Famoso dito, “passou as carroças na frente dos bois” faz total sentido, aí o prefeito nunca é culpado sempre joga a culpa em terceiros
    O mínimo era primeiro estrutura depois a troca da tecnologia mas isso não importa. O importante é entregas os ônibus sem estrutura pra sair nas mídias

  6. Beto disse:

    Nunca pensou em um onibus híbrido,veiculo sobre trilhos,especialistas de ar condicionado

  7. Gabriel Silva disse:

    O sistema vai colapsar por falta de motoristas mesmo

  8. Marcos Borges do Carmo disse:

    Esses onibus velhos de 2011 em diante serão eternos.Como já falaram mais acima e concordo esse (infeliz) decreto do Prefeito proibindo os ônibus a diesel prejudicou demais a renovação da frota. E concordo também que falaram que os ônibus motor Euro 5 e 6 são bons pro ar ficar menos poluído.Mas o espetacular Prefeito quis INVENTAR.E o resultado é o que esta aí.

  9. SERGIO SANTOS disse:

    Parabéns ao prefeito incompetente pela sua ideia de jerico. Ao invés de promover uma transição para eletrificação, combinado com veículos novos a diesel euro 6 (até 90% menos poluentes), proibiu a compra destes em detrimento de um sistema que, sabidamente, não é exequível em curto prazo. O resultado não poderia ser outro: frota velha, cara de se manter e mais poluente nas ruas. Ou seja, ele está contribuindo para piora na qualidade do ar pois ainda existem alguns veículos euro 3 rodando nas ruas com essa medida de prolongar a vida útil de veículos mais poluentes. Realmente a cidade tem o prefeito que merece pois aceita tudo calada.

  10. Paulo disse:

    E a segurança dos passageiros?A maioria destes veículos não tem manutenção preventiva

  11. Rodrigo Zika! disse:

    Isso já era óbvio, a 2704 da Transunião que passa aqui perto de casa está cheia de Apache VIP 1.

  12. Reginaldo disse:

    Só ouvi críticas ao Prefeito por pessoas que não entendem o sistema, o fato de ônibus ter 11 ou 12 anos de uso ou mais não significa motivo para quebra ou impossibilidade de rodar tudo depende da manutenção, por exemplo um ônibus com 12 anos de uso mas com sua manutenção em dia é até melhor na operação do um ônibus com 6 anos de uso com uma péssima manutenção,, acho que o Prefeito Ricardo Nunes vem sendo muito corajoso e correto ao exigir somente ônibus elétricos batendo de frente com amarrado sistema que insiste em querer introduzir ônibus a diesel que pode ficar mais caro devido ao conflito de EUA e Irã fora a poluição que gera, também entendo que poderia abrir um espaço para veículos a gás que na minha visão pode ser usado nas Linhas de ônibus do sistema local e regional, agora o Diesel tem que ser banido do sistema, acredito que o Prefeito está no caminho correto e São Paulo vai colher bons frutos no futuro com uma frota de ônibus limpos

    1. Santiago disse:

      Duas coisas:
      – Aqui em São Paulo os ônibus não passam por manutenções preventivas ou corretivas, por mais que isso seja obrigatório em contrato!
      A regra aqui é: Só vai pra oficina quando enguiça de vez!!! E ‘remenda’ ele o mais rápido e barato possível!!!
      Pergunte pra qualquer motorista de ônibus daqui.

      – Em nenhum lugar do mundo alguma grande cidade conseguiu eletrificar a sua frota em poucos anos. Muito menos sem um planejamento técnico, ou valendo-se apenas de canetadas amadoras
      Coragem e inteligência, são definitivamente duas coisas que Ricardo Nunes NÃO TEM!

      1. Marcos disse:

        Concordo com tudo que vc falou Santiago.Mas o cara acima de você que fez o comentário dele defendeu o Prefeitinho e disse que ” ele tá fazendo uma ótima gestão do transporte público ” e no futuro colheremos “bons frutos ” da “ótima ” política de transporte que ele está fazendo. Eu concordo com vc.Mas o cidadão que escreveu acima de vc disse que não entendemos nada do sistema,só ele entende

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