Linha 17-Ouro de monotrilho será entregue à população da capital paulista nesta terça-feira (31)

Modal irá conectar a cidade de São Paulo ao Aeroporto de Congonhas e deve transportar cerca de 100 mil passageiros por dia

VINÍCIUS DE OLIVEIRA

O Governo de São Paulo e o Metrô entregam, nesta terça-feira (31), a Linha 17-Ouro, que amplia a mobilidade na Região Metropolitana da cidade, ligando o Aeroporto de Congonhas às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás. O ramal deve transportar cerca de 100 mil passageiros quando entrar em operação plena, prevista para outubro.

Nesta fase inaugural, o ramal realizará operação transitória, com transporte de passageiros disponível de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Excepcionalmente, nesta terça, por conta da cerimônia de inauguração, a Linha 17 vai abrir ao público das 16h às 20h.

O monotrilho da linha 17 foi um projeto que integrava a matriz de mobilidade para a Copa do Mundo no Brasil em 2014 e foi concebida, inicialmente, para ser mais ampla e atender a uma demanda maior. Deveria ter sido entregue até o mundial, mas acabou enfrentando diversas situações de engenharia, como necessidades de mudanças de projetos e encontros de galerias, legais, como contestações judiciais sobre licitações envolvendo obras e fornecimento, além de esclarecimentos junto ao TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) e até empresariais, como a falência da fornecedora tailandesa de trens Scomi. Agora as composições são de responsabilidade da chinesa BYD, a mesma que faz ônibus elétricos.

O projeto original da Linha 17-Ouro previa 17,7 km ligando Jabaquara (Linha 1-Azul) a São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela), com uma demanda de 300 mil passageiros por dia.

Nesta fase, entretanto, serão apenas 6,7 km (Washington Luís, Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi). A demanda prevista é de 100 mil passageiros por dia por causa das conexões Aeroporto de Congonhas à Linha 5-Lilás (Campo Belo) e Linha 9-Esmeralda (Morumbi).

Apesar de menor e com capacidade reduzida, o sistema de trens leves em elevados vai ficar bem mais caro, passando de R$ 3,7 bilhões, quando foi estimado, para R$ 6,2 bilhões.

Ainda de acordo com Tarcísio de Freitas, o monotrilho da linha 17 vai inicialmente operar das 10h às 15h, só indo até Congonhas, com quatro trens. Somente depois a operação será até o ramal a Washington Luiz.

Além de diminuir o tempo de viagem e estabelecer a aguardada conexão com o aeroporto, o projeto prevê a integração com linhas de ônibus e ciclovias.

Nesta fase inicial, os trens circularão com tempo de espera médio entre 7 e 14 minutos, em formato de shuttle (cada composição vai e volta pela mesma via), entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi. As viagens contarão com a supervisão de funcionários embarcados, procedimento padrão nas novas linhas de metrô.

A operação transitória permite acompanhamento técnico e regulações dos sistemas e a verificação contínua da confiabilidade operacional. O objetivo é garantir segurança e qualidade no atendimento aos passageiros do início do serviço até a evolução para a operação em tempo integral, das 4h40 à 0h.

O trajeto vai contar com sete, das oito estações abertas ao público: Morumbi (conexão com a Linha 9-Esmeralda), Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo (integração à Linha 5‑Lilás), Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas.

Estação Washington Luís

A estação não estará no funcionamento inicial para não impactar a experiência do passageiro com um significativo aumento no tempo de espera dos trens, já que essa parada demanda utilizar a bifurcação da linha. Sua integração está prevista para junho de 2026, ocasião em que novos trens serão adicionados para garantir eficiência no intervalo de circulação.

Características e funcionamento das estações

Todas as estações da Linha 17-Ouro contam com dois acessos bem integrados ao entorno urbano, facilitando a entrada e a saída dos passageiros. Elas são totalmente acessíveis, com elevadores, escadas rolantes, pisos táteis, sanitários adaptados e sinalização adequada, garantindo autonomia e conforto a pessoas com mobilidade reduzida.

As estações também contam com portas de plataforma e espaços dedicados para guarda de bicicletas (paraciclos, além de um bicicletário na Estação Morumbi), integrados a ciclovias existentes, incentivando a mobilidade ativa e a integração entre diferentes modos de deslocamento. Nos acessos, há baias para embarque e desembarque de veículos (táxis, aplicativos) e pontos de ônibus.

Nesta fase inicial de operação, as passarelas e túneis acompanharão o horário de funcionamento das estações, das 10 às 15h. Vale ressaltar que tanto passarelas quanto o túnel do aeroporto de Congonhas são acessíveis por todos os cidadãos, independentemente de estarem ou não embarcando nos trens, o que facilita a mobilidade, a travessia da avenida Roberto Marinho e o acesso ao aeroporto. Quando as estações estiverem em pleno funcionamento, os acessos seguirão os mesmos horários.

Trens tecnológicos

Cada um dos 14 trens da frota, todos já fabricados na China, tem capacidade para 616 passageiros. Desse total, 11 unidades já estão no Pátio Água Espraiada, sendo oito já comissionados, que é o processo de cumprimento dos protocolos de testes de segurança e liberação para operar. As outras três composições estão a caminho do Brasil por navio e a utilização de mais trens na operação comercial é ampliada gradualmente conforme a ampliação da demanda, seguidas de ajustes nos sistemas de controles.

Os trens desta linha foram projetados para funcionar com o sistema UTO (Unattended Train Operation), sem condutor, com controle por sinalização CBTC. Cada composição é formada por cinco carros, com passagem livre entre eles, ar‑condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância, sistemas de detecção e combate a incêndio e tração sobre pneus. Um dos destaques é o conjunto de baterias embarcadas, que permite ao trem se deslocar mesmo em caso de falta de energia, reforçando a segurança e a confiabilidade da operação.

Linha 17-Ouro

Com 6,7 quilômetros de extensão e oito estações, a Linha 17‑Ouro ampliará a integração entre o transporte sobre trilhos, o aeroporto e outros modais da capital. A entrada em operação do novo ramal representa um avanço importante para a mobilidade urbana e para a qualificação dos deslocamentos na região sul de São Paulo.

O monotrilho oferece vantagens em alguns cenários, como o eixo da Av. Roberto Marinho, por ser elevado e ocupar os canteiros centrais, o que reduz desapropriações e impacto nos bairros. Suas estações têm infraestrutura completa, com elevadores, escadas rolantes, paraciclos e integração com ciclovias. Além disso, sua implantação requalifica o entorno com áreas verdes, paisagismo e conexões cicloviárias contínuas, como já visto na Linha 15‑Prata.

A operação elétrica do sistema também garantirá uma redução anual de 25.937 toneladas de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, reforçando o compromisso ambiental da empresa. O novo eixo de transporte ainda contribuirá para reduzir significativamente o uso do transporte individual, com economia estimada de 11,7 milhões de litros de combustíveis por ano, diminuindo congestionamentos e incentivando deslocamentos sustentáveis.

SERVIÇO – LINHA 17‑OURO (OPERAÇÃO TRANSITÓRIA)

Início da operação: 31 de março, terça-feira

Dias de funcionamento: segunda a sexta‑feira (inclusive feriados)

Horário: das 10h às 15h. Na terça-feira, 31, data de inauguração, funcionará excepcionalmente das 16h às 20h.

Tempo médio de espera: entre 7 e 14 minutos

Estações em funcionamento: Morumbi; Chucri Zaidan; Vila Cordeiro; Campo Belo (integração com a Linha 5‑Lilás); Vereador José Diniz; Brooklin Paulista; Aeroporto de Congonhas

Confira mais imagens da Linha 17-Ouro:

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Osnir disse:

    Gostaria de saber se existe algum projeto ou estudo em andamento para a implantação de uma linha de ônibus que faça a integração entre as estações da região.

    Atualmente, o acesso a pé até as estações é bastante difícil, o que acaba dificultando o embarque e desembarque dos passageiros, especialmente para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e em horários de maior movimento.

    A criação de uma linha de ônibus com trajeto entre as estações facilitaria muito o deslocamento da população, aumentaria a acessibilidade ao transporte público e incentivaria o uso das estações.

  2. Mario Aquino disse:

    De lugar algum para lugar nenhum.

  3. cosme do Nascimento disse:

    Parabéns por pensar no transporte público, parabéns a todos, inclusive o governador Tarcísio, Brasil tão rico,e nuncaaaaaaa se investe no transporte,o povo são transportados pior que bicho, mais transporte público, menos congestionamento

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