Eletromobilidade

Prefeitura do Rio firma acordos com BYD e Marcopolo para testes de ônibus elétricos e amplia fase experimental

Parcerias têm vigência até 30 de abril e reforçam estratégia baseada em demonstrações com múltiplos fabricantes antes de decisões de escala

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), firmou dois acordos de cooperação técnica com as fabricantes BYD do Brasil e Marcopolo para o desenvolvimento de projetos de demonstração de ônibus elétricos. Os extratos foram publicados no Diário Oficial e indicam que ambas as parcerias seguem o mesmo modelo e têm vigência até 30 de abril de 2026.
No caso da BYD, o acordo (nº 03/2026) foi assinado em 10 de março. Já o ajuste com a Marcopolo (nº 04/2026) foi firmado em 16 de março. Em ambos os casos, o objeto é “conjugar esforços” para a realização de atividades previstas em plano de trabalho voltado à demonstração da tecnologia elétrica.
Mesma estratégia, mais fabricantes
Na prática, as parcerias reforçam a estratégia da SMTR de ampliar o número de fabricantes testados em operação real, dentro de um modelo em que:
• empresas apresentam seus veículos;
• assumem parte da estrutura necessária;
• e a prefeitura coleta dados técnicos.
BRT como laboratório de eletrificação
Os acordos com BYD e Marcopolo se somam a uma sequência de testes já em andamento no sistema BRT, que vem sendo utilizado como ambiente de validação operacional.
Nos últimos meses, o município já iniciou testes com:
• ônibus elétrico da Higer no serviço Conexão BRT;
• tecnologia nacional da Eletra;
• outros fabricantes habilitados por chamamento público.
Esse ciclo foi estruturado desde 2025, quando a prefeitura autorizou a realização de testes com diferentes empresas interessadas em participar do processo de eletrificação da frota.
Telemetria e dados como base da decisão
Outro ponto central dessa estratégia é a exigência de coleta de dados operacionais detalhados.
Os testes têm como foco avaliar:
• consumo energético;
• autonomia real;
• desempenho em operação urbana;
• necessidades de recarga;
• impactos operacionais e de manutenção.
Essas informações devem subsidiar futuras decisões sobre:
• modelagem de contratos;
• viabilidade econômica;
• eventual substituição da frota a diesel.
Prazo curto reforça caráter experimental
Tanto o acordo com a BYD quanto o firmado com a Marcopolo têm prazo encerrando em 30 de abril de 2026, o que reforça o caráter pontual e experimental das iniciativas.
O modelo adotado até agora indica uma política baseada em etapas:
1. chamamento público para atrair fabricantes;
2. testes em operação real;
3. coleta de dados técnicos;
4. avaliação antes de qualquer decisão de escala.
A movimentação do Rio de Janeiro acompanha uma tendência nacional: cidades avançam na fase de testes, mas ainda não estruturaram modelos definitivos de financiamento e contratação da eletrificação
Apesar do avanço técnico, ainda não há definição pública sobre:
• fontes de financiamento;
• subsídios;
• divisão de custos entre operadores e poder público;
• cronograma de substituição da frota.
Nesse contexto, os acordos com BYD e Marcopolo ampliam o aprendizado operacional — mas mantêm o processo no campo da experimentação.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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