Preço do óleo diesel sobe 20% no mês, aponta IBPT, e eletrificação e biometano ganham espaço nos debates para transporte público

Somente no Rio Grande do Sul, 142 prefeituras notificaram problemas de abastecimento à Federação das Associações dos Municípios, no Estado: ônibus e outros serviços essenciais em alerta

ADAMO BAZANI

O preço do óleo diesel S-10 comum, usado pela frota de ônibus e caminhões pelo País, desde 1º de março de 2026, teve aumento acumulado de 19,71% para os consumidores finais, em média, em todo o Brasil.

A principal causa é o conflito entre Estados Unidos-Israel e Irã, mas também a especulação e problemas de distribuição têm sido fatores que contribuem para esta extrema alta.

O levantamento é do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) que mostra que no primeiro dia do mês, o preço médio era de R$ 5,43 por litro e, agora, já ultrapassa de R$ 6,50.

Como tem mostrado o Diário do Transporte, o Governo Federal adotou medidas diretas, como a isenção do PIS-Cofins (reduzindo R$ 0,32 por litro nas refinarias) e mais um subsídio direto de R$ 0,32, resultando num alívio de R$ 0,64 por litro nas distribuidoras, representando renúncia fiscal de R$ 30 bilhões, compensada pelo aumento da alíquota das exportações do combustível. Também foram anunciadas ações que podem impactar de forma indireta, como o maior rigor na fiscalização sobre os preços mínimos do frete.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/03/19/governo-federal-edita-mp-que-endurece-fiscalizacao-do-piso-minimo-do-frete-rodoviario-risco-de-desabastecimento-em-garagens-de-onibus-e-alto/

São ações consideradas importantes, sem elas a situação seria pior, mas ainda consideradas insuficientes.

Não bastassem os preços, o racionamento já é realidade em diversas partes do País e o que era pontual, está se expandindo, muito embora, ainda não generalizado.

Frotas de ônibus urbanos e até mesmo a disponibilização de carros e viaturas para serviços essenciais já têm passado por reduções esporádicas.

Um exemplo é que na última semana, ao menos 142 prefeituras notificaram problemas de abastecimento à Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

Em outros estados, a situação não é tão diferente.

Neste debate, apesar das limitações ainda em relação a infraestrutura de recarga e distribuição, ganham espaço alternativas ao diesel, em especial para o transporte público, como a adoção de ônibus elétricos e o desenvolvimento de modelos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).

O que especialistas apontam é que, em vez de apostar em uma só fonte de energia para o deslocamento de produtos e de pessoas, o Brasil precisa reformular a matriz transformando em “matrizes” energéticas.

Além disso, o fortalecimento e expansão dos transportes ferroviários devem também estar no radar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    No caso específico do Brasil, com todo o seu parque e a sua logística do petróleo, 10% de aumento já estaria além do máximo justificável.
    Essa subida de 20% é essencialmente especulativa, inclusive com o endosso informal de alguns setores políticos (alguém duvida?).

    Se isso não for devidamente enquadrado como o caso de polícia que de fato é, não haverá biometano ou eletrificação que amenize os preços do diesel.
    Pelo contrário, essas alternativas é que correm o risco de terem os seus preços pareados ao petróleo. Tal como foi feito com o etanol, após o advento da tecnologia flex.

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