Biometano ou eletricidade? São José dos Campos (SP) mostra que um pode gerar energia para o outro. Sem brigas
Publicado em: 10 de março de 2026
De acordo com prefeitura, “gás do lixo” hoje responde 30% do consumo de energia de prédios públicos, como hospitais e escolas municipais
ADAMO BAZANI
Enquanto, no mercado de transportes e geração de energia, refletindo já no período pré-eleitoral, biometano/GNV e eletromobilidade correm o risco caírem na rivalidade do clima de “fla x flu”, é possível que, na prática, um colabore com o outro, resultando em medidas sustentáveis de fato: do ponto de vista ambiental, é verdade, mas também atendendo a outros pilares da sustentabilidade, que são o econômico e o social.
Pelo menos é o que quer provar uma cidade do interior de São Paulo.
Nesta segunda-feira, 09 de março de 2026, a prefeitura de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, enviou nota oficial ao Diário do Transporte, com o seguinte balanço: uma usina de biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos) ajudou o município a economizar quase R$ 2,8 bilhões (R$ 2.798.399,38) em 2025 nas contas de eletricidade, gerando energia limpa e reduzindo a emissão de gás metano (CH4).
Segundo a administração municipal, o resultado corresponde a 40% dos custos do município com a rede elétrica. Essa economia permitiu que R$ 233 mil mensais deixassem de ser pagos às concessionárias de energia para serem revertidos em outras áreas prioritárias da cidade.
Ainda de acordo com a gestão, o “gás do lixo” hoje responde 30% do consumo de energia de prédios públicos, como hospitais e escolas municipais.
A unidade de geração de energia fica no aterro sanitário e é operada pela Urbam, que é a empresa de gestão da prefeitura. A estrutura utiliza seis motores com capacidade de 1,6 MWh.
A prefeitura ainda relembrou que o metano é um poluente agressivo, que é liberado na decomposição é 21 vezes mais impactante para o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2). Em vez de permitir que esse gás escape para a atmosfera e contribua com o aquecimento global, a unidade de biogás o captura e o converte em energia limpa.
A unidade ainda não abastece os ônibus elétricos da cidade, mas com a ampliação, a estimativa é colaborar.
A aposta do município, que diz que tem colhido resultados econômicos, sociais e ambientais, é que a geração de energia elétrica tenha diversas fontes, enquanto os ônibus propriamente dito, sejam elétricos, uma vez que a administração constatou que ao longo da vida útil, estes veículos têm custos operacionais menores que os modelos a diesel ou mesmo movidos a biometano, emitem zero poluição no funcionamento local e têm índices de ruídos e vibração bem menores, inclusive na comparação com os coletivos a biometano ou GNV (Gás Natural Veicular). Os passageiros têm preferido os ônibus elétricos não apenas pelas emissões, mas, principalmente pelo conforto, que é maior que de outros modelos.
A cidade tem investido na eletrificação da frota do transporte coletivo municipal. Como tem mostrado o Diário do Transporte, a prefeitura tem recebido gradativamente os ônibus elétricos de piso baixo por meio de um contrato de locação de 400 veículos deste tipo, desde o ano de 2025, e possui já 12 coletivos articulados também elétricos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Sim, uma excelente proposta!
E melhor ainda que embasada em algo que já existe e funciona, só precisando ampliar a sua capacidade para atender também ao transporte. Não sendo totalmente dependente da eletricidade de rede, cujo fornecinento é naturalmente sujeito a eventuais variáveis e imprevistos.
Resta ainda o desafio em relação ao preço de aquisição dos ônibus a bateria, cuja régua insiste em não baixar…Três vezes o valor de um Euro-6 equivalente, não cola mais.
As atuais expertise tecnológica, logística industrial, e escala de produção, já permitem praticar preços muito mais amigáveis.
Está faltando uma boa vontade da industria aí…
Importante lembrar, que parte da energia contida no biogás do aterro é perdida pela baixa eficiência (cerca de 40%) dos motores a combustão que acionam os geradores de energia elétrica que alimentariam os ônibus elétricos, se esses estivessem conectados a esse sistema de geração elétrica a partir do gás do aterro.
Do ponto de vista do aproveitamento energético, daria praticamente no mesmo, ao invés de ônibus elétricos, alimentar diretamente uma frota de veículos com motores a gás movidos com o biometano.
Entretanto, do ponto de vista econômico, seria necessário comparar o custo do sistema como um todo, nos dois cenários cuja estrutura física é totalmente diferente.
De um lado, tem-se uma frota de ônibus elétricos, moto geradores movidos a biogas bruto captado do aterro e toda estrutura de carregamento elétrico dos ônibus.
No outro cenário, uma frota de ônibus a gás, mais baratos, uma cara planta de geração de biometano, e os equipamentos de compressão, armazenagem e carregamento dos veículos.
Tudo isso operando dia e noite durante anos com seus respectivos custos operacionais.
A economia circular dá lucro para quem a usa, mas também implica diferentes custos, a depender da rota escolhida para utilização do gás. Esse estudo deve sempre preceder as decisôes técnicas.
A pergunta que fica é: SJ dos Campos fez esses estudos?