Marcopolo fecha 2025 com maior faturamento já registrado impulsionado por avanço no exterior
Publicado em: 26 de fevereiro de 2026
Encarroçadora registrou receita líquida de R$ 9,06 bilhões, 5,4% maior em relação ao ano anterior
ARTHUR FERRARI
A Marcopolo divulgou nesta quarta-feira (26) os resultados financeiros consolidados de 2025, encerrando o quarto ano consecutivo com números recordes. A companhia registrou receita líquida de R$ 9,06 bilhões, alta de 5,4% em relação a 2024, e lucro líquido de R$ 1,23 bilhão. O desempenho foi sustentado, principalmente, pela ampliação das exportações e pelo crescimento das operações industriais no exterior.
Do total faturado, os negócios internacionais responderam por 45,4% da receita líquida. As exportações a partir do Brasil somaram R$ 1,14 bilhão, crescimento de 31,1% em um ano, enquanto as unidades fabris fora do país alcançaram receita de R$ 2,96 bilhões, avanço de 32,3%. Em 2024, a participação externa era de 36,3%.
A produção consolidada em 2025 foi de 15.024 veículos, volume próximo ao registrado no ano anterior, quando foram fabricadas 15.289 unidades. Segundo a empresa, a estabilidade reflete a acomodação da demanda no mercado interno, compensada pela expansão em outros países. A Marcopolo manteve a liderança no mercado brasileiro de carrocerias de ônibus.
Ao longo do ano, a companhia também registrou avanços operacionais, como o lançamento de novos modelos durante a Busworld, na Europa, e a ampliação da produção local da geração G8 em fábricas da África do Sul, China e México. Em 2025, ocorreu ainda a primeira exportação da divisão ferroviária da empresa, com a entrega de três composições de trens ao Chile.
No quarto trimestre de 2025, a receita líquida consolidada atingiu R$ 2,57 bilhões, em linha com o mesmo período de 2024. A produção foi de 3.803 unidades. O EBITDA totalizou R$ 426 milhões, com margem de 16,6%, enquanto o lucro líquido somou R$ 341,7 milhões.
“O ano de 2025 demonstrou a resiliência e o acerto da nossa estratégia global. Alcançamos resultados recordes em operações importantes como na Argentina e na Austrália, que, somados ao crescimento das exportações, foram fundamentais para equilibrar os desafios de um mercado interno impactado pelos juros altos. Essa diversificação geográfica, aliada a um mix de produtos variado, demonstra nossa capacidade de gerar valor de forma sustentável”, afirmou Pablo Motta, CFO da Marcopolo.
A empresa encerrou 2025 com endividamento financeiro líquido de R$ 1,48 bilhão. No segmento industrial, a dívida líquida correspondeu a 0,2 vez o EBITDA acumulado dos últimos 12 meses.
Para 2026, a Marcopolo projeta retomada gradual do mercado brasileiro a partir do segundo semestre, condicionada à expectativa de redução das taxas de juros. A companhia prevê oportunidades na renovação de frotas urbanas, com foco em veículos de propulsão alternativa, além do segmento de micro-ônibus, impulsionado por programas governamentais como o Caminho da Escola e fornecimentos ao Ministério da Saúde. As operações internacionais seguem como eixo estratégico, com carteira relevante de pedidos na Austrália, incluindo ônibus elétricos, e expansão em mercados como Europa, América do Norte e no segmento ferroviário.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

