SPTrans chama para vistoria 80 ônibus por dia, de uma frota total de 13,4 mil coletivos, dos quais 2,2 mil com 11 anos ou mais

Renovação de frota tem sido dificultada por causa de infraestrutura insuficiente para avanço de elétricos

ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari

Na manhã desta quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026, um ônibus articulado pegou fogo na Avenida Rebouças, uma das mais movimentadas da capital paulista, travando o trânsito, inclusive para acesso a unidades de saúde de grande demanda, como o Hospital das Clínicas e Hospital do Coração.

As causas estão sendo apuradas, mas o coletivo, da empresa Transppass tem 12 anos.

De ano/modelo 2014, pelo contrato regulamentar deveria ter sido desativado em 2024, ou seja, 10 anos de uso. Mas, a SPTrans prorrogou para 13 anos o limite de todos os modelos e, no caso dos mídis (micrões), esse prazo para a troca foi para 14 anos de modelo e até 15 de fabricação, neste ano de 2026.

Antes que todos reclamem do texto: não, idade do ônibus não é pretexto para panes e falhas e o que importa é a manutenção. Isso todos sabem e nem precisa falar.

Mas é natural também que quanto mais antigo seja um veículo, por mais que haja conservação, a propensão de apresentar problemas é maior, ainda mais de amplo uso comercial, em rotas severas como é com ônibus.

80 CHAMADOS PARA VISTORIA POR DIA DE UMA FROTA DE 13,4 MIL, SENDO QUE 2,2 MIL COM 11 ANOS OU MAIS

A SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema municipal de ônibus da capital paulista, convoca para vistoria aproximadamente 80 coletivos por dia, o que corresponde a 0,6% de toda a frota de 13,4 mil (12 mil escalados e o restante em reserva). Cada vistoria tem a validade de cerca de seis meses, em média.

Neste ritmo, se as vistorias fossem feitas todos os dias do ano, sem parar em folgas e feriados, para avaliar todos os ônibus, seriam necessários 168 dias, dentro, portanto, da margem de 180 dias (seis meses) de intervalo. Mas a questão não é só numérica. É ponderar também a idade da frota, o nível de conservação e a severidade do uso dos veículos.

A informação está em resposta ao Diário do Transporte que, em janeiro de 2026, mostrou que existem na cidade, 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos.

A idade máxima de 10 anos foi prorrogada porque desde 17 de outubro de 2022, as empresas não podem comprar coletivos a diesel 0 km. Como não há infraestrutura de rede de distribuição para dar conta de um avanço maior dos ônibus elétricos, a prefeitura decidiu dar essa tolerância às empresas ampliado para 13 anos, mas no caso dos mídis, os micrões, esta idade máxima foi ampliada para 14 anos de modelo e até 15 anos de fabricação.

O *Diário do Transporte* flagrou ônibus nestas condições.

A justificativa é de que ainda há poucas opções deste tipo no mercado de elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/01/27/exclusivo-micrao-midi-ganha-mais-um-ano-de-tolerancia-com-2214-onibus-acima-de-11-anos-sistema-sptrans-da-capital-paulista-tem-164-de-toda-a-frota-envelhecida/

Segundo a SPTrans, os ônibus que doam na faixa acima de 10 anos são vistoriados mais frequentemente.

A eletrificação parece avançar um pouco mais rapidamente agora, mas não o suficiente.

São cerca de 1,2 mil da frota de 13,4 mil.

O ônibus que pegou fogo na Rebouças é do tipo articulado, grande. O Diário do Transporte noticiou que nesta semana, a cidade começou a receber um lote inicial de 27 unidades de um modelo superarticulado, para 150 pessoas casa, de tecnologia nacional, que vai rodar na zona Leste.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/02/04/sao-paulo-tera-os-primeiros-27-onibus-eletricos-superarticulados-com-tecnologia-brasileira-eletra-para-a-metropole-paulista/

Se ambientalmente, a eletrificação reduz a poluição local, do ponto de vista financeiro para a cidade também pode ser um bom negócio.

Planilhas oficiais da SPTrans mostram que a operação de ônibus elétricos pode ser 65% mais barata por quilômetro que o óleo diesel. Como os elétricos duram mais que os modelos a combustão, ao longo de toda a vida útil, estes modelos são financeiramente mais vantajosos, mostram as planilhas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/01/06/exclusivo-avanco-em-eletrificacao-poderia-resultar-em-tarifas-e-subsidios-menores-em-sao-paulo-em-medio-prazo-operacao-de-onibus-eletrico-natalino-saiu-65-mais-barata/

A prefeitura acusa a ENEL de não ampliar a tensão da rede de distribuição e fazer as ligações das ruas para as garagens no tempo necessário para acompanhar a necessidade de troca de ônibus.

A ENEL, por sua vez, diz que semanalmente conversa com a prefeitura e viações e que depende que as empresas de ônibus enviem os projetos corretos de adequação das garagens.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. ansuleonel disse:

    Moro na região de Guaianases e o mais vejo circular são veículo com ano de fabricação de 2014.

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Muito pouco isso.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading