Eletromobilidade

Confira a abertura do Fórum de Transição Energética do DETRO-RJ

Evento reúne gestores, operadores e especialistas em meio ao processo de preparação da nova licitação do transporte intermunicipal, com foco em eletrificação de frotas, fontes de energia limpa e financiamento da descarbonização no estado

ALEXANDRE PELEGI

Começou hoje o Fórum de Transição Energética, promovido pelo DETRO-RJ. O evento vai desta terça-feira, 3, até quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, reunindo gestores públicos, operadores, especialistas e representantes da indústria para discutir os impactos técnicos, regulatórios e econômicos desse novo desenho contratual e operacional.

O transporte intermunicipal do Estado do Rio de Janeiro atravessa um momento de inflexão histórica. Às vésperas de uma nova licitação para a operação do sistema, o governo fluminense decidiu romper com o modelo tradicional de cobrança de outorga financeira e substituir essa lógica por um eixo considerado estratégico: a transição energética da frota.

Em vez de exigir pagamento direto das concessionárias vencedoras, o Estado optou por converter o valor estimado da outorga em investimentos compulsórios em ônibus elétricos, veículos movidos a gás natural e biometano, além de toda a infraestrutura necessária para sua operação. Estão incluídos nesse pacote garagens adaptadas, sistemas de recarga elétrica, abastecimento de gás e planejamento logístico compatível com os novos modelos energéticos.

Programação do primeiro dia – terça-feira (03)

A programação desta terça começou às 9h com a solenidade de abertura, com a participação de secretários estaduais, dirigentes do setor de transportes, representantes de entidades nacionais e especialistas em mobilidade urbana.

Logo a seguir, teve a abertura do encontro. Confira as principais participações:

Raphael Salgado destaca papel dos servidores e diz que Fórum antecede “marco histórico” do transporte intermunicipal no RJ

Durante a abertura do Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, o presidente do Detro-RJ, Raphael Salgado (foto acima), destacou o papel dos servidores da autarquia, reforçou a responsabilidade institucional do órgão e afirmou que o evento ocorre em um momento estratégico, às vésperas da licitação do transporte rodoviário intermunicipal da Região Metropolitana.

Segundo Salgado, a transformação do sistema de transporte começa dentro da própria instituição, a partir das pessoas que fazem o Detro funcionar diariamente.

“Quando eu falo em servidores, eu falo de todos: fiscais, administrativos, estagiários, terceirizados, motoristas. Enfim, todas as pessoas que fazem o Detro funcionar todos os dias”, afirmou.

O presidente ressaltou que o Detro tem um papel central na vida da população fluminense e que cada decisão tomada pela autarquia tem impacto direto no cotidiano dos passageiros.

“O Detro é uma autarquia com história, com responsabilidade e com um papel central na vida de milhões de pessoas que dependem diariamente do transporte intermunicipal. Essa responsabilidade nunca foi — e nunca será — pequena.”

Raphael Salgado enfatizou ainda que mudanças estruturais no setor não acontecem de forma externa ou impositiva, mas a partir do compromisso interno com o serviço público.

“Nenhuma transformação real acontece de fora para dentro. Ela começa nas pessoas, na forma como encaramos o nosso trabalho e no compromisso de quem entende que cada decisão impacta diretamente a vida do cidadão.”

Ao destacar a atuação dos servidores, o presidente afirmou que o trabalho técnico e silencioso sustenta a autarquia.

“Nada do que estamos construindo seria possível sem o empenho diário dos nossos servidores, que muitas vezes não estão à frente, mas sustentam o Detro com dedicação, conhecimento, responsabilidade e espírito público.”

Salgado também agradeceu o apoio do governo do Estado e citou nominalmente autoridades pela confiança institucional no trabalho desenvolvido pelo órgão.

“Agradeço ao governador Cláudio Castro pela confiança e pela liberdade para conduzir um órgão técnico e estratégico essencial para o Estado. Esse respaldo institucional é fundamental.”

Ao tratar do momento regulatório vivido pelo setor, o presidente do Detro classificou a licitação do transporte intermunicipal metropolitano como um divisor de águas.

“Este evento acontece em um momento absolutamente estratégico. Em poucas semanas, teremos um marco histórico para o Estado do Rio de Janeiro, com a licitação de todo o transporte rodoviário intermunicipal da Região Metropolitana.”

Para Salgado, o fórum vai além de um encontro formal e integra o processo de construção das decisões que virão.

“Este fórum não é um evento protocolar. Ele é parte do caminho. Um espaço de reflexão, troca e construção coletiva, fundamental para fortalecer as decisões que estão por vir.”

Encerrando a abertura, o presidente reforçou a diretriz que, segundo ele, deve nortear a atuação do Detro.

“É exatamente assim que o Detro deve atuar: com técnica, diálogo, responsabilidade e foco permanente no interesse público.”

Maína Celidôno: desafios não se limitam ao alto custo de aquisição dos veículos

Durante a abertura do Fórum, a secretária municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Maina Celidônio, destacou que a descarbonização do transporte coletivo vai muito além da simples substituição de veículos e exige coordenação direta do poder público.

Segundo a secretária, a transição para frotas de emissão zero envolve uma complexidade estrutural e institucional que não pode ser resolvida apenas pelo mercado.

A questão da descarbonização e da emissão zero não é simplesmente uma troca de tecnologia. Não se trata apenas de substituir um ônibus a diesel por um elétrico ou por outra tecnologia. Estamos falando de um sistema inteiro, que envolve abastecimento, novas garagens, ligações elétricas e uma coordenação muito grande entre o setor elétrico, o poder público e os operadores”, afirmou.

Maina Celidônio ressaltou que os desafios não se limitam ao alto custo de aquisição dos veículos, mas principalmente à infraestrutura necessária para viabilizar a operação.

Vimos isso claramente em São Paulo. O desafio não é só comprar os ônibus, o que já exige investimentos elevados para estados e municípios, mas principalmente resolver a logística de carregamento e as conexões de média e alta tensão nas garagens”, disse.

A secretária explicou que o tema ainda é novo para muitas administrações públicas.

As secretarias, em geral, não têm hoje uma expertise consolidada nem equipes preparadas para lidar com essa nova realidade. É um processo complexo, que exige aprendizado institucional e planejamento”, avaliou.

Para ela, o protagonismo do setor público é essencial diante dos impactos sociais da transição energética.

Esse processo tem implicações diretas para a sociedade, especialmente na saúde pública. Não apenas no longo prazo, com as mudanças climáticas, mas no curto prazo, com a melhoria da qualidade do ar, a redução de doenças respiratórias e de internações, sobretudo de crianças e idosos”, afirmou, destacando também os ganhos na qualidade do serviço prestado aos usuários do transporte coletivo.

Branco, da ANTP: “Tecnologia sozinha não resolve se o transporte não melhorar como um todo”

Na abertura do Fórum o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Néspoli, o Branco, destacou que a descarbonização do transporte coletivo é um imperativo ambiental, mas alertou que o processo precisa ser conduzido de forma justa, inclusiva e compartilhada por toda a sociedade.

“A transição energética precisa ser justa e inclusiva. É fundamental considerar todos os atores envolvidos nesse processo. A descarbonização é um desejo, uma necessidade, um imperativo. Ela melhora o ar que respiramos nas cidades e a qualidade de vida da população”, afirmou.

Segundo Branco, o avanço tecnológico necessário para a redução das emissões não pode recair exclusivamente sobre o passageiro, por meio da tarifa, e exige a participação de diferentes setores da sociedade. A melhoria do ar que todos respiramos precisa ser sustentada por todos, e não apenas pelo passageiro.

“Essa transição não pode ser sustentada apenas pelo passageiro. Ela precisa ser sustentada por toda a sociedade. Toda inovação tecnológica envolve mudanças culturais, técnicas e investimentos significativos. Não se trata apenas do veículo, mas de energia, garagens, infraestrutura e uma cadeia inteira de adaptações”, ressaltou.

O superintendente da ANTP destacou ainda que a descarbonização não se limita a uma única rota tecnológica e que as soluções precisam respeitar as realidades econômicas e regionais do país.

“Existe um amplo leque de possibilidades. Biogás, combustíveis renováveis, eletrificação. São alternativas que podem ser adotadas conforme a realidade econômica de cada região, inclusive com potencial de geração de emprego e desenvolvimento local”, disse.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de inclusão da indústria nacional no processo de transição energética.

“A indústria brasileira não pode ficar de fora. Ela está se preparando, desenvolvendo tecnologia, investindo em plantas industriais. É fundamental reconhecer e valorizar esse esforço nacional”, afirmou.

Branco também destacou a oportunidade de aproximar a população do transporte coletivo por meio de novas tecnologias, mas alertou que os ganhos não podem se restringir apenas ao tipo de energia utilizada.

“Ônibus silencioso, que não polui, é algo que as pessoas gostam e percebem. Mas não podemos perder essa oportunidade sem avançar também na infraestrutura e na qualidade do serviço. Tecnologia sozinha não resolve se o transporte não melhorar como um todo”, avaliou.

Ao encerrar, o superintendente reforçou o apoio da ANTP à iniciativa e à difusão do conhecimento técnico como base para políticas públicas consistentes.

“A ANTP apoia esse debate e a disseminação do conhecimento técnico. Toda tecnologia é aprendizado e precisa ser tratada como política pública, seja no âmbito municipal, estadual ou federal. Ela vem para o bem de todos e precisa ser sustentada por todos”, concluiu.


O QUE VEM DEPOIS

Às 11h, a Palestra 1 discute “A viabilidade para eletrificação no transporte público do Rio de Janeiro”, trazendo uma análise sobre desafios e oportunidades para a adoção de ônibus elétricos no estado.

Após o intervalo do almoço, às 14h, o Painel 1 aborda “Alternativas de fontes de energia limpa para descarbonização das frotas do transporte público coletivo”, reunindo representantes de operadores, do setor energético e da indústria.

Na sequência, às 15h30, o Painel 2 apresenta experiências das cidades com a eletrificação de frotas, desde o planejamento até a operação, com relatos de gestores públicos, fabricantes, fornecedores de infraestrutura e concessionárias de energia.

Após o coffee break, às 17h15, o Painel 3 discute os aspectos da licitação do transporte público metropolitano do Estado do Rio de Janeiro e o sistema de bilhetagem, com foco em biometria, eficiência, segurança e sustentabilidade. O encerramento do primeiro dia está previsto para 18h.

Programação do segundo dia – quarta-feira (04)

Na quarta-feira, o fórum retoma às 8h, com welcome coffee, seguido da abertura oficial às 8h30. Às 9h, a Palestra 2 traz a experiência em eletromobilidade de Santiago do Chile, referência latino-americana na adoção de ônibus elétricos.

Às 10h, gestores públicos e empresas apresentam soluções em infraestrutura de recarga já implementadas para a operação do transporte coletivo. Em seguida, às 11h, a Palestra 3 discute a transição energética das barcas, ampliando o debate para outros modais do sistema de transporte público fluminense.

Às 11h30, ocorre uma apresentação dedicada a soluções para requalificação do serviço de transporte público coletivo, seguida de intervalo às 12h30.

No período da tarde, às 14h, o Painel 4 analisa resultados de testes e operações com diferentes tecnologias de ônibus e os desafios para iniciar a transição da matriz energética. Já às 15h30, o Painel 5 trata de um dos temas centrais do setor: financiamentos e estratégias para captação de recursos voltados a projetos de descarbonização de frotas.

O encerramento do fórum está previsto para 16h30, concluindo dois dias de debates técnicos e institucionais sobre o futuro energético do transporte público no Estado do Rio de Janeiro.

Veja a programação na íntegra com nomes dos participantes:


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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