Eletromobilidade também virou “duelo” de design entre as duas principais encarroçadoras de ônibus urbanos
Publicado em: 1 de fevereiro de 2026
Com linhas diferentes, Attivi da Marcopolo e Caio e-Millennium BRT propõem modernidade e a mensagem de uma nova era nos transportes
ADAMO BAZANI
Além de redução da poluição sonora e atmosférica, a eletrificação tem trazido um aspecto interessante, não obstante seus entraves de avanço no Brasil por causa de limitações de infraestrutura e financiamento: a inovação e qualificação do design dos ônibus urbanos, que ganharam versões exclusivas para os elétricos.
As duas principais encarroçadoras de ônibus urbanos no Brasil, Caio, de Botucatu (SP); e Marcopolo, de Caxias do Sul (RS); atualmente apresentam dois modelos de grande porte que são exclusivos para tração elétrica: o e-Millennium BRT, no caso da fabricante paulista, e o Attivi, produto da empresa gaúcha. As versões podem encaroçar hoje as principais marcas que fornecem chassis e sistemas tecnológicos: BYD, Eletra, Mercedes-Benz, Volvo, Volkswagen, Scania – enfim, a que tiver configuração para o porte disponível.
Ambos têm linhas diferentes, mas propõem modernidade e sensação de uma nova era nos transportes.
Os passageiros, gestores de transportes, operadores, políticos e a opinião pública em geral têm valorizado cada vez mais a imagem.
Não basta ser moderno, tem de passar a mensagem de que a mobilidade está evoluindo.
Atual sociedade não somente está mais “estética”, como tem dado valor à experiência, à sensação.
E neste sentido que trabalharam, cada qual com sua característica, as encarroçadoras em ambos os modelos.
O Diário do Transporte conheceu de perto os dois modelos nas versões “superarticulada”, de 23m de comprimento, no caso do e-Millennium BRT que vai rodar no projeto de Corredores Verdes da Capital Paulista, e articulada de 21m e biarticulada de 28 m, para o sistema de BRTs de Goiânia.
O modelo de São Paulo que a reportagem verificou está sobre chassis/tecnologia BYD e o de Goiás tem chassi/tecnologia Volvo.
As sensações visuais são diferentes entre ambos, apesar de também terem pontos em comum.
Mas em ambos, foi possível assimilar a ideia de modernidade, de inovação, do recado: “você não está somente num ônibus novo, mas num ônibus moderno”.
Isso é fundamental porque veículo novo é simplesmente um 0 km. Moderno é mais que isso. É disrupção, é avanço.
As preferências estéticas são de cada um.
Mas é interessante saber que as encarroçadoras, apesar de não fabricarem diretamente o que faz o ônibus não ser poluente nas operações locais, se engajaram na eletrificação e aceitaram o desafio de ir além de adaptar estruturalmente um coletivo para receber as baterias e equipamentos.
Ambas fazem outros modelos para este segmento, como o Caio e-Millennium e o Marcopolo Torino Elétrico. São exclusivos e já inovadores, mas Attivi e e-Millennium BRT nascem para mostrar que eletrificação pode ir além de não poluir nas operações, o que já seria por si só um grande trunfo.
E-MILLENNIUM BRT


MARCOPOLO ATTIVI

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Estamos no caminho certo, mas o diferencial está na qualidade dos ônibus, autonomia, conforto e tecnologia embarcada,com isso atrairá empresários e irá consolidar a marca no mercado.
O que está faltando na minha opinião é uma melhoria no acabamento da parte superior dos ônibus. Ao ver de cima, os galhos e folhas estão se acumulando. Fato que pode gerar entupimento ou até mesmo oxidação precoce.
O que está faltando na minha opinião é uma melhoria no acabamento da parte superior dos ônibus. Ao ver de cima, os galhos e folhas estão se acumulando. Fato que pode gerar entupimento ou até mesmo oxidação
As calotas no Caio ficaram um charme só…
Espero que sejam carrocerias cada vez mais ecológicas, digo, com materiais mais resistentes, porem ao mesmo tempo com menor impacto ao meio.
Claro que por conta da tração elétrica e o peso das baterias, a estrutura é mais robusta, ou seja, maior uso de materiais. Todavia, acredito que com a evolução da própria indústria esses veículos serão cada vez mais leves.
A indústria de ônibus está fazendo muito bem a parte dela, e nos ofertando produtos cada vez mais modernos e eficientes, mais confortáveis, e mais amigáveis ao meio ambiente (além da própria descarbonização)!
Resta agora aos gestores públicos saberem empregar bem estes produtos, a fim de que estes consigam entregar todas as vantagens e benefícios para as quais foram originalmente projetados.
E isso passa por planejar e requalificar os respectivos sistemas de transportes em tudo aquilo que seja necessário, passando a atender à população com um serviço cada vez mais confiável e mais satisfatório.
Felizmente já temos diversas gestões locais e estaduais se mexendo nesse sentido, conforme o próprio Diário do Transporte nos tem mostrado diariamente em suas muitas matérias!
Porém e infelizmente há algumas outras gestões que preferem apenas usar estes novos ônibus como mero “estandarte” politico-eleitoral, sem atualizar e nem requalificar sistemas operacionais há décadas ineficientes e perdulários. Ironicamente começando pela cidade mais rica do nosso País.
A questão é que pelo menos aqui em SP a maioria das empresas, não estão dispostas a pagar um pouco mais pra dar conforto ao passageiro.