SIMEFRE: produção de ônibus cresce em 2025 e reforça necessidade de renovação da frota
Publicado em: 22 de janeiro de 2026
Avaliação é do presidente Ruben Bisi, que aponta resiliência da indústria, avanço dos ônibus elétricos e alerta para concorrência internacional
O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE) divulgou em nota à imprensa especializada que a indústria brasileira de ônibus fechou 2025 com crescimento de 1,7% na produção, somando 27.516 unidades fabricadas entre mercado interno e exportações. Em 2024, o volume havia sido de 27.067 veículos.
Segundo o presidente da entidade, Ruben Bisi, a renovação da frota permanece como o principal motor da demanda, tanto no segmento urbano quanto no rodoviário. “Mesmo diante de um cenário de juros elevados e custos ainda pressionados, a produção conseguiu se manter estável e fechar o ano em leve alta, o que demonstra a resiliência do setor”, afirma.
O presidente do SIMEFRE destaca que investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana ajudaram a sustentar o nível de produção ao longo do ano, com ênfase no PAC 3 Mobilidade. Também tiveram peso relevante as compras de ônibus escolares pelo programa Caminho da Escola, do FNDE, cujo edital manteve uma média consistente de aquisições. “Esse conjunto de políticas deu previsibilidade à demanda industrial”, observa.
Outro mercado que permaneceu aquecido em 2025 foi o de turismo, impulsionado pelo aumento da demanda interna por transporte rodoviário de passageiros. No campo tecnológico, a eletrificação avançou. “A produção de ônibus elétricos apresentou crescimento expressivo em relação a 2024, consolidando uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos”, destaca Bisi.
Apesar do resultado positivo, o dirigente pondera que os impactos da pandemia e os ajustes na cadeia produtiva contribuíram para o envelhecimento da frota nacional, elevando a idade média dos veículos em circulação. “Mesmo com os resultados de 2024 e 2025, há um grande potencial de recuperação de vendas, que ainda esbarra em juros elevados, custos dos insumos, preços dos combustíveis e a redução do número de passageiros”, avalia.
Bisi também chama atenção para a concorrência internacional. “Apesar do avanço tecnológico da indústria nacional, especialmente em ônibus elétricos, preocupa a entrada de produtos chineses sem enfrentar o custo Brasil e com subsídios cruzados, o que compromete a isonomia concorrencial”, afirma.
Para 2026, a expectativa do setor é repetir o volume de produção de 2025, com possibilidade de leve queda em mercados específicos. Para avançar na descarbonização do transporte coletivo, Bisi defende políticas públicas focadas na renovação da frota. “Um dos programas mais eficazes seria incentivar a retirada de circulação dos cerca de 75 mil ônibus com mais de 20 anos atualmente em operação no país”, conclui.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


