Eletromobilidade

Viação Campo Belo recebe prova de conceito de BESS e carregadores da Livoltek para ampliar eletrificação da frota em São Paulo

BESS em teste na Viação Campo Belo, operadora do transporte municipal de São Paulo

Sistema já está em funcionamento e demonstra, na prática, como o armazenamento de energia pode superar limites de demanda elétrica em garagens de ônibus.

ALEXANDRE PELEGI

A garagem da Viação Campo Belo, localizada na zona sul da cidade de São Paulo, foi escolhida para receber uma prova de conceito (PoC) da Livoltek, envolvendo a integração entre sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e carregadores de ônibus elétricos. A iniciativa tem como foco demonstrar, em operação real, como a tecnologia pode viabilizar a expansão da frota elétrica mesmo em locais com limitação de demanda contratada junto à concessionária.

A Viação Campo Belo atua majoritariamente na região sul da capital paulista, operando linhas que atendem bairros como Campo Belo, Brooklin e Santo Amaro, com integração ao sistema municipal de transporte. A empresa já conta com frota elétrica em operação, formada por ônibus elétricos do tipo padrão e articulado, empregados em linhas de maior demanda.

Durante a visita técnica do Diário do Transporte, engenheiros da empresa explicaram que o BESS já está em funcionamento na garagem e que o dia marcou o início formal das simulações operacionais autorizadas pela SPTrans.

O BESS já está operando. Hoje a principal solução que a gente está demonstrando aqui é a correção de demanda contratada”, explicou Alex Gonçalves de Souza, engenheiro de soluções da Livoltek. “Muitas garagens têm limitação de demanda e não conseguem ampliar o número de carregadores. O que estamos mostrando é como o sistema consegue suprir essa necessidade sem exigir, de imediato, aumento de infraestrutura da concessionária.”

O que é a prova de conceito

A prova de conceito é uma etapa prática de validação tecnológica. Em vez de uma implantação definitiva, a PoC permite testar o sistema em condições reais de operação, avaliando desempenho, integração com a infraestrutura existente, impactos na conta de energia e ganhos operacionais antes de uma eventual adoção em larga escala.

No caso da Campo Belo, o foco principal da prova é a correção de demanda elétrica, também conhecida como peak shaving (corte de picos). “Imagine uma garagem limitada, por exemplo, a três megawatts. A partir do momento em que essa demanda é atingida, o BESS entra automaticamente para complementar a energia necessária”, detalhou Alex. “Isso evita multas e permite expandir a frota elétrica de forma mais rápida.”

Como funciona o BESS instalado

O sistema instalado é composto por dois módulos de 225 kWh, totalizando 450 kWh de capacidade de armazenamento. Ele pode operar em diferentes estratégias: backup em caso de falta de energia, autoconsumo local, redução de picos de demanda e uso no horário de ponta, quando a tarifa é mais elevada.

Na simulação apresentada, a rede foi configurada com uma limitação proposital de potência. “Se a rede estiver limitada, por exemplo, a 50 kW, a partir do momento em que o carregador exige mais do que isso, o BESS passa a descarregar automaticamente, entregando a energia complementar”, explicou o engenheiro.

Carregadores integrados ao sistema

Além do BESS, a Livoltek apresentou o carregador instalado na garagem (foto abaixo), com potência de 180 kW e duas saídas independentes. Um único ônibus pode receber toda a potência disponível ou, no caso de dois veículos conectados simultaneamente, o sistema divide automaticamente a energia.

 

“Num ônibus elétrico padrão, a recarga completa leva em torno de três horas. Já em um ônibus elétrico articulado, que tem maior capacidade energética, esse tempo chega a aproximadamente quatro horas”, explicou Alex durante a demonstração.

Monitoramento em tempo real

Toda a operação é acompanhada por um sistema de gerenciamento industrial de energia, apresentado em uma interface no formato de dashboard. O operador visualiza, em tempo real, o consumo da rede, a energia fornecida pelo BESS, o nível de carga das baterias, a potência dos carregadores e se há um ou dois ônibus em processo de recarga.

“Essa tela concentra todas as informações necessárias para o operador tomar decisão. Ele consegue ver exatamente o que está vindo da concessionária, o que está saindo do BESS e o status do carregamento dos ônibus”, destacou o engenheiro.

Ambiente de testes integrado

A prova de conceito também inclui um ambiente dedicado de testes, preparado para validar o funcionamento conjunto do BESS e dos carregadores. Em mensagem gravada durante a demonstração, Yang Zipei, representante da Livoltek na China (foto abaixo), destacou o diferencial da solução.

Este é o nosso ambiente de testes recém-estabelecido. Nossa principal vantagem é a capacidade de fornecer potência estável, ao mesmo tempo em que entregamos uma solução totalmente integrada de equipamentos”, afirmou. “Aqui é possível ver claramente o gabinete de armazenamento de energia de 225 kWh funcionando em conjunto com o sistema de carregamento de veículos elétricos.”

Caminho para a expansão da frota elétrica

A experiência na garagem da Viação Campo Belo, na zona sul de São Paulo, ilustra um dos principais desafios da eletrificação do transporte coletivo: a dificuldade de ampliar rapidamente a infraestrutura elétrica das garagens. Ao funcionar como um “amortecedor” entre a rede e a operação, o BESS surge como uma alternativa técnica para acelerar a adoção de ônibus elétricos, garantindo previsibilidade de custos, continuidade operacional e maior flexibilidade energética.

Os dados obtidos ao longo da prova de conceito devem servir de base para decisões futuras sobre a adoção definitiva da tecnologia e sua replicação em outras garagens do sistema municipal.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. ALVARO CAMARGO PRADO disse:

    Um gigantesco passo à frente na eletrificação do transporte coletivo dos grandes centros! Parabéns à Campo Belo!

  2. Uma BESS de 450 kW vai suprir energia para, no máximo, 2 ônibus com capacidade das baterias de 225 kW, durante 1 hora. Ou então, 4 ônibus escalonados em dois turnos, 2 por vez a cada 1 hora, com uma carga de somente 120 KW cada um, o que vai caracterizar uma recarga incompleta. Ou seja, é uma solução fraca para o desafio das cargas concentradas nas garagens.

    1. Alexandre Pelegi disse:

      Como está explicado na matéria, trata-se de uma prova de conceito (PoC) da Livoltek. O objetivo era comprovar a integração entre sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e carregadores de ônibus elétricos. A compra do equipamento, caso a operadora assim o deseje após o teste, exigirá todo um planejamento para definir a melhor infraestrutura para recarga, o que implicará no dimensionamento correto do BESS ideal

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