Eletromobilidade

EXCLUSIVO: Micrão ganha mais um ano de tolerância. Com 2214 ônibus acima de 11 anos, sistema SPTrans da capital paulista tem 16,4% de toda a frota envelhecida

Dado foi atualizado pela SPTrans ao Diário do Transporte que flagrou, no último sábado, 10 de janeiro de 2026, ônibus com ano/modelo 2012 (14 anos) e fabricação 2011 (15 anos)

*ADAMO BAZANI*

O sistema de ônibus municipais da capital paulista, passados três anos do pior da pandemia de covid-19 e quase quatro anos da proibição da compra de  veículos a diesel, ainda tem 16,4% da frota gerenciada pela SPTrans (São Paulo Transporte) com idades de fabricação entre 11 anos e 13 anos. Além disso, os micrões (mídis) ganharam em 2026 mais um ano de tolerância, o que foi verificado nas ruas pelo *Diário do Transporte*.

A confirmação foi feita nesta semana pela própria empresa da gestão Ricardo Nunes em resposta aos questionamentos do *Diário do Transporte*.

Segundo a SPTrans, são 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos. No site oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), consta que a frota contratada das empresas soma 13.496 coletivos, entre escalados nas linhas e reservas. O dado mais recente consolidado é de dezembro de 2025. Apenas 1.149 ônibus, ou 8,5% desta frota, são elétricos. Muito abaixo dos 20% anunciados pela prefeitura em 2021 para até dezembro de 2024 no Plano de Metas, que não foi cumprido. Deste total de elétricos, 189 são trólebus (conectados a fiação elétrica aérea e mais antigos, sem ar-condicionado) e 960, a bateria. O *Diário do Transporte* mostrou que eram 201 trólebus: 12 foram retirados no sistema em novembro do ano de 2025, o que pode parecer um contrassenso, já que  a eletrificação não avança, sendo necessária a troca dos modelos a diesel.

A tolerância, assim, poderia ter sido dada aos trólebus, tipo de veículo que não poliu e, pelas características estruturais, pode rodar mais tempo e dura mais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/11/04/sptrans-confirma-ao-diario-do-transporte-ambiental-aposentou-mesmo-os-12-trolebus/

Não bastassem poluir mais, ônibus destas idades na cidade de São Paulo, entre 11 e 13 anos (ou mais), não possuem itens de conforto como ar-condicionado e tomadas do tipo USB, para recarga de celulares. Estes itens são obrigatórios para os ônibus que entraram no sistema a partir de 2015.

Idade de ônibus não pode ser justificativa para quebras, mas devido ao uso intenso diário e às condições viárias, é natural que os coletivos mais antigos tendem a apresentar mais defeitos, parar, interromper viagens e acarretar em mais espera nos pontos, maior lotação e atrasos.

*MICRÕES MAIS VELHOS*

Os veículos do tipo midi (micrões), de acordo com a resposta da SPTrans ao *Diário do Transporte*, ganharam mais um ano de tolerância para não faltar ônibus para a população.

*A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que estão em contato constante com as concessionárias do transporte público para adequar a idade máxima da frota, levando em consideração as possibilidades do mercado de ônibus elétrico, uma vez que não é mais permitida a inclusão de veículos a diesel no sistema da capital. Para não prejudicar a operação de passageiros, os veículos modelo MIDI foram autorizados a permanecer na frota até o fim deste ano*.

Pelo não avanço da infraestrutura destinada a ônibus elétricos (o diesel está proibido desde 17 de outubro de 2022) e diante da crise econômica e perda de passageiros gerada pela pandemia de covid, a SPTrans autorizou em 2023 a ampliação do limite de idade da frota de 10 anos para até 13 anos. Mas a questão não é somente a infraestrutura. Ainda não há uma oferta ampla de todos os modelos de ônibus elétricos e há fabricantes que aguardam há meses a autorização da SPTrans para começarem a vender para as viações.

É o caso justamente dos micrões, muito usados em linhas do subsistema local de distribuição, operado pelas ex-cooperativas, ligando ao bairros a terminais e estações de trem e metrô. Estes veículos de porte menor são indicados para vias mais estreitas e com condições mais severas de operação que sequer admitem, por exemplo, a configuração de piso baixo.

No último sábado, 10 de janeiro de 2026, constatou em operação, entrando no Terminal São Mateus, na zona Leste,  um veículo com a inscrição ano/modelo 2012 (14 anos).

O ônibus, que fazia a linha 3054-10 (Jardim Palanque/Hospital Sapopemba), placas ELW 3050, prefixo 4 7239, é da empresa Pêssego Transportes, do subsistema local de distribuição.

De acordo com o Sinesp Cidadão, o aplicativo do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Governo Federal, o modelo deste ônibus é 2012, mas a fabricação foi em 2011 (15 anos).

Mas, por esta tolerância a mais (a tolerância da tolerância), apesar de antigo, o veículo da Pêssego não está irregular.

O modelo é carroceria Caio Apache Vip II, Mercedes-Benz OF-1418. Por que esta especificação técnica na reportagem? Porque este modelo é de tecnologia de redução de emissões de poluentes com base nas normas internacionais Euro 3. Desde de 2023, todos os ônibus a diesel que saem de fábrica precisam seguir as normas Euro 6, que poluem 75% menos, em média, que a geração anterior Euro 5, que foi fabricada . Ou seja, o Euro 3 polui muito mais ainda, o que vai na contramão dos discursos de sustentabilidade. Os modelos Euro 3 foram fabricados até 2012. No Brasil, não houve a fase Euro 4. Os Euro 5 foram produzidos entre 2012 e 2022. Ou seja, parte da frota de ônibus da cidade de São Paulo está com uma geração retrasada e mais poluente em circulação.

O chassi deste porte, desta montadora, Euro 6 é denominado OPF-1619. No Euro 5, foi o OF-1519. Esse, flagrado pela reportagem, é OF-1418.

A SPTrans informou ao Diário do Transporte que “_os veículos com mais de 10 anos são vistoriados com maior frequência e são utilizados preferencialmente na reserva técnica. Além disso, diariamente são convocados pelo menos 80 veículos para vistoria amostral, garantindo que a frota seja inspecionada frequentemente”_.

*A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que estão em contato constante com as concessionárias do transporte público para adequar a idade máxima da frota, levando em consideração as possibilidades do mercado de ônibus elétrico, uma vez que não é mais permitida a inclusão de veículos a diesel no sistema da capital. Para não prejudicar a operação de passageiros, os veículos modelo MIDI foram autorizados a permanecer na frota até o fim deste ano*

*Por determinação da SPTrans, os veículos com mais de 10 anos são vistoriados com maior frequência e são utilizados preferencialmente na reserva técnica. Além disso, diariamente são convocados pelo menos 80 veículos para vistoria amostral, garantindo que a frota seja inspecionada frequentemente. Atualmente, a frota de ônibus da cidade de São Paulo conta com 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos.*

*A gestão municipal segue investindo na modernização do transporte público, com a inclusão de ônibus elétricos que já compõem a maior frota deste modelo no país, com 1.149 veículos. Atualmente, a frota operacional da cidade conta com mais de 95% de ônibus equipados com ar-condicionado, que atendem todas as regiões*.

*Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes*

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Wilson disse:

    Eles só vem aparência mais segurança como manutenção são precárias se entrarem a fundo vão ver que falta de manutenção como freio limpeza motor estão piores que imagina motoristas sofrem com calor com reclamações de passageiros o tempo todo sem fala que quando quebram motorista passaram horas esperando uma assistência ônibus velhos e sinal de falta de carro na linha usuários insatisfeito
    Tem que começar a perguntar para quem operar esses carros velhos sem mais ….??

  2. Santiago disse:

    Fico imaginando como estará a situação da nossa frota de ônibus ao final de 2028, quando terminar a “maravilhosa” gestão de Ricardo Nunes.
    Contando com este ano (que está começando) serão mais três anos de frota envelhecendo aos milhares, enquanto o prefeito fica sorrindo pra foto ao lado de algumas dezenas de ônibus a bateria.

    – Fato é que a nossa rede elétrica tem limitações pra recarregar baterias a milhares de ônibus, sendo já sabido que não podemos depender só disso. E limitar-se a apenas ficar choramingando contra a ENEL não é solução.
    – A quantas anda a anunciada alternativa movida à GNV e Biogás, além da meia dúzia de ônibus em testes experimentais que não terminam nunca???
    – E até quando vai o negacionismo estúpido contra a tecnologia Euro-6, que seria uma transição natural para substituir os ônibus mais antigos que hoje somam 16,4 % da frota acima dos dez anos???

    Qualquer cidade sem um único ônibus elétrico, mas que cuida de renovar a sua frota com ônibus Euro-6, pode orgulhar-se de ter uma frota proporcionalmente bem mais “verde” e muito menos poluente do que a atual frota paulistana.

  3. Élio Jovart Bueno de Camargo disse:

    O importante de assegurar nos novos ônibus, além das emissões, são a segurança e a qualidade das viagens, coisas que não existem nestes veículos montados sobre chassi, que ficam com piso alto que dificultam o acesso e desembarque para idosos e pessoas com deficiências, sem falar dos cadeirantes naquele elevador. Além dessa má qualidade, estes veículos não tem câmbio automático e ficam sacolejando para a frente e para trás, representando o grande perigo para todos, que precisam se segurar firmemente para não serem jogados no piso. Estes ônibus estão todos na periferia e muitas vezes são justificados com desculpas de irregularidades nas vias. Mas isso não se justifica, pois as vias devem ser adequadas. Precisamos de ônibus de qualidade, com piso baixo e sem solavancos.

Deixe uma resposta para WilsonCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading