Trilhos que contam histórias: projeto cultural mobiliza jovens ao longo da ferrovia Vitória–Minas até 2028
Publicado em: 8 de janeiro de 2026
Iniciativa percorre mais de 900 km da ferrovia entre Minas Gerais e Espírito Santo e envolve jovens moradores na preservação da memória ferroviária por meio da fotografia e do audiovisual. Vale e ANTT apoiam
ALEXANDRE PELEGI
A memória ferroviária é uma ferramenta essencial para aproximar a juventude brasileira da história do país e do papel estruturante do transporte ferroviário no desenvolvimento nacional. Durante décadas, os trens foram responsáveis por integrar regiões, impulsionar economias locais, organizar o crescimento das cidades e permitir a circulação de pessoas e mercadorias em longas distâncias. Com o tempo, porém, as ferrovias perderam espaço nas políticas públicas, sofreram descontinuidade de investimentos e foram gradualmente afastadas do cotidiano da população, especialmente das novas gerações. Resgatar essa memória, por meio da educação, da cultura e do olhar dos jovens, ajuda a compreender não apenas o passado ferroviário do Brasil, mas também a importância de recolocar os trilhos no centro do debate sobre mobilidade, integração territorial e desenvolvimento sustentável.
A Estrada de Ferro Vitória a Minas como eixo de conexão territorial
É nesse contexto que as linhas da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), implantadas no início do século XX, passam a ser palco de um processo de ressignificação cultural e territorial que se estenderá até 2028. O Projeto Estação propõe olhar a ferrovia para além da infraestrutura, tratando os trilhos como eixo de memória, identidade e conexão entre comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo ao longo de aproximadamente 905 quilômetros.
A iniciativa utiliza fotografia e produção audiovisual como instrumentos de preservação do patrimônio ferroviário imaterial, reunindo moradores das cidades atravessadas pela ferrovia — especialmente jovens entre 16 e 25 anos — em atividades formativas e artísticas. O projeto é realizado pela Horus Planejamento e Gestão, com apoio da Vale e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Em menos de um ano de execução, o programa já mobilizou cerca de 80 jovens mineiros, que passaram por formação técnica e artística antes de registrar histórias, paisagens, marcos arquitetônicos e personagens ligados à ferrovia. Entre os municípios contemplados na primeira etapa estão Belo Horizonte, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira, Nova Era e Antônio Dias, totalizando um percurso inicial de aproximadamente 172 quilômetros. Paralelamente, o projeto mapeou e visitou outros 44 pontos ao longo do território mineiro.
Trilhos, cidades e personagens da ferrovia
Desde a implantação dos trilhos, em 1904, o traçado Vitória–Minas tem sido determinante para a ocupação urbana, o desenvolvimento industrial e a formação social das cidades que o cercam. No Projeto Estação, essa trajetória histórica é revisitada a partir do olhar contemporâneo da juventude local, com registros feitos majoritariamente por meio de smartphones. Ao todo, foram produzidas 240 fotografias, que deram origem a sete instalações artísticas espalhadas por escolas, praças, estações ferroviárias e equipamentos culturais.
Entre os espaços que receberam as intervenções estão áreas como o interior da Estação Ferroviária Central, no centro de Belo Horizonte, muros de escolas públicas, praças municipais e estruturas urbanas em cidades como Barão de Cocais. As obras transformaram locais de circulação cotidiana em pontos de reflexão sobre a presença da ferrovia no território e na vida das comunidades.
Além da dimensão artística, o projeto também destaca personagens reais que construíram sua história profissional e pessoal ao redor da ferrovia. Fotografias e depoimentos de ex-maquinistas, ferroviários e trabalhadores do sistema Vitória–Minas ajudam a preservar narrativas que, muitas vezes, não estão registradas em documentos oficiais, mas fazem parte da memória viva das cidades.
Um dos últimos trens de passageiros de longa distância do Brasil
A Estrada de Ferro Vitória a Minas é uma das poucas ferrovias brasileiras que mantêm transporte regular de passageiros de longa distância. O serviço liga Belo Horizonte (MG) ao litoral de Vitória (ES), próximo ao Porto de Tubarão, e transporta cerca de três mil passageiros por dia. Na última década, mais de oito milhões de pessoas utilizaram o trem, que segue sendo um eixo relevante de mobilidade regional e integração territorial.
Para a ANTT, iniciativas como o Projeto Estação reforçam a compreensão da ferrovia como um ativo que vai além da logística e do transporte de cargas e passageiros. A preservação da memória ferroviária é vista como parte de um compromisso com um transporte mais humano, conectado às realidades locais e integrado ao desenvolvimento social e cultural dos territórios atravessados pelos trilhos.
Nos próximos três anos, o Projeto Estação prevê a expansão das atividades para ao menos outras 23 comunidades ao longo do eixo Vitória–Minas. Estão previstas novas exposições físicas, ampliação da galeria virtual e a continuidade das ações formativas, com o objetivo de democratizar o acesso à fotografia e ao audiovisual e fortalecer uma rede cultural associada à ferrovia.
Ao aproximar juventude, território e memória, o projeto contribui para recolocar a ferrovia no imaginário coletivo brasileiro — não apenas como herança do passado, mas como elemento essencial para pensar o futuro da mobilidade, da integração regional e do desenvolvimento sustentável do país.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Esta excelente iniciativa vai além de valorizar o
próprio modal ferroviário, ressaltando também os seus aspectos humanos, históricos e culturais. Para além das óbvias questões técnico-econômicas.
E melhor ainda, através das novas gerações. As quais estão hoje adquirindo conhecimentos e construindo as suas opiniões, a serem aplicadas e multiplicadas no futuro próximo.
E técnicamente falando, a EF Vitória-Minas é a melhor prova real de como é sim possível o Brasil conciliar o moderno transporte ferroviário de passageiros com o eficiente transporte de cargas pelos mesmos trilhos. E sem precisar de suntuosos projetos dr trem-bala.
Seria muito bom, fazer um manifesto, para estimular mais o turismo ferroviário mineiro, com um trem de turismo com mais poltronas, diferente do trem metropolitano, para Sete Lagoas MG e Região metropolitana de Belo Horizonte – RMBH.
Este argumento é realista, não ideológico, e funciona em audiência pública, redes sociais ou conversa com vereador/deputado.
As cidades envolvidas conforme projeto de estudos preliminares do anos de 2013 a 2019, para o planejamento de um novo ramal ferroviário, sem data de construção definida. Todavia, esse projeto aínda não se concretizou. Pela ordem de rota ferroviária, conforme a ordem numérica, essas são as cidades de trajeto, a partir de Sete Lagoas-MG, no vetor norte:
1- Sete Lagoas-MG; 2- Prudente de Moraes MG; 3- Matozinhos MG; 4- Pedro Leopoldo MG; 5- Vespasiano MG; 6- Lagoa Santa MG; 7- Confins MG (Aeroporto); 8- Belo Horizonte MG; 9- Contagem MG (ramal metropolitano); 10- Betim MG (ramal metropolitano). Ou 9- Itaúna MG (ramal turístico); 10- Divinópolis MG (ramal turístico).
Sete Lagoas está:
-Fora da “sombra” imediata de BH
-Próxima de cavernas, lagoas, Serra de Santa Helena.
-Conectada historicamente à ferrovia.
-É ponto natural de início de viagem, não só de passagem.
-Trem turístico faz sentido começar em Sete Lagoas, não em BH.
*Trem turístico:
-Gera empregos diretos e indiretos.
-Movimenta hotelaria, bares, guias, comércio local.
*Diferente do trem metropolitano, que:
-Só “leva gente embora” de manhã
e “traz de volta” à noite
Sete Lagoas ganha mais sendo origem do turismo, não apenas ponto de embarque pendular. Nada impede dois serviços no mesmo trilho:
* Trem Metropolitano:
-Horário de pico.
-Muitas paradas.
-Alta capacidade.
-Sem restaurante.
-Só transporta trabalhadores.
-Depende permanentemente de subsídio público.
*Trem Turístico / Regional:
-Fins de semana.
-Poucas paradas.
-Assentos marcados.
-Carro-restaurante.
-Viagem como experiência.
-Gera empregos locais.
-Fortalece hotéis,bares, comércio e guias.
-Cria receita recorrente.
*Isso já ocorre no Brasil (Vitória–Minas).
* E em vários países.
Um projeto somente urbano:
-Depende sempre de subsídio.
*Um projeto com turismo:
-Gera receita.
-Atrai parceiros privados.
-Reduz custo político.
O turismo ferroviário é o “adoçante” que viabiliza o trem urbano.
“Não somos contra o trem metropolitano.
Mas, Sete Lagoas não pode ser apenas um ponto de passagem de um trem metropolitano.
Ela deve ser ponto de origem de um trem regional e turístico em Minas Gerais.
Defendemos, também, um trem regional e turístico, com conforto, identidade mineira e geração de renda.”
O turismo ferroviário reduz o custo político e financeiro do sistema.
Sete Lagoas está fora do núcleo imediato de BH.
Possui identidade própria, atrativos naturais e posição estratégica no vetor norte.
Historicamente é uma cidade ferroviária.
Cidade de origem faz sentido para turismo; cidade-dormitório, não.
*CARACTERÍSTICAS DAS CIDADES ENVOLVIDAS EM ORDEM DE TRAJETO FERROVIÁRIO:
ITEM 1 — MAPA MENTAL DO TRAJETO
(Trem turístico de Passageiros – cenário técnico plausível).
* EIXO NORTE / VETOR NORTE (origem)
1- Sete Lagoas – MG:
-Ponto inicial natural do sistema.
-Cidade ferroviária histórica.
2- Pedro Leopoldo – MG:
-Ligação ferroviária tradicional.
-Cidade estratégica do vetor norte.
3- Matozinhos – MG:
-Corredor ferroviário contínuo.
4- Prudente de Morais – MG:
-Município intermediário técnico.
5- Vespasiano – MG:
-Alta densidade populacional.
-Forte demanda pendular.
6- Lagoa Santa – MG:
-Polo urbano e turístico.
-Conexão direta com o aeroporto.
7- Confins – MG (Aeroporto Internacional):
-Âncora logística e política do projeto.
*EIXO METROPOLITANO CENTRAL
8- Ribeirão das Neves – MG:
-Grande população.
-Forte demanda por transporte de massa.
9- Belo Horizonte – MG:
-Nó central do sistema.
-Integração com metrô e ônibus.
-Ponto de bifurcação do traçado.
*EIXO SUL / OESTE (após BH)
Opção A – Trem Metropolitano:
10- Contagem – MG:
– Cidade metropolitana intermediária.
11- Betim – MG:
(perfil urbano, deslocamento diário).
Opção B – Trem Regional / Turístico:
10- Itaúna – MG:
11- Divinópolis – MG:
(perfil intermunicipal, menos paradas, mais conforto).
É importante, que exista vontade política pública e privada, com a MENTALIDADE de que o trem é o transporte mais SEGURO, mais barato, sem existência de Pedágios, mais confortável, e econômico, em termos de manutenção, e por apresentar maior volume de cargas, por viagem, ou passageiros, em vista do transporte aéreo e rodoviário. E a existência de parcerias público-privadas, não dependendo tão somente, de um só Governo, com geração de SUBSÍDIOS GOVERNAMENTAIS, para estimular a construção de novas ferrovias; estações de embarques; padronização de bitolas; infraestrutura para acabar com cruzamentos ferroviários e rodoviários; duplicação integral de ferrovias para evitar disputa e atraso nas viagens, entre trens de carga com trens de passageiros; e investimento em trens de luxo, com média velocidade (até 150Km/h), para longas viagens, com restaurantes, toilettes, leito, etc. Outro empecilho é que custo de fabricação de um vagão de passageiro fica muito mais caro, do que o vagão de carga. Sem falar que, o transporte ferroviário impulsiona maior desenvolvimento econômico e social.