Eletromobilidade

EXCLUSIVO: Avanço em eletrificação poderia resultar em tarifas e subsídios menores em São Paulo em médio prazo. Operação de ônibus elétrico natalino saiu 65% mais barata

Dado está em documento oficial da SPTrans e toma como base custo energético. Diário do Transporte já havia revelado que em trajetos convencionais, gastos são menores com os modelos a bateria. O custo de compra de um ônibus elétrico (CAPEX) é cerca de três vezes maior que de um ônibus a diesel. Especialistas garantem que os modelos elétricos podem se pagar entre sete e oito anos

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

A operação dos ônibus natalinos saiu, em média, 65% mais barata com modelos elétricos em comparação com os veículos a diesel, em São Paulo, levando em conta o custo energético por quilômetro percorrido. A mesma proporção de economia se aplica às linhas comuns de todo o ano.

É o que revela documento oficial da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema da cidade, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

De acordo com as planilhas, por exemplo, enquanto um ônibus a diesel para percorrer um quilômetro tem o custo de R$ 3,6091, um elétrico do mesmo porte, de 13 metros de comprimento (que compõe grande parte da frota da cidade) tem o custo de consumo energético de R$ 1,2899.

A comparação entre ônibus de outros tamanhos também mostra a vantagem que na operação dos elétricos.

MICRÃO:

eMidi (elétrico): R$ 1,1145

Midi (diesel) R$ 2,69

BÁSICO:

eBasico (elétrico): R$ 1,2093

Básico (diesel): R$ 3,0162

PADRON 13 METROS

ePadron – 13m (elétrico): R$ 1,2899

Padron -13m (diesel): 3,6091

PADRON 15 METROS:

ePadron  – 15m (elétrico) R$ 1,5048

Padron 15 m (diesel) R$ 4,2889

ARTICULADOS:

eArticulado – (elétrico) – R$ 2,1595

Articulado 18m (diesel) – R$ 4,7095; Articulado 21m (diesel) – R$  4,7700; Articulado 23m (diesel) R$ 5,0104

O Diário do Transporte já havia revelado que em trajetos convencionais, gastos são menores com os modelos a bateria.

O quilômetro percorrido por um ônibus a diesel custa mais de três vezes mais que um elétrico. Considerando o custo de manutenção (lubrificantes, aditivos e preventiva), os modelos a diesel podem gerar gastos de mais de cinco vezes em comparação com os elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/01/05/custo-em-energia-de-onibus-eletrico-em-sao-paulo-e-mais-de-tres-vezes-menor-que-o-diesel-por-km-aponta-planilha-da-sptrans/

O custo de compra de um ônibus elétrico (CAPEX) é cerca de três vezes maior que de um ônibus a diesel.

Entretanto, a vida útil permitida dos elétricos é maior: 15 anos, ante 10 anos no diesel, sendo necessário, assim, trocar menos os coletivos.

Especialistas garantem que os modelos elétricos podem se pagar entre sete e oito anos, pela redução dos custos energéticos de operação e dos gastos com manutenção, ou seja, antes da vida útil dos modelos a diesel.

No caso do modelo de financiamento de São Paulo, a compra de ônibus elétricos não entra na conta dos subsídios operacionais.

São outras fontes, que prevêem R$ 6,5 bilhões, mas por meio de financiamentos de instituições nacionais como BNDES e Caixa Econômica Federal ou internacionais, como o Banco Mundial.

Assim, em médio prazo, o avanço em eletrificação poderia resultar em tarifas e subsídios menores em São Paulo.

Ocorre que este avanço ainda não está de acordo com o esperado.

Por falta de planejamento na cidade e de infraestrutura, as metas de frota elétrica não foram ainda cumpridas.

De 2,6 mil elétricos planejados para até o fim de 2024, agora, no início de 2026, são cerca de 1,2 mil unidades, contando também com os trólebus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Marcel disse:

    Questiono como esse dado pode ser de fato real, baseado no seguinte:

    1. Ônibus Padrão Urbano (≈12 m)
    Tipo Diesel Elétrico Diferença aprox.
    Padrão urbano 12 m ~R$ 740 mil ~R$ 2,7 milhões ~R$ 1,9 milhão a mais (~3,6×)

    Fontes e contexto:
    Dados de referência de programas de compra no Brasil mostram que um ônibus urbano padrão elétrico pode custar cerca de R$ 2,7 milhões, enquanto o equivalente a diesel fica em torno de R$ 742 mil.

    Observação:
    Essa diferença contempla unidades completas, sem considerar infraestrutura de recarga.

    2. Ônibus Articulado (≈18–21 m)
    Tipo Diesel Elétrico Diferença aprox.
    Articulado 18 m ~R$ 1,30 milhão ~R$ 4,11 milhões ~R$ 2,8 milhões a mais (~3,7×)
    Articulado 21 m ~R$ 1,44 milhão ~R$ 4,50 milhões ~R$ 3,06 milhões a mais (~3,1×)

    Fontes e contexto:

    Uma análise oficial de programa de aquisição mostra ônibus articulados elétricos custando acima de R$ 4 milhões, enquanto versões diesel ficam em torno de R$ 1,3 a 1,44 milhão no Brasil.

    3. Ônibus Superarticulado / BRT

    Superarticulado / BRT (Exemplo real)

    Um modelo articulado elétrico de alta capacidade (≈21–22 m) pode custar R$ 3,4 milhões a R$ 4,5 milhões dependendo da configuração e fabricante.
    Exemplo: BYD D11B articulado elétrico foi reportado a ~R$ 3,42 milhões em mercado brasileiro (valor base).

    Ônibus articulados a diesel tradicionais (≈21 m) frequentemente estão na faixa de ~R$ 1,3 milhão a ~R$ 1,5 milhão dependendo do pacote de equipamentos e especificações.

    As proporções mostram que veículos elétricos costumam custar aproximadamente 3× a 4× mais que os modelos a diesel equivalentes no Brasil.

    5. Contexto Econômico Importante

    Os valores acima não incluem infraestrutura de recarga (estações, transformadores, obras civis) que também costuma ser um custo relevante para operações elétricas.

    Operadores que adquirem ônibus elétricos geralmente enfrentam um investimento inicial maior, mas têm custos operacionais (energia, manutenção) menores ao longo da vida útil do veículo.

    Políticas públicas de subsídio ou financiamento (ex.: BNDES, PAC) podem reduzir o custo líquido para operadores/municípios.

    No Brasil, para ônibus de configuração urbana:

    Ônibus elétricos custam tipicamente entre ~3× a ~4× mais do que ônibus a diesel equivalentes no preço de aquisição.

    Em valores absolutos, a diferença pode variar de ~R$ 1,9 milhão a mais para um padrão urbano até ~R$ 2,8–3,0 milhões a mais em articulados/BRT dependendo do tamanho e especificações do veículo.

    1. Os custos do financiamento milionário ao longo dos 10 anos também não estão incluídos…

  2. Ricardo disse:

    Se possível tentem fazer matérias cobrando a prefeitura da reorganização de linhas, pois o que ha de sobreposição nao é brincadeira. Os subsídios poderiam cair com a melhor distribuição de linhas.

  3. Santiago disse:

    Ainda assim os fabricantes poderiam reduzir uma parte da sua ampla margem de lucro líquido, deixando os preços mais praticáveis.
    O custo de produção do elétrico é consideravelmente superior ao do diesel, porém não o quanto era no início da sua produção comercial.

    Quanto à maior vida útil do elétrico, isso vai depender das condições em que estes ônibus rodam.
    Se trafegarem em pavimentos precários, superlotados, e com a manutenção negligenciada, não vão durar mais do que os surrados diesel que hoje trafegam nessas condições.

  4. Os custos de financiamento não estão incluídos nessas planilhas. Ou seja, há também os custos mensais da compra milionária. Esse custo está incluso no subsídio do transporte e nos nossos impostos, ao longo dos 10 anos de financiamento. Seria primordial a prefeitura inserir todos os custos envolvidos, também incluindo os custos da infraestrutura cara, que nunca é informada.

  5. Os custos do financiamento milionário mensais também não estão incluídos. Seria imprescindível a prefeitura informar também os custos da infraestrutura cara que nunca são divulgados.

  6. Rodrigo Zika! disse:

    Precisam ter várias tecnologias além do elétrico.

  7. Mariana Tavarez de Oliveira disse:

    Papinho pra boi dormir. Conta outra.. Sabe quando vai cair a tarifa? Nunca!

  8. Armando Antônio Maria Lagana disse:

    Acreditamos que um ônibus com sistema de propulsão híbrida série movida a etanol, que custaria no máximo 1.5 vezes o custo de uma versão Diesel, se não menos, e eficiência 20% (relativa) maior, seria a melhor solução para o município de São Paulo. Os motores a etanol fabricados no Brasil já dão conta do recado, o que nos levaria a fabricar ônibus com um índice de nacionalização muito maior. A transição energética seria muito mais rápida com investimentos bem menores. Com pequenas modificações nestes motores, visando a otimização para etanol, a eficiência pode ser aumentada ainda mais.

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