Média diária de passageiros transportados nos ônibus da capital paulista cai 27% desde 2016, o que influencia em tarifas e subsídios maiores, diz SPTrans

Frota foi reduzida em 5,7% no período. Dado foi apresentado em reunião do Conselho de Mobilidade e Transporte, nesta sexta-feira (02). Diário do Transporte antecipou estudos. Índice de passageiros pagantes é o menor desde 2019

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

A média diária de passageiros transportados nos ônibus municipais caiu desde 2019, na comparação com 2025, um total de 27%

Em 2019, eram transportados por dia, 9,65 milhões de passageiros diariamente. O ano de 2025, os ônibus municipais tiveram média de 7,05 milhões de pessoas por dia.

Isso gera a necessidade de tarifas e subsídios maiores, segundo técnicos da prefeitura de São Paulo.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, ao CMTT – Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista explicou os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.

O DIÁRIO DO TRANSPORTE ANTECIPOU ESTUDOS NA ÚLTIMA SEMANA.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2025/12/30/em-primeira-mao-tarifa-de-onibus-em-sao-paulo-vai-para-r-1355-sem-subsidios-que-devem-fechar-em-r-73-bilhoes-diz-gestao-ricardo-nunes-em-estudo-que-vai-ser-apresentado-ao-cmtt/

Não bastasse essa queda do total de passageiros, desde 2019, nunca foi tão baixo o número de passageiros pagantes, que em 2025 foi de 50%. Ou seja, 50% das passagens pelas catracas contam com gratuidade total ou alguma forma de desconto, de acordo com a SPTrans.

A maior parte desta fatia que precisa ser subsidiada é para as transferências sem cobrança ao passageiro nas integrações pelo Bilhete Único: 45%

A segunda maior fatia das gratuidades é para o Domingão Tarifa Zero, que soma 12% e concede passagem livre para todos usuários aos domingos, Natal, Ano Novo e Aniversário da cidade.

Se a demanda de passageiros caiu 27% desde 2019, a frota foi reduzida também, mas em proporções menores. Os dados da SPTrans mostram que naquele ano, o total dos ônibus em operação era de 12.813 coletivos e hoje está em 12.094.

As apresentações consideram os efeitos da pandemia de covid-19, mas abrangem períodos maiores para verificar as tendências não somente com a influência da crise sanitária que teve naturalmente resultados atípicos.

A ampliação da rede metroferroviária está entre os fatores que justificam a perda de demanda de passageiros pelos ônibus, mas relativamente em proporções pequenas. A migração para modais de transporte individual, como aplicativos, carro próprio e, futuramente, mototáxi é o que mais preocupa.

– O DOCUMENTO COMPLETO VOCÊ VÊ AO FIM DA REPORTAGEM:

Entre alguns dados, se destacam:

TARIFA DE R$ 13,55 (sem subsídios)

Atualizando os números, a gestão do prefeito Ricardo Nunes diz que, sem subsídios, o custo por passageiro, que seria a tarifa cheia, chegaria a R$ 13,55.

O valor alto se explica pelas gratuidades que são embutidas nos custos, as integrações pelo Bilhete Único e ao tamanho em si do sistema paulistano, que conta 12 mil 090 ônibus operacionais, com ocupação de 569 passageiros por veículo por dia.

SUBSÍDIOS SÓ CRESCEM:

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%.

Segundo o estudo, “desde 2020, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, evoluíram de R$ 3,3 bilhões naquele ano para estimados R$ 7,3 bilhões em 2025”.

Estes valores não consideram o custeio da implantação de ônibus elétricos, que possuem outras fontes e são subsidiados pela prefeitura também, mas não nesta conta. O poder público paga a diferença entre o preço de um ônibus a diesel, que é cerca de três vezes mais barato, e o ônibus elétrico – três vezes mais caro. É como se fosse a proporção 1:2 – de um elétrico de R$ 3 milhões, a empresa paga R$ 1 milhão (que seria o preço do modelo a diesel) e a prefeitura banca os outros R$ 2 milhões – valores aproximados para exemplificar.

QUEM PAGA QUANTO:

Segundo o estudo que vai ser apresentado ao qual o Diário do Transporte teve acesso, destes R$ 13,55 de custo por passageiro; R$ 12,55 são para operação e manutenção direta dos ônibus, o que inclui salários dos trabalhadores e lucro dos empresários, e, R$ 1 para infraestrutura do Sistema de Transporte, o que inclui Terminais, Comercialização Créditos e Gestão.

Sobre a cobertura deste valor, segundo os dados, os passageiros pagantes (ou seja, o que é arrecadado de fato pelos créditos do Bilhete Único Comum e em dinheiro) custeiam  R$ 4,21, ou 31,6% dos R$ 13,55.

Os empregadores, pelo Vale-Transporte, que na capital têm uma tarifa maior que a comum, cobrem R$ 1,42, ou apenas 10,5%.

Mudanças no Vale-Transporte, com a obrigatoriedade de que os empregadores com mais de nove funcionários obedeçam a uma arrecadação obrigatória e destinem uma verba a um fundo, são apontadas como caminho para uma tarifa-zero nacional. Mas a fórmula ainda sofre contestações e gera dúvidas.

As chamadas receitas acessórias, como com publicidade ou explorações comerciais, contribuem muito pouco com o sistema: R$ 0,21 ou 1,6% dos R$ 13,55 de custo de transporte por passageiro.

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%

QUEM LUCRA COM OS TRANSPORTES POR ÔNIBUS EM SÃO PAULO:

Operar ônibus em São Paulo dá um “lucro” mensal de R$ 60,7 milhões, mas cobrar impostos (em todos os níveis de governo) sobre as atividades relacionadas com os transportes públicos na capital paulista “dá mais dinheiro”: R$ 161,3 milhões.

É o que revela o estudo da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista, ao qual o Diário do Transporte teve acesso

Na seção QUEM GANHA COM A OPERAÇÃO DE TRANSPORTE, os dados mostrados pela SPTrans revelam que a carga tributária de R$ 161,3 milhões sobre todos os bens adquiridos e produtos relacionados ao sistema de ônibus tem peso de aproximadamente 14% sobre o custo médio mensal dos serviços que é de R$ 1,11 bilhão todos os meses.

O lucro de R$ 60,7 milhões das empresas corresponde a aproximadamente 5% de todo o custo mensal.

A maior fatia vai para pagamento de salários, de acordo com a planilha: R$ 468, 19 milhões, ou 41% do custo mensal.

Os fornecedores de insumos, como veículos, diesel, pneus, peças, além de serviços administrativos, representam o segundo maior peso: R$ 366.46 milhões, ou 32%.

Com a operação de infraestrutura, como de terminais, por exemplo, ainda de acordo com o levantamento, o custo mensal é de R$ 84 milhões, ou 7,3%.

QUEDA DE PASSAGEIROS AUMENTA TARIFA E SUBSÍDIOS:

segundo os dados aos quais o Diário do Transporte teve acesso, o número de passageiros caiu na projeção de 2025, em média, 19,5%, comparando com que foi transportado em 2019. Foram 2,6 bilhões (2 bilhões 638 milhões 190 mil 764) registros de passagens em 2019. Em 2025, a projeção é de 2,1 bilhões (2.122.261.193), sendo que o pior cenário, por causa dos reflexos da pandemia, foi em 2020, com 1,5 bilhão; e 202, com 1,6 bilhão de registros de passagens.

Além dos custos operacionais aumentarem e haver a necessidade de repensar a malha de linhas para deixa a rede mais eficiente, o número de passageiros também influencia.

Quanto mais cai o total de usuários, mais sobe o custo unitário por usuário.

É como um bolo, quanto menos gente, maiores os pedaços.

REAJUSTE

A tarifa básica dos ônibus do sistema SPTrans passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026

Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/12/30/confira-os-novos-valores-de-integracao-modalidades-temporais-do-bilhete-unico-e-vale-transporte-das-tarifas-reajustadas-em-sao-paulo-com-as-tabelas/

Confira o documento completo a seguir:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Arthur Ferrari, Vinícius de Oliveira, Yuri Sena

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Lembrando que a grande maioria dos passageiros que migraram e ainda migram para os veículos próprios e os aplicativos, não o fazem por opção ou status. E sim por necessidade, inclusive arcando custos diários mais elevados que lhes impactam diretamente os seus orçamentos pessoais e familiares.

    Na verdade eles fogem das longas esperas nos pontos, dos atrasos, das superlotações, e da imprevisibilidade cada vez maiores do sistema.
    As pessoas não podem mais continuar chegando diariamente atrasadas, estressadas e amarrotadas ao trabalho e a outros compromissos importantes. Bem como precisam voltar pra casa minimamente inteiras e com um tempo razoável pra estar com a família e preparar-se para para o dia seguinte.

    E isso Não será resolvido apenas renovando-se uma frota mal operada com onibus cada vez mais modernos e chamativos.
    O povo não cai nessa!

  2. JULIO CESAR SILVA MORENO disse:

    O problema não é só o aumento da passagem mas também o mau serviço prestado, eu mesmo vou mudar de plantão só pra pegar carona porque estou cansado pela demora dos ônibus eu trabalho a noite e a demora parece maior ainda.

  3. Rodrigo Zika! disse:

    Quem avalia nos comentários comete um erro grave, quem é de periferia e trabalha no centro não tem como trocar o transporte, qualquer valor apenas de ida de qualquer bairro periférico até o centro sai no mínimo 60 reais de motorista de app é inviável, os poucos que conseguem pegam carona e o resto é autônomo e trabalha com o próprio veículo, um dos motivos que caíram os passageiros.

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