Governo de SP integra CPTM e Metrô na elaboração do Plano Integrado de Transportes Urbanos para a Região Metropolitana
Publicado em: 17 de dezembro de 2025
Conhecido como PITU 2050, o plano vai orientar investimentos e políticas públicas de mobilidade nas próximas décadas, com foco na integração dos modais e no planejamento de longo prazo da Grande São Paulo
ALEXANDRE PELEGI
A Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo (STM) autorizou a participação direta de técnicos da CPTM e do Metrô na elaboração do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU 2050), instrumento estratégico que irá orientar o planejamento da mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo nas próximas décadas.
A medida foi formalizada por meio de resolução publicada no Diário Oficial do Estado e prevê a convocação de colaboradores das empresas vinculadas à STM para atuação técnica na construção do plano. A coordenação dos trabalhos ficará sob responsabilidade da Coordenadoria de Planejamento e Gestão da Secretaria, que definirá os critérios de seleção e a forma de participação dos profissionais.
Segundo a STM, a iniciativa busca integrar o conhecimento acumulado pelas operadoras metroferroviárias ao planejamento estratégico do sistema metropolitano, fortalecendo a consistência técnica do PITU 2050 e ampliando a capacidade do Estado de estruturar soluções de longo prazo para os deslocamentos urbanos.
Os profissionais convocados atuarão em regime de tempo parcial, sem prejuízo de suas atribuições regulares e sem remuneração adicional. A resolução estabelece que os colaboradores devem ter experiência comprovada em estudos de planejamento de transportes, incluindo projetos de implantação de novas linhas de alta e média capacidade, além da expansão e modernização da infraestrutura existente.
Para Claudio de Senna Frederico, vice-presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a retomada do planejamento integrado é essencial para enfrentar os desafios estruturais da mobilidade metropolitana.
“O Plano Integrado de Transportes Urbanos representa uma mudança de paradigma em relação ao planejamento tradicional, porque deixa de apenas reagir à demanda existente e passa a pensar a metrópole desejada, integrando transporte, uso do solo, financiamento e gestão. Sem um plano dessa natureza, as cidades ficam condenadas a soluções fragmentadas e de curto prazo”, afirma Frederico .
O PITU 2050 deverá servir como referência para políticas públicas, priorização de investimentos e articulação entre diferentes modais, em um contexto de crescimento urbano contínuo e de necessidade de maior eficiência ambiental e social do sistema de transportes.
O que é o PITU 2050
O Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU) é o principal instrumento de planejamento estratégico da mobilidade urbana e metropolitana no Estado de São Paulo. Sua função é orientar, de forma integrada, os investimentos em transporte coletivo, infraestrutura viária, gestão da mobilidade e articulação entre os diferentes modais ao longo de horizontes de médio e longo prazo.
O PITU 2050 dará continuidade a esse processo, estabelecendo diretrizes para a expansão da rede metroferroviária, a integração tarifária e física entre sistemas, a priorização do transporte coletivo e a organização territorial da Região Metropolitana de São Paulo, considerando impactos sociais, econômicos e ambientais.
A história dos PITUs em São Paulo
O conceito de planejamento integrado de transportes em São Paulo começou a ganhar forma a partir da década de 1990, como resposta às limitações dos planos tradicionais, que tratavam os modais de forma isolada e reagiam apenas às demandas existentes.
Em 1995, durante o governo Mário Covas, foi instituído o Programa Integrado de Transportes Urbanos (PITU), com dois eixos centrais: a integração dos sistemas de transporte sob a coordenação da Secretaria dos Transportes Metropolitanos e a busca de novas formas de financiamento para os investimentos.
Esse processo culminou na elaboração do PITU 2020, lançado em 2000, que marcou uma inflexão no planejamento ao partir da pergunta “que metrópole queremos?” para, a partir daí, definir as soluções de mobilidade. O plano integrou transporte, desenvolvimento urbano e qualidade de vida, introduzindo uma metodologia dinâmica e participativa.
Segundo Claudio de Senna Frederico, um dos formuladores do conceito, o diferencial do PITU está justamente em sua visão estratégica:
“O mérito do PITU é servir como referência para o futuro. Ele não engessa decisões, mas oferece um conjunto coerente de possibilidades, capaz de orientar políticas públicas ao longo de diferentes gestões. Planejar transporte é planejar a cidade e o modo de vida das pessoas”, destaca .
O PITU 2050 surge, agora, como herdeiro desse processo, ampliando o horizonte temporal e incorporando novos desafios, como sustentabilidade ambiental, transformação tecnológica, mudanças no padrão de deslocamentos e integração plena da Região Metropolitana de São Paulo.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

