ENTREVISTA: Nunes diz que atraso na eletrificação de ônibus em São Paulo vai entrar no processo de rompimento com a ENEL

Respondendo a Adamo Bazani, do Diário do Transporte, prefeito disse ainda que acredita que até o fim de 2026, Brasil pode liderar frota na América Latina, como disse fabricante na COP-30

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, disse na manhã desta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, que o atraso na eletrificação da frota de ônibus na cidade deve entrar no pedido de caducidade (rompimento de contrato) contra a ENEL.

Respondendo ao repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte, Nunes voltou a atribuir este atraso o atraso à demora por parte da distribuidora em adequar a tensão da rede e a ligação para as garagens.

As declarações foram feitas durante cerimônia de entrega de mais 140 ônibus elétricos para o sistema gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte).

Com a entrega nesta quarta-feira (17), a cidade passa a ter 1.149 ônibus elétricos, sendo que a meta até dezembro de 2024 eram 2.600 coletivos. Agora, a situação tem evoluído. Também em resposta ao repórter Adamo Bazani, editor do Diário do Transporte, Nunes acredita que será possível, até o final de 2026, o Brasil ter a maior frota de ônibus elétrico da América Latina por causa do avanço de São Paulo.

A declaração vai na mesma linha da informação da presidente da Eletra Industrial, Milena Romano, na COP30, que no evento internacional em Belém (PA), também relatou ao repórter Adamo Bazani esta previsão.

Relembre

ENTREVISTA: Brasil vai ter a maior frota de ônibus elétricos da América Latina até dezembro de 2026 e São Paulo superou problemas

Como mostrou o Diário do Transporte, o ministro de Minas Energia, Alexandre Silveira e o governador Tarciso de Freitas, ao lado do prefeito Nunes, anunciaram que vão formalizar o pedido de caducidade à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Confira a fala de Ricardo Nunes na íntegra

“Olha, com relação à questão da Enel, a caducidade a gente vai contribuir com muitos documentos, inclusive esse que destaca a ineficiência da Enel no fornecimento de energia para que a gente possa abastecer os ônibus elétricos nas garagens. Vão colocar o custo altíssimo de enterramento de fios, por exemplo, só no trecho da Santa Mara que eu reformei foram R$ 24 milhões que a Enel nos cobrou para fazer o enterramento do fio naquele trecho.

Vão colocar todos os prejuízos que ela tem causado para a nossa cidade, para as pessoas, 5 bilhões de prejuízos apurados nesses 3 anos pela Federação da Indústria do Comércio, ou seja, tudo aquilo que essa empresa fez com que as pessoas sofressem e prejudicassem o desenvolvimento econômico, prejudicasse os avanços de sustentabilidade da nossa cidade, sem dúvida nenhuma. A gente vai passar muito rápido porque a gente conseguiu fechar todo o contexto dessa operação e arrumar o financiamento. R$ 6,5 bilhões a Prefeitura já levantou de recursos para financiar a substância.

O que você vai fazer se não tiver o recurso? O recurso está garantido. Nossos marcos legais que são a nossa legislação, o plano municipal do clima, a legislação de descarbonização e a decisão política do governo, o compromisso político do governo de trabalhar com a questão do meio ambiente de sustentabilidade. A gente tinha um problema que hoje me parece que está resolvido, que é a produção dos ônibus elétricos pelos fabricantes, fabricantes agora também acho que engrenaram, tem vários fabricantes que hoje estão produzindo com muita qualidade os ônibus elétricos, tanto as empresas nacionais até as empresas estrangeiras.

Então a gente tem por parte do fabricante produção, por parte do governo vontade de fazer e com relação à questão aquilo que poderia empacar que é o recurso já está totalmente disponibilizado. Então acho que a gente vai ter um avanço bastante grande, temos muitos ônibus que já passaram dos 10 anos que eles precisam serem substituídos, ônibus a diesel, que a gente só autoriza que esses ônibus sejam substituídos por ônibus elétricos. Então o desenho está formatado, agora é questão só de acelerar as entregas.

Da nossa parte, tudo aquilo que tiver de capacidade de produção, a prefeitura tem capacidade de aquisição, como eu disse aqui sem querer ser repetitivo, mas é importante, 6,5 bilhões de reais levantados pela prefeitura de São Paulo para aquisição dos ônibus elétricos.”, disse Nunes.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Além da Enel, o próprio Nunes tem culpa equivalente nessa história
    Proibir novos ônibus a combustão da noite para o dia, sem um plano técnico sério de descarbonização, é de uma estultice equivalente à incompetência da Enel.

  2. Jardel loureiro disse:

    E sobre a transwolff nada ainda disse que acabou com o contrato , maa os carros continuam a estampar a marca da empresa do PCC

  3. Rodrigo Zika! disse:

    Lembrando que mesmo a Enel entrando em caducidade pela ANEEL se for o caso, deve demorar uns anos pra realmente definir se sairá realmente, então esse contrato das empresas de ônibus precisa de alternativas com outras empresas.

  4. João Luís Garcia disse:

    Creio que no caso da eletrificação dos ônibus ou no caso da substituição da frota de ônibus a diesel pelos veículos elétricos, a ENEL não seja a grande culpada, afinal querer que um processo como esse se resolva com uma simples canetada, sem qualquer estudo de viabilidade técnica e operacional por parte da SPTrans e de os envolvidos, foi o maior erro.
    Tendo exemplos práticos como o do Chile e da Colômbia, aonde a substituição da frota com a adoção dos ônibus elétricos já vem ocorrendo há mais tempo.
    Agora logicamente que nada se compara a cidade de São Paulo, afinal aqui são por volta de 14.000 veículos a serem substituídos de uma hora para outra.
    Querer culpar a ENEL como a única causa do problema e do fracasso do projeto politico e eleitoreiro do atual Prefeito, não creio que seja o correto.

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