Governo de SP autoriza desapropriação de 10,4 mil m² para a nova Estação Água Branca, eixo central da concessão da TIC Trens

Obras viabilizam a transformação da zona oeste em hub ferroviário, integrando linhas metropolitanas e o futuro Trem Intercidades

ALEXANDRE PELEGI

A implantação da nova Estação Água Branca avançou mais uma etapa decisiva com a publicação, pelo Governo do Estado, da Resolução SPI nº 097/2025. O documento declara de utilidade pública duas áreas que somam 10.471,49 m², autorizando a concessionária TIC Trens S.A. a iniciar os processos de desapropriação necessários para as obras do empreendimento. Trata-se de uma intervenção estratégica dentro da concessão ferroviária assinada em junho de 2022, que transferiu para a iniciativa privada a operação e modernização da Linha 7-Rubi, a implantação do Trem Intermetropolitano (TIM) e do futuro Trem Intercidades (TIC) São Paulo–Campinas.

A concessão e a concessionária

A concessionária TIC Trens é formada pelo consórcio vencedor do leilão, reunindo empresas com experiência no setor de infraestrutura e mobilidade. O contrato prevê um programa de investimentos bilionário voltado à requalificação de vias, sistemas, material rodante e estações, além da construção de estruturas inéditas — entre elas, a Estação Água Branca. A previsão do governo estadual é de que a operação comercial plena do Trem Intercidades tenha início até 2029, após a conclusão das obras e dos testes operacionais que antecedem a certificação.

Importância da Estação Água Branca

A importância da Estação Água Branca dentro da concessão se explica por sua função estruturadora na reorganização do sistema ferroviário paulista. Situada em uma região de grande adensamento urbano, a estação atual não atende mais às necessidades de integração nem à demanda crescente.

O novo projeto prevê a construção de um complexo intermodal de alta capacidade, com plataformas ampliadas, acessibilidade universal, passarelas e acessos reorganizados, além de sistemas modernos de controle e operação. A estação será o ponto onde convergirão os serviços urbanos da Linha 7, o Trem Intermetropolitano e o futuro Trem Intercidades — permitindo conexões diretas e reduzindo tempos de deslocamento.

Mais do que um equipamento ferroviário, Água Branca se tornará o maior hub de transferência da zona oeste, aproximando o transporte sobre trilhos de padrões internacionais e garantindo maior eficiência ao conjunto da rede. A nova configuração também permitirá redistribuir fluxos, aliviar pressões sobre estações centrais e melhorar a confiabilidade dos serviços metropolitanos. Esta é a intenção do Estado com o projeto.

O que será desapropriado

A Resolução SPI nº 097/2025 declara de utilidade pública duas áreas que somam 10.471,49 m², localizadas entre a Rua Carijós, Avenida Santa Marina e Rua José Benedito Boneli, na Água Branca.
São elas:

  • Área 1: 4.160,50 m²
  • Área 2: 6.310,99 m²
    Total: 10.471,49 m² destinados à implantação de estruturas principais, canteiros e áreas técnicas do complexo ferroviário.

A resolução também autoriza a TIC Trens a invocar caráter de urgência nos processos judiciais, acelerando a tramitação das desapropriações. Todas as despesas ficarão a cargo da concessionária, conforme previsto no contrato. Imóveis pertencentes a entes públicos foram excluídos da declaração.

Requalificação urbana e impacto na zona oeste

Além do papel operacional, a nova estação contribuirá diretamente para a transformação urbana da região. A Água Branca vive um processo de renovação que envolve grandes empreendimentos comerciais e residenciais, além de iniciativas públicas de reestruturação viária e ambiental.

A nova Estação Água Branca funcionará como infraestrutura estruturante desse crescimento, organizando fluxos, fortalecendo a mobilidade ativa e ampliando a conexão com o transporte por ônibus. Sua implantação dialoga com diretrizes municipais e estaduais que buscam aumentar a participação do transporte sobre trilhos nos deslocamentos metropolitanos e regionais.

Com a autorização das desapropriações, o governo estadual abre caminho para o início das frentes civis da obra — uma das mais relevantes da concessão da TIC Trens. A expectativa é que a estação esteja pronta antes da operação comercial do TIC, garantindo que o eixo São Paulo–Campinas disponha de um ponto de conexão moderno e adequado às necessidades do sistema.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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