ANTT veta envelopagem usada pela FlixBus e impõe regras rígidas às empresas parceiras

Decisão obriga plataformas a mostrar claramente a operadora responsável por cada viagem.

ALEXANDRE PELEGI

A ANTT publicou nesta terça-feira, 02 de dezembro de 2025, uma Medida Cautelar que atinge diretamente o modelo de operação da FlixBus e das empresas parceiras que atuam sob o formato de serviços em plataforma. Além de determinar a retirada de venda de todas as linhas e mercados sem autorização, a Agência proibiu o uso de pinturas, adesivagens e layouts que dificultem a identificação clara da empresa autorizatária responsável pela operação.

Segundo a ANTT, a medida reforça o princípio de transparência sobre quem transporta de fato, evitando que a marca comercial das plataformas se sobreponha visualmente à identidade operacional das empresas autorizadas.

Identidade visual é o novo eixo da fiscalização

O especialista em regulação Ilo Löbel da Luz afirma que a decisão alcança o ponto mais sensível do modelo das plataformas:

“A ANTT ataca o coração do modelo das plataformas ao proibir layouts que dificultem a identificação da autorizatária. Para o regulador, é inegociável deixar claro para o passageiro quem é o transportador real.”

Ele destaca que a regra já estava prevista na Resolução ANTT nº 6.033/2023, mas agora passa a ser aplicada com rigor:

Em relação à caracterização externa dos veículos, vale o Artigo 165 da Resolução 6.033. A frota deve exibir, de forma clara e visível, a identificação da autorizatária e os municípios de origem e destino da linha. Se isso não estiver no veículo, a empresa pode ser descadastrada, e o ônibus pode ser retirado de circulação por meio de um TRT.”

Para exemplificar, Ilo cita casos práticos envolvendo plataformas e autorizadas tradicionais:

“Se a Penha é a operadora autorizada, sua identificação no ônibus é obrigatória, independentemente de qualquer vínculo societário com uma marca comercial, como Mobifácil. A marca comercial pode existir, mas jamais encobrir a marca operacional.”

Segundo ele, o efeito é imediato e atinge empresas parceiras como Adamantina, Satélite Norte, Penha/BUSCOOP, Gadotti e Santa Maria, que deverão ajustar envelopagens e padrões visuais em plena alta temporada.

“O grande gargalo jurídico do setor continua sendo até onde vai a marca comercial e onde começa a marca operacional”.

Posicionamento da FlixBus

A FlixBus afirmou ter recebido a decisão com surpresa e criticou seu timing:

“A FlixBus recebeu com surpresa a decisão publicada hoje pela ANTT, especialmente por ocorrer novamente no período de maior demanda anual por transporte rodoviário. Este é o terceiro ano consecutivo em que medidas pontuais são adotadas às vésperas das festas de fim de ano — exatamente quando milhões de brasileiros dependem do ônibus para viajar. […] Tomaremos todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis para evitar qualquer impacto no serviço e proteger milhões de passageiros.”

Impactos imediatos no modelo de plataforma

A medida incide simultaneamente sobre:

Oferta e venda de passagens em mercados sem autorização;

 Envelopagem, pintura e comunicação visual da frota usada pelas plataformas;

 Operações das empresas parceiras em um dos períodos mais movimentados do ano.

Especialistas afirmam que a decisão poderá gerar revisões contratuais, mudanças de frota e adequações rápidas para garantir conformidade com as normas vigentes.

Leia sobre a decisão da ANTT que penalizou a FlixBus:

ANTT barra serviços em parceria da FlixBus e proíbe venda de passagens em linhas sem autorização

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Acho justo!
    A medida determina apenas que se destaque claramente quem é a operadora do ônibus, e não necessariamente proíbe a aplicação das cores e logo do aplicativo.
    Os aplicativos apenas comercializam as passagens, não são os frotistas e operadores dos ônibus. E isso deve sim ficar bem claro para o passageiro.

  2. Santos Dumont disse:

    Essa é a ANTT autêntica. Subserviente aos interesses de grandes operadoras, garantindo-lhes passageiros na alta demanda. Com uma mão essa agência trava a entrada de novos operadores e novas linhas, e com a outra, sob pretexto normatizados, limpa o mercado da concorrência que favorece o usuário. Todo grande grupo tem sua autorizataria de ‘mentirinha’ e a usa para criar concorrência dentro da mesma ‘casa’ , como a Gipsy, por exemplo, no grupo Guanabara, que usa ônibus com sua logomarca, e bem minúscula a identidade da empresa autorizataria. Como diria Barão de Mauá, _tudo pro inglês ver_. Essa elite da agência, os que ali caem de paraquedas, devia ter vergonha do que fazem em prejuízo ao povo.

    1. Hermes do Renato disse:

      ANALFABETSON
      TÍPICO DE BRASILEIRO QUE GOSTA DE FALAR DOS OUTROS
      SANTOS DUMONT É AQUELE QUE VIVE SE SENSIBILIZANDO NO VÍDEO DE UMA KOMBI SEM CONDIÇÃO DE RODAR, COM INFRAÇÕES DE TRÂNSITO E SEM PAGAR OS IMPOSTOS
      PQ SEGUNDO ELE O CARA DA KOMBI É TRABAIADOR
      FLIXBUS VENDE PASSGEM COMO SE FOSSE DELA A LINHA E POR ISTO QUE CHAMEI DE ANALFABTESON PQ A LINHA NÃO É DELA
      SÓ REGULARIZAR E COLOCAR OPERADO POR CATEDRAL E OUTRAS

  3. Marcos disse:

    Isso vale pra empresa Embarca, lá do Paraná?

    1. Hermes do Renato disse:

      TÍPICO DE BRASILEIRO QUE GOSTA DE ACUSAR OS OUTROS Q NÃO ESTÃO NO ROLO
      APRENDE, FAÇA UMA PESQUISA NA FLIXBUS DE UMA ROTA DE SÃO PAULO PARA PARATY E QUE VOCÊ VAI OBSERVAR QUE NÃO EXISTE NENHUMA IDENTIFICAÇÃO DE QUE EMPRESA QUE FAZ E SIM NO SENSO COMUM TE CANALIZA COMO FOSSE TUDO FLIX
      PROCURE CURITIBA PARA REGISTRO NO SITE DA EMBARCA QUE VOCÊ VAI ENCONTRAR A RESPOSTA, EMBARCAR OPERADO POR PRINCESA DOS CAMPOS
      ACABOU

  4. Rossana disse:

    Fui com a Flixbus/ Catedral São Paulo X Brasília por 2 vezes,e nas 2 viagens comprei poltrona leito e paguei 69,00 reais adicional por escolher o tipo de poltrona. Para minha indignação quando fui embarcar , fui impedida de ocupar a poltrona leito, pois a Flixbus simplesmente mudou meu assento para poltrona executivo. Uma completa falta de respeito com o consumidor. Esta plataforma deveria ser banida do Brasil. Desonestos.

  5. Paulo Jose Pinto Ribeiro disse:

    Acho justo o passageiro tem que saber qual e empresa operadora do transporte para avaliar a qualidade do serviço.

  6. Carlos Henrique Almeida disse:

    Redator Alexandre Pelegi, favor manter os créditos da foto. Esta foto é minha.

  7. Flavio Jose Lima disse:

    A flixbus europeia funciona com todas as garantias das regras das autoridades locais e os direitos dos passageiros.

  8. Reinaldo disse:

    Satélite Norte desde 01/05/2025 e Santa Maria desde 01/11/2025 não estão mais na flixbus.
    Não sei como ficou a situação da 4bus (buscoop) com a flixbus depois que o grupo comporte a adquiriu

  9. ANTT faz um deserviço a empresa e passageiros . Isso não é nada d+ e problema é q empresas concorrentes estão receosas e apelando pra FLIXBUS deixar o mercado , simples assim … Já observei por diversas vezes funcionários da Guanabara ( rodoviária de João Pessoa) fazendo imagens etc ; contra onibus da FLIXBUS/CATEDRAL , desesperados por causa da concorrência . Com certeza a Guanabara está por trás desse embroglio.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading