ANTT barra serviços em parceria da FlixBus e proíbe venda de passagens em linhas sem autorização

Decisão SUFIS afeta operações feitas em conjunto com oito empresas; FlixBus diz que medida surpreende e repete padrão às vésperas das festas

ALEXANDRE PELEGI

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta terça-feira, 2 de dezembro de 2025, no Diário Oficial da União, a Decisão SUFIS nº 1, de 1º de dezembro de 2025, que aplica medida cautelar contra a Flixbus Transporte e Tecnologia do Brasil LTDA e oito empresas parceiras, proibindo a venda de passagens em linhas para as quais a empresa não possui autorização.

Assinada pelo superintendente de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros, Hugo Leonardo Cunha Rodrigues, a decisão veda que a Flixbus se apresente como transportadora em mercados não autorizados, tanto em sua própria plataforma quanto em sites de terceiros ou qualquer outro meio físico ou virtual de divulgação e comercialização de passagens.

A medida atinge também as seguintes empresas:

Viação Esmeralda Transportes LTDA,

Auto Viação Gadotti LTDA,

Cooperativa de Transporte Rodoviário de Passageiro, Serviços e Tecnologia – BUSCOOP,

Expresso Adamantina LTDA,

Expresso Satélite Norte LTDA,

Primar Navegações e Turismo LTDA,

Transportes Santa Maria LTDA e

Viação Luxor LTDA.

Estas empresas ficam proibidas de autorizar esse tipo de operação em parceria com a plataforma.

Mercados já autorizados ficam de fora da restrição

A decisão ressalva, em parágrafo único, que a medida cautelar não se aplica aos mercados já autorizados à Flixbus pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário de Passageiros (SUPAS), por meio das Decisões SUPAS nº 1.623 a 1.635, todas de 2025, concedidas sob judice, bem como eventuais alterações posteriores nesses mercados. Nesses casos, a operação continua permitida.

As Decisões SUPAS 1.623 a 1.635/2025 autorizaram a operação de 13 novas linhas interestaduais pela FlixBus no Brasil. Entre os trechos liberados estão:

Campina Grande do Sul/PR ↔ Campinas/SP

Cariacica/ES ↔ Salvador/BA

Campina Grande do Sul/PR ↔ Florianópolis/SC

Itaboraí/RJ ↔ Vitória/ES

Curitiba/PR ↔ Penha/SC

Penha/SC ↔ Porto Alegre/RS

Porto Real/RJ ↔ Juiz de Fora/MG

Rio de Janeiro/RJ ↔ Cariacica/ES

São Bernardo do Campo/SP ↔ Angra dos Reis/RJ

São Bernardo do Campo/SP ↔ Itaboraí/RJ

São Paulo/SP ↔ Porto Real/RJ

Guarulhos/SP ↔ Florianópolis/SC

Campina Grande do Sul/PR ↔ Florianópolis/SC (outra seção via SC)

Além disso, a Decisão SUPAS nº 1.633/2025 formalizou a autorização da linha São Paulo/SP – Penha/SC, com seções intermediárias via Campina Grande do Sul/PR e Curitiba/PR – ampliando a malha da FlixBus para o litoral catarinense.

Essas autorizações foram concedidas “sub judice”, ou seja, enquanto o processo judicial que questiona as regras de habilitação da FlixBus está em curso.

Na prática, a ANTT mira especificamente a atuação da empresa e das parceiras em rotas para as quais não há autorização formal, reforçando o caráter regulado do transporte interestadual e internacional de passageiros.

FlixBus: “Decisão surpreende e repete padrão às vésperas das festas”

Em nota, a empresa afirmou:

“A FlixBus recebeu com surpresa a decisão publicada hoje pela ANTT, especialmente por ocorrer novamente no período de maior demanda anual por transporte rodoviário. Este é o terceiro ano consecutivo em que medidas pontuais são adotadas às vésperas das festas de fim de ano — exatamente quando milhões de brasileiros dependem do ônibus para viajar. Além de impactar diretamente a população, a decisão gera insegurança operacional e contraria entendimentos judiciais que já reconheceram a regularidade do modelo adotado pela empresa.

A medida deste ano pode atingir diretamente um modelo de sucesso que implementamos no país desde 2021, responsável por atender milhões de pessoas e conectar estados e cidades que tinham acesso limitado ao transporte rodoviário interestadual. Tomaremos todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis para evitar qualquer impacto no serviço e proteger milhões de passageiros que dependem de alternativas acessíveis, seguras e competitivas no transporte rodoviário brasileiro.”

Veículos terão de ter identificação clara da operadora

Outro ponto central da Decisão SUFIS nº 1 é a exigência de que os veículos utilizados apresentem caracterização externa que permita a identificação clara da empresa autorizatária responsável pela operação. Fica proibido o uso de pinturas, marcas ou layouts que dificultem, confundam ou impeçam o reconhecimento pelo usuário.

Caso a fiscalização encontre veículos cuja identidade visual gere confusão ou esconda a operadora, a ANTT determina a lavratura de autos de infração por indução do passageiro em erro e por transporte irregular de passageiros, com base nos procedimentos da Resolução ANTT nº 4.287/2014. A mesma orientação vale para operações que utilizem apenas voucher ou outro documento que não atenda à obrigatoriedade de emissão do Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e).

Medida cautelar vale até decisão de mérito

A decisão esclarece ainda que os efeitos da medida cautelar permanecerão válidos até o julgamento de mérito do Processo Administrativo Ordinário em curso na agência reguladora. Ou seja, trata-se de uma ação preventiva, adotada enquanto a ANTT aprofunda a análise sobre o modelo de atuação da Flixbus e das empresas parceiras no transporte rodoviário de passageiros.

A Decisão SUFIS nº 1 entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.

 


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Felipe Amorim disse:

    Será que vão barrar a Busco também? afinal, eu entendo que é o mesmo serviço né

  2. Felipe Ribeiro disse:

    BusCo, MobiFacil, ItaFlex, Embarca, todas são Serviço por Aplicativo com Layout próprio em Linhas que não estão registradas sob tais marcas. O Grupo Águia Branca tem Linhas, por exemplo, mas não no nome da BusCo, a N. Sra. da Penha tem Linhas, mas não no nome da MobiFacil… Seguindo o argumento da ANTT, todas deveriam ser barradas. Acredito que não será tão difícil derrubar essa decisão da ANTT na Justiça, com base nas contradições da Agência. A ANTT merecia uma CPI.

    1. Jefferson disse:

      Qualquer advogado já derruba essa proibição essa ANTT deve estar de marcação com a FLIXBUS, não é possível isso.

  3. Absurdo isso ! ANTT presta um desérviço a população q depende de onibus de viagens , novidade 0 por ser no Br, fica a dica 👍

  4. ILO LOBEL DA LUZ disse:

    Decisão de alto impacto da SUFIS/ANTT. O ponto nevrálgico da Medida Cautelar não é apenas a venda, mas a identidade visual da frota. Ao proibir ‘pinturas ou layouts que dificultem a identificação da operadora autorizatária’, a Agência ataca o coração do modelo de negócios das plataformas: o branding único.

    Para o regulador, a transparência sobre ‘quem transporta de fato’ é inegociável. Para as parceiras (como Adamantina, Satélite Norte e outras ), isso impõe um desafio operacional imediato de adequação da frota em plena alta temporada. O debate sobre até onde vai a marca comercial versus a marca operacional continua sendo o grande gargalo jurídico do setor.

  5. Claudia Regina Gomes da Silva disse:

    Muito bom mesmo a ANTT fiscalizar, pois a linha Campinas/São Paulo x Angra dos Reis/Paraty apresenta problema praticamente todos os dias. Viagem longa, cansativa e passageiros parados na estrada sem suporte nenhum nem da Flixbua, nem da Primar que operam.juntas

  6. Jefferson disse:

    Só marcação com a FLIXBUS governo só atrapalha mesmo, sendo que as linhas que a ANTT barrou são linhas autorizadas pelas respectivas empresas operarem. Nesse caso a FLIXBUS apenas vende as passagens. Sacanagem isso viu!

  7. And disse:

    O problema da Flixbuss é que ela é um aplicativo de venda de passagens e ao invés das passagens estarem saindo no nome das empresas para a qual ela vende ela emitia as passagens como a linha fosse da Flixbuss o que não existe, ela não possui nenhum ônibus.

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