Gestão Nunes da capital paulista reclama que Senatran há 1,5 ano não aprova novas faixas azuis em vias onde morreram 25 motociclistas no período
Publicado em: 28 de novembro de 2025
Segundo prefeitura de São Paulo, são 73 vias que somam cerca de 80 km, onde ocorreram 647 acidentes
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
A gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reclamou nesta quinta-feira, 27 de novembro de 2025, do que classificou como demora da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) em liberar a implantação de mais de cerca de 80 km de faixas azuis destinadas a circulação de motos na capital paulista.
Segundo nota da prefeitura, os pedidos começaram a ser feitos há cerca de um ano e meio e até agora, não tiveram respostas da pasta que faz parte do Ministério dos Transportes, do Governo Federal.
A gestão municipal diz ainda que estes 80 km correspondem a 73 vias onde, neste período de um ano e meio, ocorreram 647 acidentes, que resultaram em 25 mortes.
De acordo com a prefeitura da capital paulista, os pedidos de autorização feitos à Senatran são divididos em dois lotes de vias: no primeiro, 28 vias aguardam autorização desde julho de 2024. Há também outras 45 vias que esperam a implantação da Faixa Azul desde janeiro deste ano de 2025 (ao fim da reportagem, veja a relação completa).
“A Prefeitura tem feito reiterados pedidos ao órgão federal para a liberação da sinalização especial para dar segurança aos motociclistas. Estudos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) demonstraram redução de 47% nas mortes nos trechos onde a estrutura foi implantada. Desde janeiro de 2022, quando o programa foi criado, a Prefeitura já implantou 232,7 quilômetros Faixa Azul em 46 vias da cidade” – diz a gestão municipal, em nota.
Pelo fato de a política de faixas azuis ser ainda em caráter experimental, não integrando definitivamente o Código de Trânsito Brasileiro, é necessário que equipes técnicas da Senatran avaliem via por via, solicitação por solicitação, para dar aval às novas implantações.
A cada três meses, a prefeitura de São Paulo envia relatórios à Senatran com dados de desempenho operacional e balanços de acidentes nas faixas já implantadas.
Atualmente, a cidade de São Paulo possui 232,7 quilômetros de Faixa Azul em 46 vias.
Desenvolvidas na capital paulista pelas equipes técnicas da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as faixas azuis, que separam a circulação dos carros e das motos, sempre com um corredor mais largo para as motocicletas entre duas faixas de carros, caminhões e ônibus, começaram a ser implantadas na cidade de São Paulo em 25 de janeiro de 2022.
A CET diz que houve redução média de 47% nas mortes nos trechos onde as faixas foram implantadas.
Em nota, a prefeitura diz que as vias que aguardam liberação foram catalogadas e mapeadas, estando entre as que atualmente registram o maior número de acidentes violentos envolvendo motociclistas.
Os números tornam evidente a urgência: entre as vias mais críticas aguardando implementação estão a Avenida Atlântica, com 6 mortes e 106 acidentes desde janeiro deste ano; a Avenida Assis Ribeiro, com 5 mortes e 36 acidentes; e o prolongamento da Avenida Inajar de Souza, que somou 2 mortes e 55 acidentes. Outras avenidas importantes, como Ragueb Chohfi (44 acidentes, 3 mortes), Jaguaré (21 acidentes), Rio Branco (11 acidentes) e Ipiranga (11 acidentes), também apresentam índices preocupantes.
A Prefeitura lembra que esses corredores já estão mapeados, sinalizados e tecnicamente preparados para receber o novo modelo de circulação segura — faltando apenas a autorização federal para ativação definitiva.
Para o prefeito Ricardo Nunes, o impasse com o Senatran custa vidas todos os meses. Ele lembra que o município registrou aumento expressivo nos atendimentos por traumas de motociclistas e que a cidade enfrenta um cenário de pressão crescente sobre o sistema público de saúde, situação que pode ser agravada por decisões recentes que ampliam a circulação de motos sem regulamentação adequada — como a liberação judicial de moto para transporte de passageiros por aplicativo.
O Diário do Transporte aguarda reposta da Sentatran.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Aí concordo com ele, as vias que circulam muitas motos precisam de faixas azuis.