Eletromobilidade

Instabilidade na energia na garagem da A2 Transportes gera divergência entre empresa e ENEL sobre causa da queda que afetou saída de ônibus elétricos

Garagem ficou às escuras

Distribuidora diz que falha foi interna; A2 afirma que defeito ocorreu em equipamento sob responsabilidade da Enel

ALEXANDRE PELEGI

A garagem da A2 Transportes teve sérios problemas de energia na madrugada deste sábado, 15 de novembro de 2025. De acordo com a empresa, a garagem situada na Estrada do Alvarenga, no Jardim Pedreira, zona Sul de São Paulo, vem sofrendo com constantes quedas de energia. Isso tem prejudicado o serviço de recarga dos ônibus elétricos da empresa, que opera no sistema de transporte público municipal gerenciado pela SPTrans e é responsável por diversas linhas que atendem a essa região da cidade.

Da noite de sexta-feira (14) para a madrugada deste sábado a energia passou a oscilar com mais frequência, como se pode conferir no vídeo encaminhado ao Diário do Transporte pelo operacional da empresa.

Por conta do problema, dos 30 ônibus elétricos 20 não carregaram 100%. Em decorrência disso, a empresa precisou remanejar carros a diesel no lugar dos elétricos, e registrou a ocorrência junto à SPTrans, uma vez que algumas linhas terão problemas:

Choque de versões

A instabilidade no fornecimento de energia registrada na garagem da A2 Transportes, na Estrada do Alvarenga, Zona Sul de São Paulo, na noite de sexta-feira (14) e madrugada deste sábado (15), segue gerando consequências operacionais e agora também versões conflitantes sobre a origem do problema. A queda afetou a recarga dos ônibus elétricos da empresa e comprometeu a liberação da frota programada para atender linhas da SPTrans nas primeiras horas do dia.

Em nota enviada ao Diário do Transporte, a Enel Distribuição São Paulo atribuiu a interrupção a um defeito interno nas instalações da própria A2. Segundo a distribuidora, “não foram identificadas ocorrências na rede da Enel que atende a região ou o ramal que supre a garagem da A2 no período citado”. A concessionária afirma ainda que a energia “foi restabelecida no local por volta de 02h40 deste sábado” e que mantém contato com a empresa para esclarecimentos adicionais.

A A2, no entanto, rebateu a versão. O engenheiro responsável da transportadora explicou ao Diário do Transporte que o problema ocorreu em equipamento instalado no poste externo, classificado por ele como parte da responsabilidade da distribuidora.

Segundo o técnico da empresa:

“Olha aí, caiu o fusível e bateu os deles. A parte de fora da calçada é toda da Enel. Do cabo pra baixo é nossa responsabilidade; do fusível pra cima é da Enel. Esse fusível que caiu — chamado fusível Mateus — é parte da Enel. Ela que instala tudo certinho. A gente só deixa os cabos para serem ligados nesses fusíveis. Se o fusível cai, então a responsabilidade é da Enel. Se fosse para dentro, seria nossa.”

A declaração contradiz diretamente a versão oficial da distribuidora, que sustenta não ter havido falha na rede sob sua gestão.

A ocorrência ocorreu entre 22h de sexta e cerca de 4h30 deste sábado, período em que a empresa teve dificuldade para completar a recarga dos veículos elétricos. A A2 informou que registrou o problema junto à SPTrans por causa do impacto no atendimento das linhas.

A reportagem segue acompanhando o caso e solicitou novos esclarecimentos técnicos às duas partes.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Independente de Enel ou não, que situações assim sirvam de termômetro para se repensar tanto a pressa desenfreada quanto a adoção uma única tecnologia de eletrificação.
    Se hoje é a Enel, amanhã podem ser outras causas ligadas a fenômenos e mudanças climáticas, ou ainda maior frequência de black-outs repentinos e pouco esclarecidos.. E aí? O prefeito vai querer jogar a a culpa em quem?

    Como eu venho dizendo: A descarbonização não pode e nem deve depender só de tomadas elétricas!

    1. ZéTros disse:

      Pois é, se o projeto não fosse politiqueiro, isso não teria acoontecido.

  2. junior disse:

    eu poderia dizer q gerador a diesel seria a melhor escolha, se não fosse esse suco d mato q o pessoal insiste em chamar d biodiesel…

    então é melhor um gerador flex, por causa da gasolina batizada…

  3. Bruno Marques disse:

    Humpf. A ENEL nem sabe trabalhar. A Eletropaulo era muito mais competente !!!

  4. Marcos disse:

    O Cartucho caído que vai conectado na base fusível são da responsabilidade da distribuidora, pois eles tem a função de proteção igual aos disjuntores que temos em nossas residências.
    Se foi atuado era necessário ter encaminhado uma equipe de técnicos para solucionar o problema. Se caso alguém houvesse feito um chamado de emergência por falta ou oscilação de energia.

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