Proposta de R$ 4,98 bilhões vence licitação do Metrô para o primeiro trecho da Linha 19-Celeste

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Consórcio Nove de Julho é declarado habilitado para executar obras iniciais entre o VSE-01 e a Estação Jardim Julieta

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia do Metropolitano de São Paulo confirmou a vitória do Consórcio Nove de Julho – Linha 19 – Yellow River – Mendes Júnior – Highland na Licitação destinada ao primeiro lote de obras da Linha 19-Celeste, que vai ligar Guarulhos à região central da capital.

A proposta vencedora, no valor de R$ 4.984.622.287,00, foi aceita pela Comissão de Licitação após análise de exequibilidade, verificação de conformidade com o edital e confirmação de que o montante está abaixo do orçamento referencial do Metrô.

A habilitação do consórcio se fundamentou em pareceres que comprovaram a experiência das empresas em obras metroviárias complexas. Os relatórios técnicos apontam que o grupo possui domínio no uso do método NATM, técnica de escavação subterrânea que utiliza o próprio maciço do solo como parte da sustentação do túnel, aplicando revestimentos à medida que a escavação avança. Também foi comprovada experiência no uso de tuneladoras (TBM), máquinas de grande porte capazes de escavar túneis com precisão e construir simultaneamente seu revestimento, exigidas para trechos de longa extensão e seção mínima de 38 m². Além disso, o consórcio apresentou atestados de implantação de via permanente com sistemas de fixação direta e massa mola, configuração usada para reduzir vibrações e ruídos, aumentando o conforto do passageiro e diminuindo impactos estruturais no entorno.

Com todas as verificações concluídas, a Comissão de Licitação declarou o Consórcio Nove de Julho habilitado e vencedor do certame, consolidando o resultado na ata oficial.

A execução do Lote 01 da Linha 19-Celeste corresponde ao primeiro avanço físico da nova linha do Metrô. O contrato inclui a elaboração do projeto executivo, a construção da estrutura bruta e arquitetônica das estações do trecho, além da execução dos poços de ventilação, saídas de emergência, túneis associados e instalação da via permanente. Também estão previstos o fornecimento e implantação dos sistemas de alimentação elétrica e dos sistemas auxiliares que futuramente integrarão a operação metroviária.

A Linha 19-Celeste é um dos projetos mais estratégicos da expansão metroviária paulistana. Prevista para ligar Guarulhos à região central de São Paulo, passando pelo corredor Norte da capital, ela tem potencial para desafogar significativamente a Linha 1-Azul e oferecer um novo eixo estrutural de mobilidade entre zonas de alto adensamento residencial e áreas que concentram atividades econômicas, empregos e serviços.

O Lote 01, por sua vez, é o ponto inicial dessa implantação. Ele abrange o segmento que receberá as fundações do traçado, definirá os acessos e estruturas de ventilação e estabelecerá as bases técnicas para a continuidade dos lotes seguintes. A execução desse trecho é considerada determinante para o cronograma global do empreendimento, já que nele se concentram obras que condicionam os demais segmentos da futura linha.

A Linha 19 ligará o Vale do Anhangabaú até o Bosque Maia, em Guarulhos, passando por bairros estratégicos. Estações como São Bento e Anhangabaú farão integração direta com as Linhas 1-Azul e 3-Vermelha, enquanto o Pari fará conexão futura com as Linhas 11-Coral e 13-Jade da CPTM. Também está prevista a integração com a Linha 2-Verde na Estação Dutra.

O trajeto deve reduzir em até uma hora por dia o tempo de deslocamento de quem vive em Guarulhos e trabalha no centro de São Paulo. “É uma linha pendular, com grande fluxo em direção ao centro pela manhã e no sentido oposto à tarde”, disse o gerente.

Além do impacto no tempo de viagem, a nova linha deve estimular o comércio e melhorar o acesso a regiões como Vila Maria, Itapegica e a área central de Guarulhos.

A Linha 19-Celeste será totalmente automatizada, com trens operando no sistema UTO (Unattended Train Operation). “Os trens sairão dos pátios de forma automática, sem necessidade de condutor. Isso garante intervalos mais regulares e previsíveis”, afirmou Paixão.

O sistema elétrico contará com múltiplos pontos de abastecimento, além de geradores e no-breaks individuais para cada estação, assegurando alto nível de confiabilidade. A expectativa é de um intervalo médio entre trens de 120 segundos nos horários de pico.

O orçamento final da obra ainda é sigiloso, mas as propostas já abertas dão uma dimensão do investimento. O Lote 1 foi estimado em R$ 5 bilhões e o Lote 2 em cerca de R$ 7 bilhões. Já o Lote 3 foi de R$ 6,89 bilhões. A soma dos lotes deve levar o custo total a algo próximo de R$ 20 bilhões.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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