VÍDEO: Sistema Red da Região Metropolitana de Santiago, no Chile, sofre com ônibus mal conservados e passageiros reclamam dos serviços
Publicado em: 6 de novembro de 2025
Diário do Transporte fez rápida viagem e conversou com alguns usuários; nenhum estava satisfeito
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
O sistema Red, de ônibus de Santiago e Região Metropolitana, melhorou historicamente os transportes públicos, concretizado como rede de diferentes modais e com a estrutura sob o Ministério dos Transportes em 2007.
Várias vans e micro-ônibus, que dominavam os transportes (tanto é que a população ainda se refere a ônibus como micro), deram lugar a ônibus maiores, mais modernos e confortáveis.
Foi implantada a conexão entre diferentes meios de transportes e até mesmo operadores profissionais de diversos países passaram a atender a população.
Não se pode negar os ganhos, mas também não a aparente falta de atualização.
À convite da Mercedes-Benz, o Diário do Transporte está nesta semana no Chile. A pauta principal é o El Más Potente, ônibus rodoviário de alto padrão preparado para enfrentar áreas de difícil acesso, como de mineração, cordilheiras ou deserto.
Relembre:
Mas foi possível nesta quinta-feira, 06 de novembro de 2025, dar uma volta rápida de ônibus pelo centro e conversar com alguns passageiros (num “portunhol” entendível).
As primeiras impressões, que já não foram as melhores, se confirmaram.
O sistema até está em reestruturação, inclusive com frota elétrica a ser ampliada no que é hoje o maior serviço urbano/metropolitano com frota elétrica.
Segundo os dados oficiais do governo, o sistema que substitui o antigo Transantiago, conta com mais de 6.500 ônibus, dos quais 2.684 são elétricos.
A grande maioria é chinesa. Com subsídios do Governo Chinês e com produção em massa, marcas como Youtong, Foton e BYD dominam após oferecerem um preço imbatível.
No Chile não há praticamente indústria automotiva e as compras se dão por licitações do Ministério dos Transportes, mesmo com a operação privada.
A frota mescla ônibus mais antigos e os novos elétricos. Mas quem não entende de ônibus pode se confundir entre “novos e velhos”.
O nível de conservação é muito ruim. Lataria amassada e riscada, além de muito vandalismo.
A bilhetagem é denominada Bip. Para andar de ônibus foi necessário ir a uma estação de metrô perto do hotel Pullmann, entrando por um estabelecimento comercial chamado MUT, uma espécie de shopping popular.
Nos ônibus não são aceitos dinheiro ou cartão bancário, mas é possível comprar com cartão de banco em máquinas de atendimento.
Não foi fácil, sendo necessária a ajuda de uma prestativa funcionária.
Os ônibus também sofrem no trânsito e fazem sofrer. Há faixas “exclusivas”, comumente desrespeitadas.
É comum serem invadidas por outros veículos, mas os ônibus também fecham muito os cruzamentos.
O interior dos coletivos é limpo e funcional, mas simples de tudo. Ônibus padrão SPTrans, da capital paulista, seriam luxo em Santiago.
As reclamações principais são sobre atrasos, linhas novas que poderiam ser criadas e a conservação da frota.
Veja algumas fotos:


















Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


Ano passado viajei para Santiago, onde pude conhecer de perto o sistema que tanto tinha curiosidade e de fato, fiquei espantado com tamanha falta da conservação na maioria da frota….alguns ainda cuidados, mas muitos dos eletricos que ainda sao os mais novos, estavam ja mal cuidados.
O Metro tambem era bem vergonhoso, trens de 2012, com cara de decada de 50, com mal cheiro, mal conservados e bem sujos.
Sao Paulo, com os onibus e trens/metros, estão muito melhores ainda
Nada como se conferir as coisas ao vivo e a cores!
Mais um bom exemplo de que não basta apenas investir em frota e na estética dos pontos.
Engraçado que esse modelo com cara de ML4 é um Mondego moderno, já sobre os modelos elétricos mal cuidados SP em alguns locais também é igual, esses dias peguei um elétrico da Metrópole Paulista aqui na ZL e estava todo zoado, várias rachaduras e fitas emendando o fundo onde fica a tampa da bateria, por ter pouco tempo rodando é uma vergonha.
Bem parecido com os metropolitanos de Curitiba, muitos caindo aos pedaços e com a lataria mau pintada, toda amassada, para-choques cheios de massa, cadeiras quebradas, fumaça e muitos ônibus Euro 3 de 2008, 2009, 2010 e 2011 ainda rodam, fora os desativados de outros estados que são pintados de branco e reformados porcamente.