Prefeitura de São Paulo desiste do projeto original do Corredor de Ônibus Sabará
Publicado em: 4 de novembro de 2025
Revogação de decreto encerra plano de desapropriações; SPTrans diz que eixo seguirá com faixa exclusiva requalificada
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo revogou o decreto que previa desapropriações para a construção do Corredor de Ônibus Sabará, na zona sul da capital.
O Decreto nº 64.674, de 31 de outubro de 2025, assinado pelo prefeito Ricardo Nunes, revoga o Decreto nº 61.528/2022, que havia declarado de utilidade pública imóveis nos distritos de Santo Amaro, Campo Grande e Pedreira, nas Subprefeituras de Santo Amaro e Cidade Ademar, para a implantação de corredor exclusivo de ônibus.
De acordo com resposta oficial da SPTrans ao Diário do Transporte, o decreto de 2022 tratava especificamente do Corredor de Ônibus Sabará, com traçado pelas vias Rua Borba Gato, Rua Isabel Schmidt, Avenida Nossa Senhora do Sabará, Avenida Emerico Richter e Rua Miguel Yunes, conforme indicado nas plantas mencionadas no próprio decreto.
A SPTrans informou que a revogação ocorreu “em razão da revisão do plano tático de mobilidade urbana e da redefinição das prioridades para o eixo sul da cidade”. Com isso, a Prefeitura não seguirá com o projeto original, que previa um corredor estrutural com faixa central e desapropriações laterais.
Faixa exclusiva requalificada substitui o projeto
Embora o corredor projetado tenha sido cancelado, o eixo Sabará–Miguel Yunes permanece estratégico para o transporte público. Mas… segundo a SPTrans e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), a Avenida Nossa Senhora do Sabará já conta com faixa exclusiva para ônibus, e passou por intervenções significativas em 2024, incluindo:
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Requalificação das 37 paradas de ônibus;
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Substituição do pavimento flexível por pavimento rígido;
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Alteamento e requalificação das calçadas, ampliando a acessibilidade e o conforto dos passageiros.
De acordo com a prefeitura da capital, essas melhorias mantêm o “princípio de prioridade ao transporte coletivo” no eixo sul, mas sem a necessidade de novas desapropriações.
O que muda na prática
Com a revogação, os imóveis anteriormente declarados de utilidade pública retornam ao status original, encerrando qualquer processo de desapropriação.
A decisão indica uma mudança de estratégia no planejamento viário da capital — substituindo a antiga proposta de corredores segregados por intervenções mais pontuais e operacionais, como faixas exclusivas e melhorias de infraestrutura já implementadas.
Leia a nota da SPTrans na íntegra:
O Decreto nº 61.528/2022 tratava do Corredor de Ônibus Sabará, com traçado pelas vias Rua Borba Gato, Rua Isabel Schmidt, Avenida Nossa Senhora do Sabará, Avenida Emerico Richter e Rua Miguel Yunesl, conforme consta nas plantas que estão mencionadas no próprio Decreto. Sobre o motivo da revogação pelo Decreto nº 64.674/2025, aconteceu em razão da revisão do plano tático de mobilidade urbana e da redefinição das prioridades para o eixo sul da cidade.
A Secretaria de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que a avenida Nossa Senhora do Sabará conta com faixa exclusiva para ônibus. Em 2024 a avenida recebeu requalificação das 37 paradas de ônibus, além da substituição do pavimento flexível por rígido, e alteamento e requalificação das calçadas, melhorando a acessibilidade no local.
Mudanças
Em fvereiro de 2023 a prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, contratou por R$ 4,2 milhões (R$ 4.212.126,05) a Systra Engenharia e Consultoria Ltda para a consolidação dos projetos básicos e desenvolvimento dos projetos executivos para a obra do Corredor de ônibus Sabará.
A empresa venceu a concorrência, realizada no dia 21 de novembro de 2022, cujo resultado foi homologado em 13 de dezembro.

O resumo do contrato foi publicado na edição do Diário Oficial da Cidade no dia 04 de fevereiro de 2023:

Na justificativa da contratação, a SPTrans esclareceu que o desenvolvimento do transporte público coletivo da cidade de São Paulo “vem destacando a prioridade na ampliação das malhas regionais de transporte, com o uso da integração via Bilhete Único“.
Com isso, dizia a SPTrans à época, diferentes modalidades de transporte são integradas, preferencialmente por meio de novas ligações orbitais periféricas, do que resulta a criação de “anéis de transporte”, graças à interligação de eixos radiais.
“Essas iniciativas vêm rompendo com a tradicional tendência à disposição radial dos grandes corredores de transporte da cidade”, defendia a gerenciadora dos transportes da acpital.
“Essa condição é muito bem vinda, uma vez que tende a aproximar as ‘linhas de atendimento’ de transporte e as ‘linhas de desejo’ de deslocamento da população, conduzindo a melhor qualidade de serviço, melhor equilíbrio entre oferta e demanda, menores custos e maior eficiência econômica e operacional”, dizia então a SPTrans.
O Corredor Sabará como proposto se integrava na melhoria viária destinada a aumentar a capacidade de deslocamento dos usuários da Zona Sul, com intervenções urbanísticas e viárias para dar suporte à implantação desses novos eixos, com características de corredores de ônibus, visando uma melhor distribuição do tráfego na região.
CONTEMPLA PROJETO AQUÁTICO

Traçado do Corredor Sabará: vai até futuro Terminal Pedreira do Aquático.
O corredor Sabará era visto como de grande importância para o futuro sistema hidroviário da Billings.
O trecho do Corredor pertence às Subprefeituras da Capela do Socorro, Cidade Ademar e Parelheiros.
O traçado no sentido bairro terei início na Rua Isabel Schimidt, Rua Carlos Gomes, Rua Borba Gato e se desenvolveria ao longo das Avenidas Nossa Senhora do Sabará, Emérito Richter, onde o viário articula-se com a Estrada do Alvarenga e Rua do Mar Paulista, no futuro Terminal e Atracadouro Pedreira.
O segmento viário de 6,9 km precisa de adequações geométricas necessárias à implantação de corredor com porta à direita, pavimento rígido, no corredor com total de 10 paradas duplas e ciclovia.
Em nota ao Diário do Transporte em fevereiro de 2023, a SPTRans destacou a importância do corredor para o projeto Aquático:
“Esta é uma via importante que proporcionará a locomoção dos munícipes da região de forma mais ágil, diminuindo o tempo de viagem do trajeto e aumentando a acessibilidade a outras regiões da cidade. O traçado no sentido bairro tem início na Rua Isabel Schimidt, Rua Carlos Gomes, Rua Borba Gato e desenvolve-se ao longo das avenidas Nossa Senhora do Sabará, Emérito Richter, Estrada do Alvarenga e Rua do Mar Paulista, no futuro Terminal Pedreira do Aquático”.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Eis o principal motivo para as pessoas deixarem de usar o transporte público: a falta de prioridade no trânsito. Essas faixas a direita são paliativos, não resolvem o problema.