Eletromobilidade

Ônibus a diesel convertido em trólebus da nova geração já opera com passageiros e resultados têm sido satisfatórios (Retrofit)

Também é possível transformar ônibus usados em modelos a bateria com a promessa de custos 30% menores

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

Já está em operação com passageiros no corredor intermunicipal que liga cidades do ABC ao Jabaquara, na zona Sul da capital paulista, e a São Mateus, bairro da zona Leste, o primeiro ônibus que era movido a óleo diesel e estava prestes a ser aposentado que foi convertido em trólebus da nova geração.

O processo se chama Retrofit Ecológico e consiste em dar sobrevida a veículos a combustão, transformando em modelos não poluentes na operação.

Também é possível transformar ônibus e caminhões a diesel em modelos com baterias somente com a promessa de, já com a homologação do InMetro e do Denatran, ampliar em ao menos 10 anos a vida útil de um veículo que já estaria perto de ir para o ferro-velho ou ser transferido para outro lugar poluindo mais.

Outra promessa também é de que a conversão pode ser feita em menos de um mês, custando em torno de 30% menos se comparado com um modelo de igual porte elétrico 0 km.

O lote atual terá dez ônibus articulados a diesel, ano 2008, cujo padrão de motor era o Euro 3, que é até 20 vezes mais poluente que os atuais ônibus a diesel Euro 6, dependendo do material a ser analisado.

Trata-se de uma nova geração de ônibus convertidos. Entre 2011 e 2012, outros seis ônibus articulados a diesel, fabricados em 2001, também foram transformados em trólebus e rodam até hoje no corredor.

A diferença é que a tecnologia ficou mais aprimorada e os veículos da conversão atual têm novos controladores eletrônicos que permitem um maior desempenho, mais rendimento energético e estabilidade maior por ter equipamentos mais leves que a primeira geração de convertidos.

Pelo menos é a promessa da empresa Eletra Industrial, de São Bernardo do Campo (SP), que também produz ônibus a bateria, trólebus e híbridos 0 km, além do E-Trol, um modelo que num único só veículo pode funcionar como trólebus ou baterias ou ainda híbrido, carregando as baterias enquanto circula conectado à fiação.

Segundo a fabricante, o ônibus convertido tem mostrado resultados satisfatórios e pode haver mais veículos transformados, além dos dez.

MODELO DOS ÔNIBUS:

Os veículos transformados eram originalmente Mercedes-Benz O-500 UA (Euro III) – ano 2008, carroceria Caio Millennium II, que recebem na carroceria frentes e traseira do modelo Caio Millennium V.

Não é a primeira vez que o Corredor ABD tem veículos retrofits. Na verdade, já rodam trólebus deste tipo, mas de uma geração anterior.

Entre 2011 e 2012, a Eletra transformou seis ônibus Busscar Urbanuss Pluss Volvo B 10M a diesel, ano 2001, em trólebus, que receberam os prefixos de 8150 a 8155.

Estes coletivos ainda estão em plena operação (ver abaixo o histórico).

O Diário do Transporte conversou com a diretora-executiva da Eletra Industrial, Ieda de Oliveira, que falou das vantagens que um “retrofit” pode trazer.
Assista:

RETROFIT:

Quanto tempo leva para a mudança de diesel para elétrico? Após o desenvolvimento do projeto, o primeiro veículo (chamado cabeça de série) fica pronto em duas semanas e os demais, em uma semana

Qual o custo? Transformar um ônibus ou um caminhão a diesel em tração elétrica é, em média, 30% mais barato que comprar um zero km elétrico

Ganhos Ambientais Reais: Evita transferir a poluição de um lugar para o outro (afinal, este caminhão ou ônibus a diesel, se fosse vendido como usado, operaria em outro lugar). Anula os impactos ambientais de produção de novos motores, chassis e carrocerias. Evita o descarte irregular de peças usadas, caso o ônibus ou caminhão fosse sucateado completamente (nem todas as peças e componentes acabam passando por reciclagem). Estimula a venda de usados a diesel mais novos, principalmente em caminhões, que no Brasil rodam até a chamada quarta vida, com até 30 anos de fabricação. Se os mais velhos forem convertidos em elétricos, restam os seminovos no mercado apenas.

GERAÇÃO ANTERIOR:

Entre 2011 e 2012, a Eletra transformou seis ônibus Busscar Urbanuss Pluss Volvo B 10M a diesel, ano 2001, em trólebus, que receberam os prefixos de 8150 a 8155.

O trabalho demonstrou a viabilidade da conversão, dando sobrevida a um veículo que prestes a ser baixado, trazendo vantagens ambientais.

H-25

H-26

Metra juntamente com a Eletra consegue transformar seis ônibus diesel em trólebus. Nas imagens, um dos exemplos: 8037 diesel virou 8151 trólebus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    A idéia em si é muito promissora!
    Porém um antigo ônibus a diesel convertido para elétrico, custando apenas 30% a menos do que um elétrico zero-km…precisa melhorar essa diferença, pra ser mais convidativo!

    1. Lucas disse:

      Um ônibus elétrico 0Km custando R$ 3 milhões e um convertido custando R$ 2,1 milhões é uma baita diferença, ainda mais quando se multiplica por uma frota. É sim muito convidativo.

  2. Glauco Pinheiro disse:

    Maravilha

  3. Alex disse:

    Com essa ideia ñ há renovação de frota

  4. PAULO ROBERTO POSTIGO DE OLIVEIRA BITTENCOURT disse:

    Ou seja!! Novo ônibus velho

  5. Sergio disse:

    Ainda não entendo como ainda permitem a fabricação de novos modelos ainda utilizando combustíveis fósseis, a Diesel, pior ainda, classificado como cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde. Devem ou converter para elétrico ou tirar de circulação.

    1. Raphael disse:

      A questão é a seguinte: temos um grande problema com relação à infraestrutura para recargas de bateria, o que requer um forte investimento e este tipo de ação precisa do apoio do governo para fomento das mudanças a serem realizadas, promover incentivos fiscais para as empresas principalmente do mercado nacional quanto à tecnologias de mobilidade sustentável, o que infelizmente, vemos isso de forma incompleta quando se tem ou até mesmo inexistente. Ainda há a questão de um mercado muito acomodado e resistente à mudanças. No caso o nosso mercado é bem comum. Um exemplo são algumas empresas de SP rodando com ônibus de 2012 aguardando algum decreto ou emenda da câmara municipal, com alguma brecha afrouxando a determinação que proíbe a aquisição de ônibus a combustão… A desculpa de não renovar a frota, colocam na Enel, que não faz a ligação do carregadores nas garagens e por aí vai. A prefeitura libera subsídios para aquisição de ônibus elétricos… Mas para a coisa acontecer é enrolado demais… Já estão habituados com a mão de obra já acostumados com veículos a diesel, fornecedores e etc… A mudança da frota implica uma mudança profunda na operação dessas empresas. E sem contar ainda, o mercado de fornecedores de peças e serviços para veículos a combustão, vão perder significativamente sua relevância no mercado devido a mudança da matriz energética e componentes dos novos veículos… Teriam que portanto, se readequar as novas necessidades, mas para os poderosos, mais vale um lobby para atrapalhar a mudança das frotas para veículos 100% elétricos. O que diz a OMS, esse pessoal na verdade está “cagando”… Pois para eles, a opinião dela é tão importante quanto o que pensa o cachorro caramelo.
      Enquanto nisso, vai continuar tendo novos veículos movidos à combustão.

  6. Rodrigo Zika disse:

    Legal, mas em SP capital esquece pelo lobby.

  7. Wagner LucioGonçalves disse:

    Bom dia aqui no sesc interlagos não chegou nem um elétrico só ônibus velho
    Tem duas linhas da mobi Brasil sesc xj abaquara e praça do correio X oriom linha péssima poucos ônibus

  8. JOSE LUIZ DE MARTINI disse:

    Nos anos 60 e 70 a antiga CMTC convertia antigos onibus Diesel em eletricos .fazia isto em suas proprias oficinas.

    1. Santiago disse:

      Mais ainda do que uma grande operadora de ônibus, a CMTC incluía um complexo de projeto e de fabricação de novas soluções sob medida para as realidades de São Paulo.
      Infelizmente as difamações promovidas contra a CMTC “colaram” junto à opinião pública. Viabilizando politicamente o seu desmantelamento, e a repartição do espólio entre os “amigos do poder”.
      Triste!

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