“Nosso DNA é mobilidade”: Podcast do Transporte grava episódio especial com Niege Chaves direto da Arena ANTP 2025

Estúdio no Arena ANTP-2025. Niege Chaves foi entrevistada pelo produtor Luiz Romagnoli

Empresária e vice-presidente do Grupo MobiBrasil destaca em entrevista a importância de manter o propósito coletivo, investir em infraestrutura e acreditar no papel transformador da mobilidade urbana

ALEXANDRE PELEGI

Gravada diretamente da Arena ANTP 2025 nesta quinta-feira, 30 de outubro de 2025, a entrevista conduzida pelo produtor Luiz Romagnoli com Niege Chaves, empresária e vice-presidente do Grupo MobiBrasil, sintetiza em bons minutos de conversa a energia e a visão de quem transformou o transporte público em vocação de vida.

Eu sempre falo que não saio para trabalhar — saio para me divertir”, resume. “Todo dia acordo feliz porque vou fazer alguma coisa nova que vai melhorar a vida de alguém.”

“A indústria brasileira está reagindo muito bem às transformações”

Niege destaca o papel da Arena ANTP como um termômetro do setor.

É maravilhoso ver a indústria brasileira reagindo tão bem às transformações. Quantos ônibus elétricos, quantos carregadores, quantas empresas nacionais e multinacionais vindo ao Brasil gerar emprego. O importante é manter a linha — sabendo que a gente tem parada. Eu brinco que a gente não é metrô, que anda só expresso: a gente para, faz transbordo e segue por outro caminho.”

“Não existe transporte público bom sem infraestrutura”

Ao relembrar a implantação do BRT de Recife, Niege alterna entre o orgulho e o realismo de quem liderou um dos primeiros projetos integrados de mobilidade do país.

“Não sei se foi pioneirismo ou loucura”, brinca. “Mas eu dizia desde o começo: não dá para melhorar o transporte público só comprando ônibus novos com ar-condicionado e sistema de informação. Se não tiver infraestrutura, se não tiver capilaridade, se não tiver sistema integrado, não adianta.

O resultado, diz, valeu cada desafio:

Hoje o BRT transporta quase 100 mil passageiros por dia. É um serviço super bem avaliado, às vezes até mais do que o trilho. Transformou a vida de muita gente. Claro que tem problemas, mas o importante é que está de pé — e continua evoluindo.

“Nosso DNA é mobilidade”

A executiva descreve a estrutura atual do Grupo MobiBrasil, dividido em três frentes principais — tecnologia, transporte público e infraestrutura urbana —, todas com um propósito comum: a mobilidade coletiva.

Outro dia me ligaram oferecendo um negócio bom na área de saneamento. Eu disse: ‘Desculpa, eu não nasci pra cuidar de merda’. Nosso DNA é mobilidade, é ser coletivo”, diz com humor.

Entre os projetos tecnológicos, Niege cita o eXploreAI, plataforma de gestão e manutenção de frotas a diesel e elétricas, e o fortalecimento da Primova, empresa de inovação em mobilidade.

Ônibus não pode quebrar e não pode atrasar. A frota tem que estar disponível. É isso que garante qualidade.”

Já na infraestrutura urbana, o grupo investe em terminais sustentáveis, com recarga elétrica, banheiros limpos e espaços seguros:

“Um terminal limpo e seguro é o que as pessoas merecem. É ali que começa a dignidade do transporte.”

“Dados abertos são fundamentais para planejar uma mobilidade melhor”

Fundadora do Cittamobi, aplicativo que revolucionou a forma como milhões de usuários acompanham seus ônibus em tempo real, Niege defende a integração entre tecnologia e gestão pública.

“O aplicativo nasceu do desejo de dar informação ao passageiro. Hoje ele mostra horário de ônibus, trem, metrô. Mas precisamos ir além — os dados precisam ser abertos, disponíveis para todos, para planejar uma mobilidade melhor.”

E completa:

“Com dados abertos, podemos discutir tarifa zero, tarifa única, sistemas integrados. Já temos muitas radiografias — agora precisamos de uma junta médica com governo, empresas e sociedade para decidir o Brasil que queremos.”

“Eu quero um Brasil coletivo”

Questionada sobre o futuro que deseja, Niege não hesita:

“Eu quero um Brasil coletivo, onde as pessoas tenham orgulho das suas cidades. Onde o carro seja privilégio, mas o transporte público tenha prioridade. O ônibus, o metrô, o VLT e as barcas têm que ser desenvolvidos para facilitar a vida de quem mora longe. O individual não pode travar o coletivo.”

“Cada um no seu papel pode fazer um pouco mais”

Mesmo otimista, ela reconhece os desafios da política e da gestão pública, mas acredita na força do propósito compartilhado:

É responsabilidade de todos: do motorista que acorda às 3h, do mecânico, do gestor e do empresário. Cada um tem seu papel. E juntos, a gente é muito mais forte.”

Com o novo marco regulatório, Niege diz ver um momento de reconstrução da confiança e dos contratos.

“Entra governo, sai governo, mas o bem que é feito para a cidade tem que ficar. A obra fica, o pagamento fica. É isso que dá segurança para investir.”

“A soma das partes é maior que o todo”

Sobre expansão e novos projetos, a empresária cita os estudos em curso para participar de PPPs de terminais urbanos, e a busca por novas oportunidades no Brasil e na América Latina.

“Estamos estudando os projetos do BNDES para entender onde podemos contribuir. Não dá pra fazer tudo, mas dá pra fazer bem feito, em parceria. A soma das partes é maior que o todo.”

E conclui com o espírito que define sua trajetória:

“Essa energia não é minha. É de um time enorme, um empurrando o outro. Às vezes a gente dá umas cotoveladas (risos), mas tem um propósito comum: deixar um legado. E eu tenho certeza de que a gente tá fazendo o nosso melhor para deixar alguma coisa boa na sociedade.”

PODCAST DO TRANSPORTE

O Podcast do Transporte é um produto do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Ótima entrevista!
    Muito bom conhecermos quem valoriza a dedicação, o cuidado e o bom planejamento nessa área.
    E Niege disse uma coisa que deveria ser ouvida e assimilada por muitos dos nossos gestores públicos:
    – Não adianta ficar apenas comprando ônibus novos e modernos com ar-condicionado, se não há investimentos em infraestrutura, integração e capilaridade.

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