Eletromobilidade

NEXT Mobilidade terá de rever plano de ação do BRT-ABC após atrasos nas obras, decide Artesp

Agência determina complementação de informações sobre cronograma e sistemas tecnológicos essenciais para início das operações do novo corredor metropolitano

ALEXANDRE PELEGI

A Artesp determinou que a NEXT Mobilidade, concessionária responsável pelo Sistema BRT-ABC, complemente o plano de ação apresentado à agência, incluindo datas de início, término, marcos e escopos das etapas de implantação dos sistemas tecnológicos necessários ao início das operações.

A decisão está na Deliberação nº 534, publicada nesta quarta-feira, 15 de outubro de 2025, que trata do atraso nas obras e da apuração de desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, e ocorre em meio à crescente pressão pública e política sobre o andamento do projeto.

Em entrevista noticiada pelo Diário do Transporte em agosto, o governador Tarcísio de Freitas afirmou estar “desconfortável com os atrasos” e que o governo estadual avaliava multar ou até romper o contrato com a Next Mobilidade caso o ritmo das obras não fosse acelerado. O governador destacou que o BRT-ABC é prioridade da gestão, por tratar-se do principal investimento metropolitano em mobilidade sobre pneus.

Em resposta, a concessionária afirmou ao Diário do Transporte que 50% do pavimento do corredor já está concluído, e que novos turnos de trabalho foram abertos para acelerar as frentes de obra. A Next também informou que tem adotado medidas para otimizar a execução de serviços complementares, como o sistema de drenagem e fundações das estações.

Outro marco relevante do projeto é o novo terminal de ônibus e trólebus de São Bernardo do Campo, estrutura central do sistema troncais do BRT. Segundo a empresa, o equipamento deve ser inaugurado em outubro de 2026, servindo como ponto de integração com linhas municipais, intermunicipais e o futuro corredor exclusivo que ligará o ABC à capital paulista.

Na deliberação publicada nesta quarta-feira (15), o Conselho Diretor da Artesp tomou ciência do plano de ação, conforme nota técnica da Superintendência de Transporte Coletivo, mas exigiu complementações específicas relativas à implantação dos sistemas:

ERTs (Estações de Referência de Transferência) – pontos de integração entre linhas alimentadoras e troncais;

ITS (Intelligent Transport Systems) – tecnologias de transporte inteligente que integram controle, informação e segurança operacional;

PSD (Platform Screen Doors) – portas de plataforma que isolam as áreas de embarque, garantindo segurança e eficiência;

CCO (Centro de Controle Operacional) – núcleo de gestão que monitora a operação em tempo real;

Semaforização – sistema de controle de tráfego que dá prioridade semafórica aos ônibus do corredor.

A decisão ainda determina o retorno do processo à SUCOL para nova avaliação técnica após a entrega do plano atualizado, e ratifica toda a instrução processual, aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor.

O Sistema BRT-ABC, que ligará São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano à capital, é considerado o maior corredor metropolitano de ônibus da Grande São Paulo, e integra a concessão de 20 anos firmada entre o Governo do Estado e o grupo controlador da Next Mobilidade. A expectativa é que o sistema transporte mais de 600 mil passageiros por dia quando estiver em plena operação.



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. J. Alberto disse:

    Se realmente procede a informação de que essa obra carece de projeto executivo pronto…

    Então estamos diante de um escândalo, pois 6 (seis) anos sem projeto executivo pronto é simplesmente inexplicável.

    Ainda mais se considerarmos que, para a parada modelo e para os ônibus anunciados, aparentemente não faltou projeto… Eike Batista fazendo escola…

    Se a polícia decidir investigar o que está por trás desse contrato que foi assinado para não ter projeto, dessa parada que foi construída para não receber passageiros nem ônibus, e desses ônibus que foram montados sem ter corredor pra rodar, considerando os indícios recentes de ligação da empresa responsável com um submundo obscuro… Teremos um escândalo de grandes proporções que vai deixar os casos Transwolff e UPBus no chinelo.

  2. Tiago disse:

    Se tivesse feito uma licitação, ficaria evidente que a empresa não tem competência para tocar um projeto desses.

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